Terça-Feira, 20 de Agosto de 2019

Diário de Sorocaba





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Um tapa na cara sem tamanho

Publicada em 16/07/2019 às 20:08
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Há pelo menos 20 anos que as reformas políticas necessárias ao Brasil vêm sendo discutidas sem que a classe política chegue a um denominador comum. Isso porque não interessa aos políticos brasileiros, principalmente dos altos escalões, qualquer reforma que possa dar um fim ao regime contraditório atual. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que atualmente existem no País 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de muitos outros que esperam autorização para funcionar. Como não poderia deixar de ser, essa quantidade só serve para confundir o eleitor e fazer conchavos entre os aglomerados partidários.   
É importante lembrar, também, que no Japão existem 3 partidos, na Suécia, 7, no Canadá, 5, na Alemanha, 6, e na Itália, 8. Nos Estados Unidos, além dos grandes Democrata e Republicano, há quatro que podem concorrer à presidência da República, enquanto no Brasil todo e qualquer legenda pode lançar candidatos. É evidente que nenhum brasileiro tem condições de citar os nomes de todos eles e muito menos quem são seus presidentes. Nem os próprios candidatos a algum cargo eletivo sabem disso.       
Todos sabem que ao longo dos anos o sistema político foi absorvido por mecanismos de financiamento ilegal ou viciado de campanhas eleitorais por empresas privadas ou grupos que sempre visaram manipular governos em prol de seus interesses. Com relação a isso, a "Lava-Jato" provocou uma revolução moral no País, colocando na cadeia muitos políticos e empresários. O que se espera é que as regras burladas ao longo de tantos anos agora possam ser reduzidas em nome do sistema democrático. 
O fato é que, para começar, seria necessária a urgente redução do número de siglas partidárias. Da mesma forma, também seria essencial a redução do número de parlamentares de todas as casas legislativas no âmbito municipal, estadual e federal. Com certeza, o Brasil ganharia muito com isso. Para justificar o enxugamento, basta citar a inoperância pelo excesso de parlamentares, o elevado custo público, o impacto das mentalidades assistencialistas, a apresentação de projetos que nada têm a ver com a população e a escassa produção legislativa, entre outros fatores. 
Enfim, há que se ter em mente que a democracia não pode ser vista e entendida como um negócio qualquer, cuja conta bilionária nunca deixa de pesar de maneira expressiva nas costas da sociedade brasileira. Embora possa parecer uma utopia, o ideal seria que as verdadeiras agremiações políticas viessem a sobreviver apenas com contribuições voluntárias de seus filiados e simpatizantes.         Neste momento, por exemplo, fala-se em aumentar o tal do fundo partidário de R$ 1,7 bilhões para algo em torno de R$ 3,5 bilhões. Será um verdadeiro absurdo se isso realmente vier a ocorrer no País. Diante de todas as necessidades que o Brasil tem, ninguém pode aceitar mais um tapa na cara desse tamanho.