Domingo, 16 de Junho de 2019

Diário de Sorocaba

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A recuperação do Centro

Publicada em 11/06/2019 às 17:06
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Tem-se falado muito nos últimos anos sobre a possibilidade de revitalização do Centro Histórico de Sorocaba, mas, até agora, nada evoluiu de maneira satisfatória. A regiäo nobre da cidade passou a sofrer acentuado processo de esvaziamento no que diz respeito às moradias nas décadas de 70-80, quando já era essencialmente comercial, contando com algumas lojas importantes, além de concentrar o setor de serviços, com agências bancárias e escritórios não só de empresas, como também de profissionais liberais. Nessa época, os shopping centers ainda não existiam na cidade, mas vários clubes sociais, como Sorocaba Clube, Clube União Recreativo, Circolo Italiano e Estrada de Ferro Sorocabana funcionavam na regiäo central. 
Entretanto, como era natural com muitos municípios, Sorocaba passou a sofrer um processo dinâmico de transformação, com o surgimento de muitos bairros que provocaram significativas mudanças no uso dos espaços. Da mesma forma como o Centro deixou de abrigar moradores em uma primeira fase, também parte expressiva do comércio e dos serviços foi migrando para outras regiões. Chegaram os shoppings e muitas lojas passaram a funcionar neles, o mesmo acontecendo com escritórios de empresas que foram para os bairros, embora muitas tenham se mantido na área central. Profissionais liberais, como médicos, dentistas, engenheiros e advogados, entre outros, buscaram novos pontos em edifícios que foram se espalhando por vários pontos da cidade.
Nessa época, durante a administração do prefeito José Theodoro Mendes, foram inaugurados o estádio municipal (CIC), no Jardim Santa Rosália, o Palácio dos Tropeiros e o Teatro Municipal nos Altos da Boa Vista. Era a cidade, de repente, modernizando-se como nunca, embalada, também, pela chegada dos shoppings, lojas de renome e hipermercados, enquanto algumas fábricas tradicionais foram desaparecendo da regiäo central e de alguns bairros, já que muitas foram deslocadas para a zona industrial durante o governo Armando Pannunzio.
O fato é que, com o passar dos anos, a área central da cidade foi ficando para trás, perdendo suas características históricas e não correspondendo mais às expectativas dos sorocabanos. Daí a importância de se recuperar o que foi perdido. Nunca é demais lembrar que, por todo o mundo, existem muitos exemplos de recuperação de regiões históricas que sofreram processo de abandono e desgaste. E todas elas convergem para a necessidade da ocupação efetiva dos imóveis existentes, conferindo vida e atividades às áreas.
No caso de Sorocaba, a administração municipal poderia convencer o empresariado a investir no Centro Histórico, mantendo o comércio em funcionamento nos fins de semana. Trata-se de uma idéia que pode trazer bons resultados, mas precisa ser articulada com longa duração, capaz de criar hábitos e atrair os sorocabanos. Apenas as programações pontuais, mesmo bem-sucedidas, não conseguirão provocar as mudanças pretendidas. 
Para a transformação do Centro, é preciso uma ação bem mais ampla, com lazer, turismo e cultura de um lado, mas ao mesmo tempo com incentivos e legislação que favoreçam a instalação das mais variadas atividades na área. Claro que o desafio é grande, mas com planejamento e boa vontade pode-se esperar pelo melhor! O que não pode é tudo continuar na mesma, cada vez mais sucateado.