Domingo, 15 de Setembro de 2019

Diário de Sorocaba





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A chegada dos animais

Publicada em 22/08/2019 às 18:09
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Nos últimos dias, fugindo de um matagal em chamas, uma onça foi vista na região do Jardim Paulista e do Jardim São Camilo, proximidades da empresa Sohovos, nos altos da avenida Itavuvu, na zona norte da cidade. Esse tipo de ocorrência vai se tornando cada vez mais comum nos grandes centros urbanos em razão da devastação das matas por causa do fogo ou da implantação de novos núcleos habitacionais. Também está se tornando cada vez mais comum o atropelamento de animais como veados, tamanduás e gambás, entre outros, nas rodovias da região. Muito embora notícias como essas parecem ser bizarras e sem importância dentro de um cenário de tanta violência que conturba e amedronta toda a sociedade, elas devem ser consideradas e levadas a sério, tendo em vista o que representam os desdobramentos e implicações que poderão aparecer no futuro em prejuízo das novas gerações.
Em torno desses fatos, cabe a pergunta do por que eles estão ocorrendo cada vez mais com os animais. A resposta, naturalmente, é porque eles já perderam e vão continuar perdendo muito espaço para ficar. Como seus habitats estão ficando mais raros, eles são obrigados a percorrer e cruzar estradas à procura de alimentos e esconderijos. Para eles fica mais fácil obter alimento dessa maneira do que ficar tentando caçar algo nas matas. É só observar a fartura de restos de lanches, frituras e tudo mais que ficam espalhados pelas rodovias, principalmente nos pontos de alimentação da população.
Na verdade, como os técnicos no assunto têm se manifestado a respeito, cabe uma discussão bem mais ampla a esse respeito, principalmente se os animais selvagens devem permanecer nas matas ou vagando sem destino pelas cidades. Será que ninguém mais quer vê-los em liberdade em lugar nenhum? Entre outras coisas, o que falta é todo e qualquer proprietário rural observar como se deve a lei que determina, por exemplo, que áreas equivalentes a 20% das matas nativas devem ser preservadas. Se isso ocorresse, certamente o quadro seria outro. 
Por isso mesmo, o descumprimento das leis, o que não constitui novidade no Brasil, mais a falta de uma política nacional para a ocupação racional do solo, trarão muitos problemas no futuro com o desaparecimento das variadas espécies de animais silvestres. E isso, sem dúvida, provocará desequilíbrios ambientais e ecológicos que prejudicarão o próprio homem.