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<< CULTURA Documentário retrata a realidade dos índios yanomami na Amazônia ‘A Última Floresta’, do diretor Luiz Bolognesi, foi exibido em festivais nos quatro continentes e, agora, estreia em todo o Brasil

Publicada em 15/09/2021 às 19:16
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(Foto: Divulgação)
CINEMA
 
Depois do aclamado longa ‘Ex-Pajé’ (2018), o cineasta paulistano Luiz Bolognesi está de volta à temática indígena com o documentário ‘A Última Floresta’, que retrata as crenças, os costumes, a luta e o dia a dia de uma tribo da etnia yanomami na aldeia Watoriki, em Roraima. O novo filme, que está chegando neste mês às salas de exibição de todo o Brasil, é baseado no livro ‘A Queda do Céu – Palavras de Um Xamã Yanomami’ (2015), escrito pelo etnólogo francês Bruce Albert junto com o líder da tribo, o pajé Davi Kopenawa Yanomami, que divide com Bolognesi os créditos pelo roteiro.
 
O longa chega às telas brasileiras depois de ser exibido para 10 mil pessoas em nove festivais nos quatro continentes, tendo sido eleito vencedor pelo público na Mostra Panorama, do Festival de Berlim, e vencedor do prêmio de melhor filme no Festival Seoul Eco, na Coréia do Sul. O documentário ainda teve uma exibição especial para os Yanomami e foi ovacionado na aldeia.    
   
HABITAT – ‘A Última Floresta’ se divide em dois aspectos, como se fosse dois filmes dentro de um. O primeiro se dá em uma esfera poética, que retrata com imagens etéreas, cheias de nuances, o cotidiano que vive em harmonia com a natureza, que divide sua comunidade em três atividades básicas: caça, pesca e artesanato, como cestos de palha.
 
O filme celebra um dos princípios dos povos indígenas, que é o prazer de viver o aqui e agora. Para eles, não faz sentido ter uma agenda ou se preocupar com o dia de manhã, pois o único espaço em que podemos ser felizes é o presente. A ansiedade, mal tão comum hoje em dia para o homem branco, seria o peso de um passado mal resolvido ou não plenamente realizado, como alguma mágoa com pai e mãe – os povos indígenas valorizam muito a relação com seus ancestrais, assim como a preservação da natureza.
 
O segundo - e não menos importante aspecto do filme - é o de denúncia, o que causa impacto no espectador após uma série de imagens que transmitem tamanha plenitude. Denúncia do desrespeito para com a terra e com a história desse povo que já estava no Brasil 500 anos antes do descobrimento do país por Pedro Álvares Cabral. É citado um episódio de 1993, ano seguinte ao reconhecimento pelo governo brasileiro da Terra Indígena Yanomami, que ficou conhecido como massacre do Haximu, quando 16 indígenas, incluindo mulheres e crianças, foram mortos por garimpeiros de ouro.
 
O filme é lançado em um momento crucial para o futuro dos povos indígenas, quando grileiros e garimpeiros devastam a Floresta Amazônica em velocidade recorde e quando se discute, no Congresso Nacional, o projeto de lei 490, que permitiria o contato de empresas privadas com os povos isolados, e o Marco Temporal, que passaria a reconhecer apenas os territórios indígenas demarcados antes da promulgação da Constituição em 1988, o que excluiria a aldeia Watoriki.
 
Além de ferir os direitos dos povos originários, tais medidas acelerariam ainda mais a devastação do meio ambiente, já que o que ainda temos de floresta preservada se deve à resistência indígena. 
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