Quinta-Feira, 18 de Julho de 2019

Diário de Sorocaba





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Congestionamentos sem fim

Publicada em 13/03/2019 às 23:07
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O noticiário dos últimos dias mostra que a venda de veículos novos no Brasil teve um crescimento de 10,2% em janeiro, com a comercialização de quase 200 mil unidades. Já em fevereiro, as notícias dão conta de que a venda de veículos  registrou uma alta de 26% em comparação com o mesmo mÊs do ano passado. O avanço das vendas é o resultado sobretudo do melhor cenário econômico, com inflação sob controle e juros mais baixos. Da mesma forma, de acordo com o noticiário, o governador João Doria anunciou na semana passada um programa de incentivo fiscal às montadoras para tentar assegurar novos investimentos no Estado. A decisão ocorreu quando a Ford anunciou o fechamento de sua fábrica em São Bernardo do Campo e a General Motors ameaçou suspender os investimentos no País. 
Como se observa, as boas notícias são pródigas no que diz respeito à produção de veículos, bem ao contrário do que acontece com a mobilidade urbana e o transporte de cargas e passageiros, que continuam mais devagar do que nunca. Dificilmente aparece uma ideia mais inteligente para solucionar um problema, que se agrava cada vez mais e que é de responsabilidade do poder público. Enquanto isso, o transporte oferecido aos alunos que moram na zona rural da grande maioria dos municípios brasileiros não deixa de ser algo insólito, mostrando como as coisas vão de mal a pior. É preciso lembrar, também, que nos grandes centros metropolitanos do Brasil, a velocidade média dos carros não chega a 20 km por hora em razão dos constantes congestionamentos e lentidão no trânsito, que se agravam cada vez mais. Na maioria das vezes, a constatação inevitável é de que os motoristas que pensam acelerar seus possantes carros estão completamente enganados. Na verdade, acabam por andar em ritmo de bicho preguiça todos os dias.
Não resta a menor dúvida de que os veículos fabricados hoje em dia dispõem de inúmeros dispositivos sofisticados, como direção hidráulica, câmbio automático, GPS e DVD a bordo, além de muitos outros. E isso, naturalmente, enche os olhos dos compradores, seduzidos pela propaganda, que faz aumentar o sonho de consumo dos brasileiros. Não existe, entretanto, modo como fugir dos problemas. As cidades estão cada vez mais congestionadas, tudo indicando que dentro de mais algum tempo a velocidade média dos carros deverá ser apenas de 5 ou 6 km por hora, fazendo com que seja melhor para todo mundo andar a pé. 
Resta saber, enfim, até quando a produção de veículos continuará a entupir as ruas e estradas sem que, em contrapartida, o poder público faça a sua parte para evitar a multiplicação dos problemas de locomoção no País. Antes de mais nada é preciso alguma providência urgente para aliviar o impacto e os prejuízos que os congestionamentos quilométricos representam de pior para a população em geral. Do jeito que as coisas caminham, certamente chegará o dia em que um grande congestionamento nacional, a exemplo da greve dos caminhoneiros no ano passado, paralisará o Pais de ponta a ponta por um período muito maior. Será que algum dia haverá como fugir desse problema?