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<< CULTURA ‘Brasil deve ter muito orgulho de Clarice Lispector’, diz biógrafo

Publicada em 10/12/2020 às 21:09
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(Foto: Agência Brasil)
Amores, paixões, afetos... quem poderia, com exatidão, definir sentimentos com verbos, adjetivos ou substantivos? "Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras", disse a narradora no livro “Água Viva” (1973), obra consagrada de Clarice Lispector.  

A autora, que nasceu na Ucrânia há 100 anos, e chegou ao Brasil com 12 anos de idade, inspirou um historiador norte-americano a encontrar palavras para escrever sobre sua vida, movido por um sentimento imediato, da vastidão do que parecia indefinível. "Clarice é um amor de minha vida", afirma Benjamin Moser, hoje com 44 anos, que vive em Paris (França).

Ele explica que se deparou com a obra de Clarice quando ainda estava na faculdade, nos Estados Unidos, e aventurou-se em uma aula de Português. Apaixonou-se pela obra “A hora da estrela”, que ele traduziria depois para “The hour of star”. 

"Não temos Macabéas apenas no Brasil. Elas estão em todos os lugares.” Foram cinco anos de investigação sobre a história da escritora e família, fugidos da guerra na Ucrânia, para publicar, em 2009, a biografia “Why this world - a biography of Clarice Lispector” (com o título em português "Clarice, uma biografia").

Desde a publicação do livro, Moser foi premiado, divulgou a obra em toda a Europa e América do Norte, e constatou que a escritora era pouco conhecida fora do país em que viveu. Até mesmo no Brasil, avaliou que sua obra era mais apreciada por intelectuais.

O amor avassalador pela personagem real que descobriu, de olhar e expressões enigmáticas, descortinou um desejo de levar Clarice pelo mundo, a tiracolo, na busca pela justiça do dizer sobre a autora, que morreu em 1977. "O Brasil deve ter muito orgulho de ter uma escritora como ela. Autoras como ela não há no mundo inteiro.”

De Clarice, Benjamin Moser já traduziu oito obras, coletânea de contos e até livros infantis. No final de novembro, publicou os textos da autora voltados para as crianças em holandês. Outra empreitada de Moser foi contar a história da escritora e pesquisadora Susan Sontag. O trabalho rendeu-lhe o cobiçado prêmio norte-americano Pulitzer neste ano de 2020, na categoria de biografia.
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