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<< EDITORIAL A inflação que prospera

Publicada em 14/04/2021 às 17:08
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Mais do que nunca, a prova de que a crise brasileira é grave está justamente na dificuldade de se vislumbrar o futuro como se deve. Ao punir particularmente a faixa da população de menor renda, para a qual o custo da cesta básica tem um peso maior na contabilidade doméstica, a inflação em alta no Brasil é um fenômeno que deve ser visto de uma maneira especial por parte dos responsáveis pela política econômica do País. Conforme os jornais publicaram ontem (14), com base no Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, em março a inflação voltou a ter uma taxa elevada para todas as faixas de renda. Há que se lembrar que o Brasil, nos últimos anos, principalmente em 2020, quando a taxa Selic chegou ao seu valor mais baixo, conseguiu alcançar um período de estabilidade que se traduziu como dos mais eficientes. Não pode, portanto, neste momento, correr o risco de ver esse esforço desperdiçado por pressões que se espalham em razão de vários fatores, entre eles o custo de vida e o avanço acelerado da pandemia do novo coronavírus, já que são muitos os estragos acentuados que provocam por todos os lados.                   

É preciso lembrar que foi justamente no final da década de 90 e na virada do século, quando o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso, que a inflação foi reduzida a patamares equivalentes aos de países industrializados, caindo para quase 4%, depois de ter alcançado a marca de aproximadamente 500% ao ano. Naturalmente, hoje em dia as coisas não chegam a tanto, mas é preciso que sejam tomadas providências com urgência para que o processo inflacionário não desande a perder de vista, como já começa a ocorrer aos poucos.     

"Tudo de pior sempre sobra para milhões e milhões de pessoas desempregadas em todo o País e que não têm para onde correr para sobreviver com um pouco mais de dignidade"        

Ninguém ignora que a exemplo de taxas de juros e alíquotas de impostos elevadas, a inflação que prospera também tem um efeito corrosivo sobre os vencimentos da população de maneira geral, particularmente na faixa de menores ganhos. E tudo de pior ainda sobra para milhões e milhões de pessoas desempregadas em todo o País e que não têm para onde correr para sobreviver com um pouco mais de dignidade, sempre dependendo da solidariedade de tanta gente abnegada.                     

O fato é que o custo de vida em elevação nunca deixa de provocar um estrago de efeitos ainda mais preocupantes justamente em razão de comprometer o poder de compra. Não se pode negar que sempre que ressurge como uma ameaça em potencial, é de suma importância que o governo aja com rapidez e eficiência para evitar que o mal se propale de maneira tão inconveniente. É exatamente isso que os brasileiros esperam agora, em especial os que têm menos condições   de preservar os seus ganhos num momento tão difícil para toda a população.

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