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<< BRASIL Sérgio Moro homologa delação de executivos de ?banco de propinas? Delatores que atuaram no setor vão pagar R$ 3 milhões em multas

Publicada em 23/07/2016 às 06:35
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O juiz Sérgio Moro homologou nesta sexta-feira (22) os acordos de delação premiada dos três executivos que adquiriram, em 2010, junto com um ex-funcionário da Odebrecht, o “banco da propina” utilizado para a empreiteira movimentar dinheiro de pagamentos ilícitos, inclusive, para o marqueteiro do PT, João Santana, e que movimentou 1,6 bilhão de dólares até 2014. 
 
Marco Bilinski, Vinícius Borin e Luiz França, que atuavam no setor financeiro e trabalhavam como captadores de clientes para o banco no Brasil, concordaram em pagar R$ 1 milhão de multa cada um e também repatriar todos os bens que possuírem no exterior, pagando os impostos às autoridades brasileiras. O valor dos bens no exterior não foi divulgado. Da multa, 90% será destinado para ressarcir a Petrobras. 
 
Com a homologação, as delações dos três executivos do setor financeiro, que se associaram a Fernando Migliaccio e Luiz Eduardo Soares, então executivos do Departamento de Operações Estruturadas – nome oficial da central de propinas da empreiteira, segundo a “Lava-Jato” – da Odebrecht, poderão ser utilizadas para novas investigações sobre a complexa rede financeira de 41 offshores – empresas em paraísos fiscais. 
 
O grupo também se juntou a Olívio Rodrigues Júnior, responsável por intermediar a abertura das contas para a empreiteira no Antígua Overseas Bank, em que os três executivos trabalhavam antes de decidirem adquirir o Meinl Bank. A participação de 51% da filial da instituição financeira em Antígua foi adquirida, segundo o relato, por 3 milhões de dólares mais quatro parcelas anuais de 246 mil de dólares. 
 
O Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht foi alvo da 23ª etapa da “Lava-Jato”, que levou à prisão o marqueteiro João Santana, sua mulher e sócia, Mônica Moura, e, ainda, executivos do banco e que agora fecharam delação. Foi a partir da “Operação Acarajé, assim denominada em referência a um dos nomes usados nas planilhas da contabilidade paralela da Odebrecht para propinas. 
 
As revelações foram feitas pela funcionária Maria Lúcia Guimarães Tavares, a primeira do grupo empresarial a colaborar com as investigações. Atualmente, executivos da Odebrecht e o empreiteiro Marcelo Odebrecht negociam uma delação premiada com a “Lava-Jato”. Entre as contas offshores criadas para Odebrecht, Vinícius Borin listou em seu primeiro depoimento da delação as movimentações consideradas suspeitas. 
 
Entre essas operações estão a Klienfeld, a Innovation e a Magna, que fizeram depósitos na conta offshore Shellbill Finance, de propriedade de João Santana e sua mulher, Mônica Moura, na Suíça, no valor de 16,6 milhões de dólares. O valor é quase quatro vezes os 4,5 milhões de dólares que João Santana e sua mulher receberam de outra empresa e admitiram a Moro tratar-se de acerto de dívidas de caixa 2 da campanha de Dilma em 2010. 
 
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