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<< Campanha da Fraternidade e Ecumenismo PALAVRA DO ARCEBISPO - Dom Julio Endi Akamine, SAC

Publicada em 25/02/2021 às 16:03
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A CF’2021 na Arquidiocese de Sorocaba busca a unidade dos cristãos. Por que? Porque a divisão dos cristãos em várias Igrejas não é uma situação à qual devamos nos render e nos conformar. Ante essa situação de divisão dos cristãos em Igrejas e comunidades eclesiais, podemos simplesmente nos contentar com as afirmações ‘é assim mesmo’, ‘cada um tem o seu caminho e todos os caminhos levam a Deus’, ‘Deus é um só, por isso não importa a Igreja; qualquer uma serve’.

Como você pode notar, essas opiniões não dão conta de que a existência de várias Igrejas cristãs separadas não corresponde à vontade de Cristo. Foi o próprio Cristo que suplicou ao Pai ao dom da Unidade: “Que todos sejam um, como nós somos um”. Por isso, como discípulos missionários, nós não nos conformamos com a divisão entre os cristãos e a sofremos como uma verdadeira ferida à unidade que Cristo quis para a sua Igreja.

Os cristãos constatam, com tristeza, que as divisões na Igreja são consequências do pecado - e não do desígnio de Deus. As comunidades cristãs se separaram, algumas depois do Concílio de Éfeso (431), outras depois do de Calcedônia (451); o cisma entre Oriente e Ocidente foi datado convencionalmente de 1054; a Reforma aconteceu no século XVI e outras separações aconteceram também mais tarde.

O que podemos concluir a partir dessa constatação? Que não há mais unidade na Igreja? Absolutamente não. As divisões atuais ferem o dom divino da Unidade, mas não a destroem. Uma vez que Cristo pediu a unidade para a sua Igreja, esse dom de Deus não é mais perdido por pior que sejam as divisões humanas.

De fato, a fé em Cristo e o Batismo estabelecem uma união real, mesmo que imperfeita, entre todos os cristãos (Lumen Gentium 15). Em particular, os ortodoxos têm em comum com os católicos muitos elementos autênticos de fé e de vida sacramental, entre os quais a Eucaristia e a sucessão apostólica (cf. OE 27-30).

A Unidade é um dom definitivo de Deus, mas é, ao mesmo tempo, responsabilidade e tarefa dos fiéis cristãos. Reconhecemos, porém, que a superação das barreiras que dividem os cristãos não começa do zero. As diversas Igrejas e comunidades eclesiais têm em comum a fé em Cristo, o Batismo, a Palavra escrita de Deus, a vida da graça, a esperança, a caridade, os dons interiores do Espírito Santo (somente para citar alguns).

O Catecismo da Igreja afirma: “Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade, mas a Igreja deve sempre orar e trabalhar para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela” (820). A Campanha da Fraternidade é exatamente o modo concreto com que a nossa Arquidiocese ora e trabalha para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo dá a nós!

Por essa unidade, ainda que imperfeita, todos nós somos gratos. Também somos gratos pelo desejo e os esforços de reencontrar a unidade de todos os cristãos, uma vez que também isso é dom de Cristo e do Espírito Santo.

Como nós podemos participar desse movimento dos cristãos de busca da unidade? A CF é realizada exatamente para nos propor as coisas que podemos fazer em vista da unidade da Igreja. A primeira é a oração: procure rezar pela unidade dos cristãos. Se você tiver a oportunidade de reunir outros cristãos para orar para essa finalidade, melhor ainda. Procure participar das celebrações da Campanha da Fraternidade de 2021 para suplicar o dom da unidade dos cristãos.

Outra coisa que pode ser feita é a participação em ações solidárias que os cristãos podem realizar em colaboração. Uma prática muito recomendável é também o diálogo fraterno entre os cristãos, com a finalidade de aprofundar o conhecimento mútuo fraterno. Conhecer as tradições e as riquezas das outras Igrejas ajuda a superar preconceitos e a apreciar, com justiça, os dons que o Espírito Santo comunica.

Por fim, uma ação sempre necessária é a conversão do coração, pois é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo que causa as divisões. A busca da unidade querida por Cristo para a sua Igreja é um caminho sem volta para os católicos. – Dom Julio Endi Akamine, SAC, é arcebispo metropolitano de Sorocaba e escreve no DIÁRO semanalmente, às sextas-feiras

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