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<< EDITORIAL Trajetória complicada

Publicada em 27/04/2021 às 18:39
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Embora não se sinta à vontade para dar o braço a torcer, o presidente Jair Bolsonaro está muito mais ciente de que o ritmo agressivo dos preços altos não deixa de ser um problema cada vez mais sério para o descontrole da inflação, que até o final do ano passado vinha se mantendo de maneira razoavelmente estável. Depois de um período de calmaria nesse sentido, o presidente tem reclamado em público, de forma mais intensa, do reajuste dos preços da carne, do arroz, dos combustíveis e do gás de cozinha, entre outros. Há que se destacar que, após quase oito meses com a taxa básica de juros no menor nível de sua história, o Banco Central decidiu novamente elevar no final de março a taxa Selic para 2,7% com o objetivo de tentar controlar o processo inflacionário. Tudo indica que este é apenas o início de um novo aperto financeiro para os brasileiros com a finalidade de tentar evitar o crescimento da inflação.

"O Brasil ainda poderá perder mais espaço no âmbito dos investidores internacionais caso não coloque um ritmo maior na campanha de imunização em massa"

Em razão do que vem acontecendo, além de todas as complicações do novo coronavírus, Bolsonaro vai sentindo o termômetro da opinião pública e ficando cada vez mais preocupado com as eleições presidenciais do ano que vem, recomendando a sua equipe econômica providências urgentes para evitar o descontrole da inflação. Do jeito que a situação está, o seu desconforto não poderia ser mais enfático com tudo aquilo que vai piorando, já que as coisas tramam a favor dos preços altos e do desemprego, sem se falar da lentidão com que as vacinas contra a covid-19 estão sendo aplicadas em todo o País. Certamente, o Brasil ainda poderá perder mais espaço no âmbito dos investidores externos caso não coloque um ritmo maior na campanha de imunização em massa, vista como sendo a única possibilidade para levar o País a uma nova trajetória de expansão econômica.                         

Naturalmente, com todas as combinações perversas contra o presidente, as eleições de 2022 se tornam a sua principal plataforma de campanha, justificando a sua preocupação com tudo aquilo que vai prevalecendo neste momento, principalmente se de fato o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sair candidato ao Palácio do Planalto. Nesta altura dos acontecimentos, Bolsonaro já tem ciência de que não será fácil conquistar a confiança do mercado e da população sem a implantação de medidas concretas para mudar o rumo das coisas. Do jeito que as coisas caminham, o Brasil deverá fechar 2021 na 12ª maior economia do mundo. E isso não é nada bom para quem há alguns anos chegou a se destacar entre as sete maiores economias do planeta.                   

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