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<< BRASIL Sucessor na Cultura vai analisar caso de Geddel

Publicada em 20/11/2016 às 09:28
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Escolhido para suceder Marcelo Calero no Ministério da Cultura, o deputado federal Roberto Freire afirmou que vai respeitar a decisão do Iphan, órgão subordinado à pasta, sobre a construção de um projeto imobiliário em Salvador (BA) em que o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, comprou um apartamento.
 
De acordo com o Jornal “Folha de S. Paulo”, Calero tinha dito que um dos principais motivos que o levou a pedir a demissão do cargo foi pressão feita por Geddel para que o Iphan aprovasse o projeto imobiliário de 100 metros de altura, previsto para ser construído nos arredores de uma área tombada da capital baiana. 
 
“Vou tomar conhecimento ainda, mas, antes, o princípio que me norteia é o técnico; se existe um órgão técnico, é para ser respeitado nas decisões; se existe um órgão técnico e competente, cabe ao ministro levar em consideração e respeitar isso. Se não, quem vai colaborar com o ministro?”, disse Freire. 
 
O futuro ministro ainda elogiou a gestão de Calero na liderança do Ministério da Cultura e disse que deve dar continuidade ao trabalho dele. “Não há nenhuma ruptura; ele fez um ótimo trabalho. Não está saindo com nenhum problema do ponto de vista político e administrativo. Vamos conversar com ele”, afirmou. 
 
Calero assumiu o cargo em maio deste ano após Temer ter assumido interinamente a Presidência da República. Inicialmente, ele havia sido nomeado secretário nacional de Cultura, órgão que foi vinculado ao Ministério da Educação por algumas semanas, mas que voltou a ter autonomia depois de protestos contra a medida. 
 
Na carta de demissão, ele agradeceu a Temer a “honra” de ocupar o cargo e disse que tomou a decisão, de ordem pessoal, em caráter irrevogável. “Durante os últimos seis meses, empreguei o melhor dos meus esforços, apoiado por uma equipe de extrema qualidade para pensar a política cultural brasileira”, escreveu.  
 
TELEFONEMA – Geddel telefonou ontem para o presidente Michel Temer, que se encontra em São Paulo, para se explicar. Ele negou haver pressionado o ex-ministro da Cultura a liberar a construção de um edifício no centro histórico de Salvador. Temer quer reunir-se com Geddel para ouvir sua versão. 
 
No momento, a tendência é de que o Planalto não tome atitude adicional no fim de semana. A interpretação nos bastidores é de que há uma guerra de versões. O presidente já conversou com Calero e vai ouvir Geddel. Auxiliares de Temer dizem que as acusações de Calero são muito graves e questionam se ele tem provas. 
 
 
Comissão de ética está 
com avaliação marcada 
 
O presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Mauro Menezes, anunciou que decidiu levar ao colegiado, já na manhã desta segunda-feira (21), as denúncias publicadas pela imprensa do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero acusando o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.
 
“Li com atenção o que foi publicado e, como presidente da Comissão, decidi que vou submeter o assunto ao colegiado, na segunda-feira, que vai decidir se abrirá procedimento de investigação e as providências que serão tomadas”, declarou Menezes, ao explicar que já havia uma reunião marcada para amanhã. 
 
No entanto, Menezes não quis fazer juízo de valor em relação à denúncia. “Não vou fazer qualificativo nem dar declaração porque estaria antecipando-me à posição da comissão”, observou após explicar que, antes disso, não há questionamentos ao ministro. “O que existe é a decisão minha de pautar o assunto”, emendou.
 
 
 
 
Oposição na Câmara
solicitará convocação 
 
A oposição na Câmara dos Deputados vai pedir a convocação do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, para que expliquem a pressão política que teria sido feita por Geddel para o que o Iphan liberasse a construção de um imóvel em Salvador (BA).
 
Parlamentares de oposição querem uma acareação entre os dois para falar sobre o assunto. “Vamos chamar os dois na Câmara; Calero, para deixar mais explícito os motivos que levaram a seu pedido de demissão, e Geddel, para que explique a acusação”, afirmou a líder da minoria na Casa, deputada Jandira Feghali (PCdoB).
 
O líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente, também reforçou que vai pedir a convocação de Geddel e disse que poderá representar contra o ministro da Secretaria de Governo na Comissão de Ética da Presidência da República. “O Geddel devia demitir-se imediatamente; ele tem de responder e prestar contas”, afirmou. 
 
 
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