Sábado, 16 de Novembro de 2019

Diário de Sorocaba





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O que é o Reino de Deus?

Publicada em 20/09/2019 às 19:11
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Repetimos com frequência a expressão ‘Reino de Deus’. Há inclusive muitas igrejas e seitas que se denominam com essa expressão.

Sabemos que Jesus foi um pregador. Ele percorria cidades e vilarejos, pregando e ensinando. O seu anúncio tem como conteúdo central a vinda do Reino de Deus entre os homens. “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Mc 1,15). A expressão ‘Reino de Deus’ se repete com muita frequência nos evangelho sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). Qual é o significado dessa expressão?

‘Reino de Deus’ é uma expressão que tem suas raízes profundas no Antigo Testamento: indica não um lugar, mas o exercício concreto da realeza de Deus, a Sua intervenção histórica para fazer reinar a justiça, a paz e a salvação de maneira definitiva. Por isso, o anúncio de que “o Reino de Deus está próximo” provoca nos ouvintes de Jesus expectativas muito sentidas e muito arraigadas no coração: a realização de um ideal de um soberano justo.

A partir disso, é preciso continuar perguntando: o que Jesus entendia por ‘Reino de Deus’? Que realidade é essa que Jesus anuncia estar próxima?

Para responder a essa pergunta, é preciso prestar atenção ao que o próprio Jesus diz. “O Reino pertence aos pobres e aos pequenos, isto é, aos que O acolheram com coração humilde (...). Jesus compartilha a vida dos pobres desde a manjedoura até a cruz (...). Mais ainda: identifica-se com os pobres de todos os tipos e faz do amor ativo para com eles a condição para entrar em seu Reino” (Catecismo da Igreja Católica/CIC 544).

Reino de Deus é também convite à conversão. Jesus se aproxima dos pecadores porque não se conforma com a sua perdição. Assim como o Pai, Jesus deseja a salvação dos pecadores. Nesse sentido, as parábolas constituem o coração da pregação de Jesus. Todas elas estão ligadas ao mistério do Reino de Deus: convidam ao banquete do Reino (cf. Mt 22,1-14), exigem opção radical (cf. Mt 13,44-45) e atos concretos além das palavras (cf. Mt 21,28-32). São como espelho para julgar o modo como a pessoa acolhe o Reino (cf. Mt 13,3-9; 25,14-30).

É preciso, por fim, prestar atenção no modo como Jesus anuncia o Reino. Jesus anuncia o Reino de Deus, mas não o anuncia apenas como simples arauto ou comunicador. O anúncio do Reino está tão ligado à sua pessoa que a aceitação do Reino depende da decisão de segui-Lo. A escolha a favor ou contra o Reino de Deus está conectada à escolha a favor ou contra Ele (à Sua pregação e à Sua obra): “Quem se envergonhar de mim e das minhas palavras... também o Filho do homem se envergonhará dele...” (Mc 8,38). Toda a mensagem de Jesus, inclusive as suas parábolas, se refere a Ele próprio, fala dEle, é Ele.

Em Jesus se revela o ‘mistério’ do Reino. Assim o Evangelho de Jesus (o Reino de Deus) se torna o Evangelho que é Jesus. – Dom Julio Endi Akamine, SAC, é arcebispo metropolitano de Sorocaba e escreve aos sábados no DIÁRIO