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<< Dia Mundial dos Avós e da Pessoa Idosa PALAVRA DO ARCEBISPO - Dom Julio Endi Akamine, SAC

Publicada em 22/07/2021 às 18:02
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Neste domingo, 25 de julho, a Igreja celebra o 1º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Ele foi instituído pelo papa Francisco, na proximidade da memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora, celebrada no dia 26. Recomendo vivamente a leitura da mensagem do papa Francisco, que pode ser encontrada facilmente em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/nonni/documents/20210531-messaggio-nonni-anziani.html. Gostaria, de minha parte, refletir sobre a idade avançada a partir da perspectiva da participação no dom total que Cristo faz de si mesmo.

Nenhuma fase da vida pode considerar-se tão segura e fervorosa que exclua a oportunidade de cuidados específicos para garantir a perseverança na fidelidade, assim como não existe idade que possa ver exaurida a maturação da pessoa. Como todas as fases da vida, também a idade avançada suscita problemas novos e enfrenta tentações próprias. As dificuldades podem ser as doenças e o progressivo enfraquecimento orgânico, a fadiga moral, o afastamento dos encargos e da atividade profissional, o refugiar-se nas nostalgias, a melancolia da saudade, a solidão e o senso de aparente inutilidade.

A fé cristã, por outro lado, ajuda a compreender e viver em plenitude a idade avançada na comunidade e na família. Não se trata só de ajudar o idoso a aceitar a lei inexorável do tempo, mas de viver esta passagem como um evento de graça e uma experiência livremente acolhida. A Igreja e a família podem ajudar a manter viva a convicção de que a pessoa idosa continua a ser protagonista da ação evangelizadora da Igreja e da construção do futuro da Humanidade, principalmente com a oração e a união com Cristo: “Completo o que na minha carne falta às tribulações de Cristo, em favor do seu Corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). Nesse sentido, a pessoa idosa não está privada de presente, nem de futuro.

Assim, a idade avançada pode expressar a visão global da vida humana e espiritual, que consiste em receber a vida como dom e doá-la gratuitamente aos outros (Mt 10,8). Jesus foi o primeiro a pôr em prática essa dinâmica, vivendo sua vida como dom recebido, transformando-o em bem doado: a sua vida terrena foi um progressivo entregar-se ao Pai e aos outros, até a morte de cruz.

A vocação da pessoa idosa na Igreja consiste também na tarefa de trazer continuamente à memória ‘aquele dia tremendo e glorioso’, que é certo, mesmo que nos seja oculta a sua hora. É claro, a proximidade da morte não caracteriza, com exclusividade, esta etapa da vida, porque a morte está presente em todos os momentos de nossa vida mortal. De qualquer forma, a morte não é somente a meta para a qual a nossa vida está orientada, mas se converte, sobretudo, em um fator de crescimento pessoal. Em outras palavras, a vida cristã tem intrinsecamente o ritmo da espera do Senhor, mas isto será possível somente se as raízes da esperança forem aprofundadas durante todas as fases da vida. Para isso, é importante o amadurecido testemunho de sabedoria da pessoa idosa.

A pessoa idosa, nesse sentido, contribui ativamente para o amadurecimento dos outros. Ela não é simplesmente acompanhada, sustentada, compadecida ou suportada: ela é chamada a testemunhar o primado do ser sobre o operar, da substância sobre a técnica e da graça sobre a eficiência exterior. Com efeito, a idade avançada constitui tanto para a pessoa idosa, como para as mais jovens, uma experiência que pode tornar-se altamente significativa. O seu testemunho, a sua sabedoria e a sua oração constituem um encorajamento permanente na caminhada espiritual e apostólica dos mais jovens.

A idade avançada pode, por fim, ser vivida pelo cristão como o período que lhe oferece ainda mais a possibilidade de se configurar com Cristo e com a sua doação na cruz. Pode ser o tempo do amor puro e perenemente jovem ao Senhor que vem, um dia, nos buscar para nos levar com Ele. Neste sentido, o cristão pode ajudar muito a viver esta última fase da vida como termo e plenitude do misterioso processo de nossa conformação a Cristo. – Dom Julio Endi Akamine, SAC, é arcebispo metropolitano de Sorocaba e escreve semanalmente no DIÁRIO, às sextas-feiras

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