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<< EDITORIAL Campanhas e mutirões em recesso

Publicada em 30/03/2021 às 18:40
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Mesmo com a chegada do outono no último dia 20, sabe-se que a temporada de infestação de insetos, permitindo a multiplicação das chamadas pragas urbanas, ainda permanece na ordem do dia. Ninguém ignora como baratas, pernilongos, moscas, escorpiões, aranhas, Aedes aegypti e outros mais nunca deixam de encontrar nesta época um ambiente propício para a reprodução. A presença de todos eles nunca deixa de ser um grande incômodo à população, mas, por enquanto, neste 2021, pouco se falou a respeito no Brasil, principalmente sobre tudo aquilo de pior que a dengue representa, talvez pelo fato de a atenção de todo mundo estar voltada para a pandemia do novo coronavírus. O fato, porém, é que apesar de não estar se falando muito mais sobre o mosquito transmissor da dengue, certamente ele continua a contaminar uma grande parcela da população, embora o noticiário, de um modo geral, não esteja levando em conta os voos rasantes que ele costuma dar em cima de tanta gente. Diante do silêncio em torno deste assunto, até parece que, de repente, a dengue foi eliminada de Sorocaba, de São Paulo e do Brasil, embora todos saibam como o mosquito nunca deixa de atacar sorrateiramente por causa dos focos de águas paradas que se acumulam por todos os lados na temporada das chuvas mais intensas. 

"A questão é que não se pode deixar de levar em conta o risco da dengue, da zika e da microcefalia, entre outras doenças causadas pelo Aedes aegypti"

Levando-se em conta que a prevenção e o controle da dengue nunca foram fáceis em lugar nenhum, é de se estranhar que neste momento não estejam em curso campanhas contra esse mal, cujo monitoramento é extremamente complexo em ambiente humano. É de estranhar que as ações permanentes dos poderes públicos, como os mutirões que antigamente eram mais comuns, além de ações educativas e fiscalização efetiva em imóveis, com equipes que buscam identificar as situações de risco, não estejam sendo colocadas em prática onde os problemas sempre existiram. Pelo menos, neste momento, não se destacam iniciativas dessa natureza. Há que se falar, por exemplo, sobre o clássico problema dos imóveis vazios, onde o controle fica ainda mais problemático.               

Melhor para todos se a proliferação do Aedes aegypti realmente estiver em recesso, mas é improvável que isso esteja ocorrendo, já que não é de uma hora para outra que muitos males desaparecem. Ao contrário, como acontece atualmente com a dinâmica da covid-19, a tendência de tudo é se prolongar no tempo e no espaço, principalmente se as vacinas não forem aplicadas em grande número por todo o País.           

É evidente que, neste momento, o combate ao novo coronavírus é o principal problema a merecer uma atenção especial por parte dos governantes e de toda sociedade brasileira. A questão, no entanto, é que não se pode deixar de levar em conta o risco da dengue, da zika e da microcefalia, entre outras doenças causadas pelo Aedes aegypti. Trata-se de uma questão que também precisa ser discutida amplamente no Brasil.

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