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<< CULTURA Exposição celebra diversidade e propõe novo olhar sobre a história de Sorocaba Corpos da Água Vermelha une a diversidade do presente com a história sincretista de João de Camargo

Publicada em 29/09/2021 às 20:53
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(Foto: Divulgação)
A exposição ‘Corpos da Água Vermelha’ abrir-se-á para o público nesta sexta-feira, 1º de outubro, com obras de nove artistas plásticos contemporâneos, documentos históricos, ciclo de debates e vídeos documentais. Devido à pandemia de Covid-19, toda a programação acontecerá ainda no meio digital, pelo site www.corposdaaguavermelha.com.br (acesso gratuito).
 
A história de João de Camargo, místico fundador da igreja do Bom Jesus do Bonfim das Águas Vermelhas, na atual avenida Barão de Tatuí, no bairro do Vergueiro, é o ponto de partida da pesquisa, que busca uma compreensão sobre a diversidade existente no território de Sorocaba. Nhô João, com sua marcante trajetória de ex-escravo que se tornou figura sincretista marcante em Sorocaba na primeira metade do século 20, ajuda, segundo o entender dos proponentes do trabalho, a entender uma parte da história vivida pela cidade e seu potencial cultural latente. “Da raiz de África, misturada aos santos católicos e às ervas de caboclos utilizadas para a cura por João de Camargo, temos a cultura caipira, a cultura do interior — nossa identidade. Portanto, ‘Corpos da Água Vermelha’ somos nós, quando silenciamos todos os ruídos da modernidade homogeneizante e encontramos, dentro do silêncio, as vozes da terra, das águas, das pedras e de nossos ancestrais”, afirma o pesquisador Allan Yzumizawa, curador da mostra.
 
A exposição terá registros de obras, propostas artísticas visuais, documentos históricos e vídeos de pesquisa realizados durante a construção do projeto. O conjunto de conteúdos visa estabelecer horizontalmente, como também explicam os organizadores, o passado e o presente, de maneira que estejam conectados e que sua união possa pautar discussões sobre as maneiras de pertencimento dentro da cidade.
 
O projeto foi contemplado pelo Edital Proac ‘Produção de Exposições Inéditas’, realizado pelo Governo do Estado.
 
PROGRAMAÇÃO - A mostra terá obras de nove artistas contemporâneos: Ariane Nascimento, Camila Fontenele, Ella Vieira, Flávia Aguilera, Jeff, Júnior Terra, Natalie Mess, Pedro Lopes e Vine Ferreira. E temas relacionados à pesquisa do projeto serão discutidos ao longo do mês em uma programação de sete debates que serão transmitidos ao vivo.
 
A abertura da exposição, amanhã (1º), terá o debate inicial da programação, “Sorocaba Preta: respirar, sentir e aquilombar na igreja de João de Camargo”, com Daia Moura, artista e pesquisadora que abordará a experiência de estar na Capela do Senhor do Bonfim da Água Vermelha.
 
Também merece destaque a conversa do dia 19, ‘A história do Tapé Puku Eté, o caminho Peabiru’, apresentada por Luã Apyka, professor e pesquisador tupi-guarani, nativo da aldeia Tabaçu, localizada na Terra Indígena Piaçaguera, no litoral sul de São Paulo. O convidado irá relatar a história do Tapé Puku Eté, caminho também conhecido como Peabiru, que, segundo os relatos, interligava o litoral paulista até o Peru, do Oceano Atlântico ao Pacífico, nas andanças nômades dos nativos, e vai falar da importância do caminhar de seus ancestrais para a cultura tupi-guarani.
 
Todas as conversas da programação serão desdobradas em textos que, junto aos trabalhos de arte da exposição, comporão um catálogo que será distribuído para as bibliotecas da região.
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