Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2019

Diário de Sorocaba





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Bíblia Sagrada

Publicada em 06/09/2019 às 20:09
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Estamos iniciando o mês de setembro, mês dedicado à Bíblia. Tomemos consciência do que temos nas mãos!

Tens nas mãos a Bíblia. Ela é fonte que sacia a nossa sede infinita de Deus. Dela bebemos sem esgotá-la e podemos voltar a ela todos os dias com alegria, sabendo que sua torrente não seca. Como fonte perene, sempre deixaremos mais do que podemos tomar. A minha alma tem sede de Vós, minha carne vos deseja, como terra sedenta e sem água! (Sl 62,2).

Tens em mãos os Livros Sagrados. Eles são floresta de biodiversidade infinita de significados e de densidade de sentidos. Como numa selva obscura, nela não nos adentramos sozinhos, contamos sempre com a orientação milenar da Mãe Igreja que a tem meditado, estudado, vivido e testemunhado até o sangue. Ensinai-me a viver Vossos preceitos; quero guarda-los até o fim (Sl 118,33).

Tens em mãos a Escritura. Com a Sagrada Tradição, ela é um rio que tem sua nascente em Deus e n’Ele desemboca. Esse rio caudaloso é formado pela vida de inumeráveis gerações que ouviram a Palavra de Deus, a gravaram no coração, a viveram com alegria e a transmitiram com o próprio testemunho. Transborda em toda a terra o vosso amor; ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade! (Sl 118,64).

Tens em tuas mãos o juízo de Deus. Como espada que penetra fundo na alma, separando articulações e nervos, a Escritura julga nossas atitudes e faz a separação entre o pecado e a graça, entre o bem e o mal. Ela tira as máscaras e desnuda as aparências. Provocando uma salutar e purificadora dor, a Escritura provoca a crise, ameaça e adverte com a perdição, corrige com misericórdia e firmeza. Mostrais, assim, quanto sois justo na sentença e quanto é reto o julgamento que fazeis! (Sl 51,6).

Tens nas tuas mãos as palavras que contêm a Palavra. Por isso, estás diante do oceano profundíssimo, no qual a inteligência não fica bloqueada, mas pode imergir com trepidação e assombro. Como oceano profundíssimo e vasto, as palavras preenchem a razão humana e a superam com suas imensas riquezas. Tão impossível como sorver o oceano inteiro, assim também é a imensidão dos mistérios presentes nestas palavras! Como anseio pelos vosso mandamento! (Sl 118,40).

Tens em mãos o Antigo e o Novo Testamento. Contendo coisas novas e antigas, os dois Testamentos formam uma unidade incindível: o Novo Testamento está oculto e prefigurado no Antigo e o Antigo se torna claro e patente no Novo. Vossa palavra é minha herança para sempre, porque ela é que me alegra o coração! (Sl 118,111).

Tens nas tuas mãos as leituras proclamadas na liturgia. Elas são mesa abastecida com generosidade pelo divino hóspede que, depois de bater e entrar pela porta por ti aberta, serve o pão da vida eterna que é Ele próprio. Nutrido e robustecido por ele, podes ainda deleitar-te com sua doçura e delícia. Como é doce ao paladar vossa palavra, muito mais doce que o mel na minha boca! (Sl 118,103).

Tens nas mãos um tesouro. Cabe a ti recebê-lo com gratidão e com alegria partilhá-lo! – Dom Julio Endi Akamine, SAC, é arcebispo metropolitano de Sorocaba, SAC, e escreve aos sábados no DIÁRIO