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<< EDITORIAL Perdas irreparáveis

Publicada em 19/08/2021 às 18:03
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As coisas não deixam de ser um disparate no Brasil quando se trata da obrigação dos poderes públicos de proteger a vida da população. Enquanto hoje as vítimas fatais da Covid-19 já chegam a quase 600 mil em todo o Pais, calcula-se que atualmente mais de 800 mil brasileiros estão com suas cirurgias suspensas pelo SUS nos últimos anos por falta de leitos nos hospitais e dos elevados custos para que os procedimentos médicos possam ser levados a efeito. Não deixa de ser um verdadeiro absurdo uma pessoa marcar uma cirurgia e alguns meses ou até anos depois ser informada de que o procedimento assistencial está suspenso por uma série de razões. Quantas dessas pessoas não poderão morrer nos próximos meses em razão da falta de um tratamento adequado? Quem se responsabiliza por isso? Será que o Congresso Nacional vai abrir alguma CPI para investigar o que realmente está ocorrendo com relação a isso, exatamente como acontece atualmente com a CPI da Pandemia? Quem deve ser cobrado por algo também tão degradante na vida brasileira?

"São muitos os brasileiros que, além da pandemia, ainda são obrigados a enfrentar as distorções de um sistema de saúde que não corresponde às expectativas da população em geral"

O que falta é justamente isto: apurar como se deve quantas pessoas morreram por falta de atendimento médico adequado prestado nos hospitais públicos de todo o País. Por mais que o SUS desenvolva um trabalho dos mais importantes, constituindo-se num exemplo marcante para muitos países, a sua estrutura de funcionamento ao longo dos anos sempre foi prejudicada pela falta de recursos por parte do governo federal. E, neste caso, não se pode, também, simplesmente acusar o presidente Jair Bolsonaro, já que o problema vem se arrastando há muitos anos. 
Quem, afinal, deve ser responsabilizado por uma cirurgia devidamente marcada no SUS e que, de repente, depois de vários meses, acaba sendo cancelada sem mais nem menos, muitas vezes levando o paciente à morte por falta de atendimento? Pode-se dizer que a tristeza de uma família que passa por uma desolação dessas é a mesma de quem perde um ente querido para a Covid-19. Infelizmente, além de tudo aquilo de pior que ocorre em decorrência da pandemia que se arrastou pelo Brasil e pelo mundo desde março do ano passado, muitos brasileiros, principalmente os que lutam por uma sobrevivência mais digna, ainda säo obrigados a enfrentar as distorções de um sistema de saúde que, em muitos casos, não corresponde às expectativas da população brasileira. Trata-se de uma situação extremamente incômoda e negativa que também precisa ser revertida com urgência no País. 
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