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<< EDITORIAL Triste submissão

Publicada em 14/09/2021 às 19:33
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Como se costuma dizer, a banalização dos heróis ou falsos heróis não deixa de ser um triste consolo diante das fraquezas humanas. Ao longo de toda a história brasileira, não foram poucos os protagonizadores da República que praticaram muitas crueldades humanas no País, sempre em favorecimento das elites que estiveram á frente de tudo durante algumas centenas de anos. É claro que, em meio a todos eles, sempre existiram os paladinos da liberdade e da esperança buscando o melhor para o povo, mas o fato é que a história oficial, na maioria das vezes, nunca deixou de inverter os papéis, consagrando aqueles que pouco fizeram contra as adversidades que tantos sofreram.

Basta lembrar, por exemplo, que muita gente da elite dos velhos tempos não poupou milhares de índios da morte alegando que eles não tinham alma. Da mesma forma, apesar de tudo que significaram de bom para o Brasil, não foram poucos os bandeirantes que agiram de maneira predatória e criminosa contra tanta gente. Convém lembrar, também, que através das boas maneiras os escravos nunca conseguiram ser tratados como seres humanos que tanto contribuíram para a evolução e a grandeza do Brasil, sem se falar das elites que ajudaram a empurrar Tiradentes para a forca em 1789.

"São grandes os contingentes de brasileiros que há anos e anos vivem desempregados, desprotegidos, endividados, humilhados e dependentes de um salário mínimo que condena todo mundo à submissão eterna"    

Na verdade, não foram poucos aqueles que ganharam rios de dinheiro através da mão escrava, da miséria, do sofrimento e das humilhações da raça negra. E hoje, de um modo geral, é assim que tudo continua com a grande maioria dos trabalhadores. Os políticos, que pouco produzem para o bem da Nação, querem ganhar bem ás custas de quem realmente trabalha e enfrenta problemas de toda ordem para ter uma sobrevivência digna com sua família. Daí a razão de os poderes públicos federal, estaduais e municipais serem obrigados a arrecadar além da conta para garantir os salários de tanta gente.

Certamente, ao longo de tantos anos, tudo foi tendo um reflexo negativo sobre as gerações que foram se sucedendo, projetando, entre outras coisas, a tragédia da violência que hoje em dia toma conta do Brasil inteiro. Nestes dias em que o País protagoniza a passagem dos 199 anos de sua Independência, proclamada por dom Pedro I em 1822, há que se fazer uma consideração sobre tudo isso. Antes de mais nada, em meio ás tristezas e ao inconformismo que a pandemia não para de projetar entre os brasileiros, é importante verificar como a dinâmica dos atos violentos vai deixando toda a sociedade cada vez mais sem saber exatamente o que fazer. Tudo aquilo que existe de abominável no relacionamento entre as pessoas não deixa de ser uma herança nefasta e deplorável que os tempos passados legaram ás futuras gerações.

O que se vê de gente endinheirada no comando da corrupção, do tráfico de drogas e de outros crimes não é brincadeira. Os brasileiros não são independentes, já que dependem de tudo. Todos dependem das circunstâncias, dos aproveitadores incorrigíveis e das leis que nunca deixam de favorecer os poderosos da criminalidade organizada. Todos dependem da sorte de não encontrar pela frente algum bandido sanguinário. Basta verificar como o rastro de sangue se alonga sem parar por todos os lados a cada dia que passa.

Enfim, é preciso muito mais para que o ideal da Independência possa se aconchegar de fato aos grandes contingentes de brasileiros que há anos e anos vivem desempregados, desprotegidos, endividados, humilhados e dependentes de um salário mínimo que condena todos à submissão eterna. Pena que nem todos vejam como se deve que o potencial do Brasil é muito superior a tudo isso.       

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