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<< EDITORIAL Aglomerações nos presídios

Publicada em 10/12/2020 às 21:41
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Nunca é demais lembrar que, neste momento, quando nos aproximamos do Natal e mais um ano de muitas preocupações vai desaparecendo para sempre no horizonte, são muitos os problemas de toda ordem que tomam conta do Brasil e precisam de uma atenção especial dos governantes e da própria sociedade brasileira. Além do novo Coronavírus que prospera por todos os lados e assusta cada vez mais, é importante trazer à tona a estimativa de que cerca de 20 mil detentos em todo o País continuam mantidos atrás das grades mesmo depois de terem cumprido integralmente a pena à que foram condenados. E isso ocorre simplesmente porque eles não dispõem de assistência jurídica para suprir, como se deve, o controle sempre desatualizado do sistema carcerário. 

Enquanto milhares de presidiários sofrem as consequências da omissão, não são poucos os estabelecimentos penitenciários que se mostram sem condições de abrigar mais pessoas pelo excesso de lotação. Por isso, a gravidade dessa situação deve servir de alerta para a necessidade de frequentes mutirões nos presídios que possam fazer justiça a tanta gente que já pagou pelos crimes que cometeu, permitindo, dessa maneira, um melhor aproveitamento das escassas vagas disponíveis nos presídios de todo o País. Além de continuarem sendo ocupadas por quem já cumpriu seu tempo de prisão, as celas abrigam pessoas que já ultrapassaram o tempo máximo para prisão preventiva. No cálculo de alguns órgãos competentes, o Brasil tem hoje cerca de 250 mil pessoas em prisão preventiva à espera de uma decisão da Justiça. 
"Além de contribuir para favorecer o avanço da Covid-19 no sistema penitenciário, a multiplicação de presos também leva  a rebeliões e massacres que vão se tornando cada vez mais comuns em todo o Brasil" 

Tudo isso, segundo os especialistas em Segurança, além de contribuir para favorecer o aumento da Covid-19 entre os presidiários, também vão agravando as tensões dentro dos presídios, levando a rebeliões e massacres que se tornaram comuns nos últimos tempos em todo o Pais. Antes de mais nada é necessário levar em conta que não basta apenas a construção de novos presídios. É preciso pensar em outras fórmulas. Quem comete crime violento tem de cumprir outro tipo de pena, caso contrário as celas vão se abarrotar sem parar, fazendo com que um número sempre maior de pessoas saia de lá cada vez pior. Na verdade, as cadeias de todo o País estão por demais congestionadas e mais parecem depósitos de presos. O Estado brasileiro prende à vontade, mas o iniciante na criminalidade é que sempre leva a pior, já que via de regra acaba sendo recrutado pelas organizações criminosas. Nada melhora para quem vai parar atrás das grades. Os governantes e o Brasil inteiro sabem de tudo isso, só que as coisas pioram cada vez mais e ninguém sabe exatamente o que fazer.

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