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<< EDITORIAL Horas decisivas

Publicada em 03/08/2021 às 17:07
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Mais do que nunca, nesta altura dos acontecimentos, parece que o futuro político do presidente Jair Bolsonaro vai sendo traçado de maneira irremediável. Depois de todas as peripécias políticas e administrativas que vêm enfrentando desde que assumiu a chefia do País, todas elas reunidas em mais de 120 pedidos de impeachment protocolados no Congresso Nacional, dificilmente, mais cedo ou mais tarde, ele escapará de um processo de cassação de seu mandato. Na verdade, enquanto tudo vai se armando ao seu redor, ele pouco faz para reverter a situação, principalmente no que diz respeito a ter um pouco mais de sensibilidade política para evitar que o pior lhe aconteça. Talvez tenha certeza de que na hora decisiva poderá contar com o apoio das Forças Armadas para se manter no poder, mas essa também é uma hipótese que poderá decepcioná-lo.

O que se observa é que não são poucos aqueles que garantiram a sua eleição em 2018 que estão cada vez mais confusos com a sua maneira de ser e pela paralisia que vai tomando conta do País, sem que haja a existência de um plano de governo que realmente seja do interesse de todos e possa passar a mobilizar a atenção dos brasileiros em geral. Certamente, Bolsonaro sabe que está navegando por um mar de incertezas e que a qualquer momento poderá ser engolido pelas ondas que vêm sendo agitadas por ele próprio desde que assumiu a presidência da República em 2019. E as coisas prometem esquentar muito mais daqui para frente agora que o Congresso Nacional vai retornando do recesso parlamentar.

"É preciso evitar que o peso das inconsequências políticas siga em frente prejudicando a retomada do desenvolvimento brasileiro"

O fato é que o Brasil vive um momento de muita tensão em todos os aspectos, agravado cada vez mais pela forma distorcida com que a política vai ganhando espaço no Brasil. Basta verificar, por exemplo, como a CPI da Pandemia vem sendo conduzida no Senado, onde muita política grotesca é embalada diariamente para atingir seus objetivos contra o presidente da República. É só verificar como os seus integrantes fazem de tudo para persuadir os testemunhos dos depoentes. A política brasileira não deixa de ser uma eterna mesmice, sempre atropelada pelos aproveitadores de plantão.

Enquanto isso, tudo o que interessa à Nação vai ficando sempre para depois desde o início deste século, como as reformas tributária e administrativa, a recuperação do emprego, a redução da criminalidade, o aprimoramento da educação e da saúde, a retomada do setor produtivo e da economia, a redução das desigualdades sociais, o combate à pandemia como se deve e muito mais. Apesar de tudo que se pretende apurar sobre a compra de vacinas pelo Ministério da Saúde, os integrantes da CPI deixam de verificar onde foram parar todos os recursos financeiros, que somam mais de R$ 5 bilhões, liberados pelo governo federal para que vários Estados pudessem providenciar a compra de oxigênio, respiradores e uma série de outros equipamentos médicos necessários para o combate à covid-19, mas que até hoje não chegaram em sua totalidade à população, como foi constatado no Amazonas, em Santa Catarina e em alguns Estados do Nordeste.

Tudo assinala, portanto, que a intensidade da pauta contra Bolsonaro não será reduzida e que ele continuará não tendo vida fácil daqui para frente com o fim do recesso parlamentar em Brasília. O que se espera, neste momento de tanta conturbação nacional, é que os protagonistas políticos tenham o bom senso de procurar fazer o melhor em prol da Nação e não simplesmente o de legislar em causa própria, exatamente como ocorreu com a aprovação de recursos da ordem de R$ 5,7 bilhões para a campanha eleitoral dos partidos políticos no ano que vem.

É preciso evitar que o peso das inconsequências políticas siga em frente prejudicando a retomada do desenvolvimento brasileiro. O que resta saber é se Bolsonaro terá condições de sacudir a poeira e dar a volta por cima para evitar a cassação de seu mandato.

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