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<< Enfrentar o pluralismo religioso PALAVRA DO ARCEBISPO - Dom Julio Endi Akamine, SAC

Publicada em 01/04/2021 às 18:18
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A Campanha da Fraternidade’2021 lançou o desafio e a necessidade do diálogo entre cristãos e adeptos de outras religiões. A relevância da prática do diálogo consiste no fato de que o Brasil e o mundo se tornam cada vez mais pluralistas do ponto de vista religioso. Infelizmente, nessa situação de pluralismo se multiplicam casos de intolerância, perseguição, fundamentalismo e proselitismo religioso. Esses são os modos errados de abordar o pluralismo religioso. Eles têm consequências negativas para a educação e a vida em sociedade. 
Ainda que não seja o único, o diálogo inter-religioso é um modo correto de conviver em um mundo cada vez mais pluralista. “O diálogo é um caminho que conduz ao Reino e seguramente dará frutos, mesmo se os tempos e os momentos estão reservados ao Pai” (São João Paulo II, Redemptoris Missio, 56).
Como a Igreja Católica entende o diálogo com os fiéis de outras religiões? O diálogo proíbe o anúncio da salvação em Jesus Cristo? Que benefício o cristão pode tirar do diálogo com pessoas de outras religiões?
Para dialogar, é preciso conceber as outras religiões não como uma disseminação do erro, mas como um desafio positivo para a Igreja. Elas estimulam os cristãos a descobrir e a reconhecer os sinais da presença de Cristo e da ação do Espírito nas pessoas e nas tradições religiosas. Ao mesmo tempo, em que reconhece o que há de verdadeiro e santo nas outras religiões, o cristão tem a oportunidade de aprofundar a própria identidade e de testemunhar a integridade da fé em Cristo como um bem destinado a todos.
Com o diálogo, o cristão tem muito a ganhar. Primeiramente, ganha com o enriquecimento da sua fé em Cristo: a partir da experiência e o testemunho do outro, o cristão pode descobrir de modo mais profundo alguns aspectos do mistério cristão que não foram percebidos, nem vividos com profundidade. Por exemplo, no diálogo com um muçulmano, o cristão pode aprofundar a própria fé monoteísta. Ganha também com a purificação da própria fé: o choque provocado pelo encontro com o outro faz com que o cristão se questione, revise perspectivas muito limitadas e reveja alguns preconceitos radicados ou assimilados inconscientemente.
O diálogo não se desliga, porém, do anúncio explicito. “O diálogo inter-religioso faz parte da missão evangelizadora da Igreja. Entendido como método e meio para um conhecimento e enriquecimento recíproco, ele não está em contraposição com a missão ad gentes; pelo contrário, tem laços especiais com ela e constitui uma sua expressão” (RM 55).
Não há contradição entre o anúncio de Cristo e o diálogo inter-religioso. Pelo contrário, a Igreja sempre afirmou a necessidade de conjugar anúncio e diálogo na missão evangelizadora. “De fato, é necessário que esses dois elementos mantenham o seu vínculo íntimo e, ao mesmo tempo, a sua distinção, para que não sejam confundidos e/ou instrumentalizados, nem considerados equivalentes a ponto de poderem se substituir entre si. O fato dos crentes de outras religiões poderem receber a graça de Deus e serem salvos por Cristo independentemente dos meios normais por Ele estabelecidos não suprime o apelo à fé e ao batismo que Deus dirige a todos os povos” (RM 55).
Nesta Campanha da Fraternidade, todos os fiéis e comunidades cristãs são chamadas a praticar o diálogo. Evidentemente, o grau e a forma do diálogo variam segundo a condição, a capacidade e a responsabilidade de cada um. Nesse sentido, “é indispensável o contributo dos leigos que, com o exemplo da sua vida e com a própria ação, podem favorecer a melhoria das relações entre os crentes das diversas religiões” (RM, 57). – Dom Julio Endi Akamine, SAC, é arcebispo metropolitano de Sorocaba e escreve semanalmente no DIÁRIO, às sextas-feiras
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