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<< EDITORIAL Gastos assustadores

Publicada em 01/06/2021 às 18:03
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Um estudo feito cerca de 10 anos atrás pela ONU (Organização das Nações Unidas), com 110 países, mostrou que o parlamentar brasileiro era o segundo mais caro do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Atualmente, tudo continua na mesma e até pior. Diante de tão grande absurdo, é natural que ainda hoje, quando o orçamento de 2021 do Congresso Nacional contempla com mais de R$ 12 bilhões a manutenção das atividades da instituição, que congrega 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), que na verdade pouco produzem de bom para o País, a maioria dos brasileiros ainda tenha grande saudade das operações da Lava-Jato e do ex-juiz Sérgio Moro para desbaratar as ações criminosas políticas e empresariais que tomaram conta do Brasil ao longo deste século.

Parece mentira - mas é a mais pura verdade - que os parlamentares brasileiros nunca deixam de consumir tanto dinheiro com os vencimentos que recebem, com o combustível que gastam, com as ajudas de custo que recebem, com os planos de saúde que possuem, com as passagens aéreas que se perdem no espaço, além de tantas outras quinquilharias que desfrutam e dos dois períodos de férias que descansam no ano sem fazer falta ao Brasil. E tudo isso sem se falar dos feriados prolongados que não acabam mais. O presidente da República, os governadores e os prefeitos de todo o Brasil não desfrutam de tantos dias de férias no ano. Há que se destacar que existem deputados realmente comprometidos com a realidade brasileira, mas a grande maioria deles só pensa em seus interesses pessoais e partidários.

"Como não condenar tudo isso quando uma grande parte da população só consegue se alimentar através do auxílio de emergência e das doações que recebe dos brasileiros em geral?"

Se as coisas forem colocadas na ponta do lápis como se deve, chegaremos a números muito mais do que surpreendentes e assustadores. E tudo para que? Para que eles permaneçam praticamente apenas três dias da semana em Brasília... Além de possuírem um número incontável de funcionários, ou seja, mais de cinco mil à sua disposição, todos ganhando muito além da média de cada trabalhador brasileiro, tudo não deixa de ser muito dinheiro jogado fora de forma escancarada. Se grande parte de toda essa dinheirama fosse distribuída entre os mais necessitados, certamente seria reduzido e muito o número dos mais pobres existentes no País.            

Pode-se dizer que um dos últimos tapas na cara de cada brasileiro teve como protagonista o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, que ao assumir a presidência da instituição neste ano aumentou em quase 170% o reembolso aos deputados federais dos gastos com saúde. Como não condenar algo desse tipo quando uma grande parte dos brasileiros só consegue se alimentar através do auxílio de emergência e das doações que recebe da população brasileira?

Dessa maneira, enquanto os parlamentares federais desfrutam do privilégio de tratar da saúde no Alberto Einsten ou no Sírio Libanês, o que é que se pode esperar de melhor para o Brasil? Resta saber até quando os brasileiros serão obrigados a aguentar tudo isso.

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