Domingo, 15 de Setembro de 2019

Diário de Sorocaba





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Profissionais que a evolução exige

Publicada em 19/08/2019 às 20:09
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Não é de hoje que a modernização das máquinas agrícolas vem trazendo aos municípios em geral milhares de desempregados do campo à procura de emprego. Não foram poucas as famílias que perderam espaços e passaram a se amontoar nas periferias das cidades sem qualquer alternativa de ganhos, tendo ao alcance apenas serviços domésticos ou braçais da construção civil. Há muitos anos que isso vem ocorrendo, sem que haja qualquer perspectiva de que a situação possa ser revertida algum dia.  
Atualmente, com relação a esse fenômeno que se tornou algo absolutamente natural na paisagem de tantos municípios, temos bons exemplos em Sorocaba. Sem qualificação adequada, estes trabalhadores, provindos de zonas rurais de vários Estados ou de cidades da regiäo, estariam fazendo parte das estatísticas do desemprego se não tivessem sido incluídos ao longo dos anos na construção civil, misturando-se aos técnicos atuantes no mercado. 
Embora com menos intensidade nos tempos atuais, há pelos menos trinta anos que a cidade vem passando por uma colossal reestruturação horizontal e vertical, principalmente com condomínios de grande porte por todos os bairros. Não foram poucas as construtoras que chegaram para explorar o mercado popular, levantando casas e prédios em curto espaço de tempo. É bem verdade que a qualidade das casas e prédios populares não tiveram a qualidade esperada, já que a fiscalização dos órgãos públicos deixaram de acompanhar muitas etapas das construções, mas essa é a realidade que se constata pelo Brasil afora.          Apesar de muitas famílias desassistidas que deixaram o campo terem se beneficiado com todo o desenvolvimento da construção civil, os profissionais com mais experiência no ramo também passaram a exigir uma recompensa maior para trabalhar nos canteiros de obras. Neste momento, portanto, com toda a modernidade que se verifica em todas as profissões, principalmente levando-se em conta as constantes mudanças na área econômica, torna-se cada vez mais necessária uma nova estrutura de ensino, não apenas em nível Superior, mas também em níveis técnicos. 
Não adianta, por exemplo, apenas a formação de engenheiros se o País não tem a qualificação do mestre de obras, do pedreiro, do eletricista, do pintor, enfim, de todos os profissionais que fazem falta no setor. Afinal, todos sabem os resultados de uma obra malfeita, com paredes e pisos mal-assentados, azulejos que se soltam, pintura que desaparece em pouco tempo, rachaduras e vazamentos. 
Os órgãos governamentais e as entidades da iniciativa privada precisam o quanto antes elaborar planos que possam atender cada vez mais à demanda por profissionais competentes deste setor. A evolução de tudo que se verifica no País não pode deixar de corresponder às expectativas de toda a população.