Quarta-Feira, 23 de Outubro de 2019

Diário de Sorocaba





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A tristeza da falta de saneamento básico

Publicada em 10/10/2019 às 20:10
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De repente, sem qualquer aviso prévio, diante dos problemas que vão se renovando no Brasil, as autoridades competentes, os meios de comunicação e a população em geral deixam de falar com mais ênfase sobre a dengue, a zika e outros vírus que não param de se enraizar na vida brasileira, só retornando ao assunto quando as doenças se manifestam de forma mais intensa. Nunca é demais lembrar que as coisas só vão piorar cada vez mais se elas não forem levadas a sério, como se deve. Se o Brasil não melhorar de maneira substancial, por exemplo, os serviços de saneamento básico, todo o conjunto de ações de combate ao vírus propalado por mosquitos como o Aedes aegypti nunca será suficiente para afastar o risco de surgimento de novos e graves problemas de saúde pública. 
Sabe-se que a ONU (Organização das Nações Unidas) nunca deixa de alertar que os países que enfrentam problemas dessa magnitude não podem deixar de se preocupar em hipótese alguma com a questão do saneamento básico. Da mesma forma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 90% dos casos de vírus, zika, dengue e chikungunya poderiam ser evitados se os governos dos países mais afetados, como o Brasil, já tivessem adotado medidas ambientais adequadas. Apesar de todos os governantes serem permanentemente alertados sobre as providências que são necessárias, a ampliaçäo da rede de abastecimento de água e da rede de coleta de esgotos em todos os Estados continua sendo tratada de maneira superficial, agravando cada vez mais os problemas causados pela falta de saneamento básico.   
Infelizmente, com exceção do Estado de São Paulo, onde os problemas ainda são muitos, no restante do Brasil a amplitude das redes de água e da coleta de esgotos não tem ocorrido na velocidade desejada para que a universalização dos serviços de saneamento básico seja alcançada até 2035, conforme acordo existente entre inúmeros países. Se tudo continuar no mesmo compasso dos últimos anos, a meta só poderá ser alcançada em 2055, ou seja, 20 anos depois, e isto se realmente for colocado em prática um trabalho muito mais acelerado do que atualmente. 
Se nada evoluir como se espera, as crianças é que continuarão a ser as grandes penalizadas pelos esgotos que correm a céu aberto pelas ruas e pelo modelo inadequado destinado à coleta de resíduos sólidos. Para se ter uma ideia, quase 40 milhões de brasileiros não são atendidos por água potável, sem se falar que metade da população do País ainda não conta com rede de esgotos a sua disposição. Trata-se, evidentemente, de um grande absurdo que não pode continuar acontecendo no Brasil, cuja economia figura entre as 10 maiores do mundo. Dessa maneira, como evitar que as doenças continuem a se reproduzir com tanta velocidade por todos os lados?