Quinta-Feira, 15 de Abril de 2021

Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
Sorocaba 

buscar

<< CULTURA Restauro resgata beleza da igreja do Mosteiro de São Bento Cerimônias religiosas e atos simbólicos marcam nesta semana conclusão dos trabalhos artísticos que devolvem a Sorocaba a originalidade de seu primeiro templo, a igreja de Sant’Ana, primitiva Capela de Nossa Senhora da Pont

Publicada em 08/12/2020 às 20:23
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR
(Foto: divulgação)

Após sete anos de delicado trabalho artístico de restauro, a igreja de Sant’Ana, do Mosteiro de São Bento, considerado o principal patrimônio histórico de Sorocaba, testemunha maior da fundação da cidade em fins de 1654 pelo capitão Baltazar Fernandes, está, finalmente, sendo entregue à população para visitação nesta semana, completamente renovada em toda a sua beleza e originalidade. Edificada pelo próprio fundador e dedicada inicialmente a Nossa Senhora da Ponte, a excelsa Padroeira de Sorocaba, com a vinda dos Padres Beneditinos, edificação do Mosteiro em anexo e construção da Matriz na década de 1660, ganhou outros padroados, até ser definitivamente dedicada a Sant’Ana, mãe de Maria Santíssima e avó do Menino Jesus. Na década de 70 do século passado, foi tombada oficialmente, junto com todo o conjunto arquitetônico representado pelo Mosteiro de São Bento, pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo).

Para comemorar a conclusão das obras de restauro e reabertura da igreja de Sant’Ana à visitação pública, estão previstas, assim, três solenidades que, por conta da pandemia de Covid-19, ainda terão participação restrita a convidados diretamente ligadas ao processo de restauro - serão, no entanto, transmitidas online pelas mídias sociais do Mosteiro de São Bento, em especial pela página no Facebook (facebook@mosteirosorocaba). Nesta quarta-feira (9), às 19 horas, será celebrada a missa solene de ação de graças pela conclusão do restauro, sob a presidência do arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, SAC, com a presença de outros sacerdotes locais. O Coro dos Monges do Mosteiro de São Paulo entoará presente, entoando em gregoriano as partes cantadas da sagrada liturgia.

Amanhã, quinta-feira (10), às 11 horas, acontecerá a cerimônia de descerramento da placa comemorativa da restauração da igreja de Sant’Ana, com a participação dos funcionários que trabalharam no processo de restauro, representantes da empresa patrocinadora e autoridades. À noite, às 19 horas também, haverá nova missa de ação de graças pelo restauro, agora presidida pelo abade do Mosteiro de São Bento, de São Paulo, ao qual o de Sorocaba é historicamente ligado, dom Mathias Tolentino Braga, OSB.

AS OBRAS DE RESTAURO - As obras de restauro da igreja do Mosteiro de São Bento tiveram início em 2013, com os trabalhos de descupinização e estabilização das estruturas que sofriam de infiltrações e vazamentos. Uma vez estabilizadas as estruturas, foi dado início às obras no telhado da igreja, com troca de madeiramento (caibros e ripas), colocação de novas telhas, rufos e calhas, além da instalação de manta acrílica para maior durabilidade e proteção ao prédio. Todo esse processo, conduzido pela empresa Novata Engenharia, foi bastante lento, uma vez que, por se tratar de patrimônio histórico e arquitetônico construído em taipa de pilão, foi necessária mão de obra especializada e materiais específicos.

Desde o início das obras, em setembro de 2013, a igreja ficou fechada para o público e fiéis e as celebrações religiosas deslocadas para uma capela dentro das dependências do Mosteiro. Findas as obras de estabilização e telhado, foram iniciados, em setembro de 2017, os trabalhos de restauração do mobiliário artístico, esta a fase mais demorada, onerosa e delicada de todo o processo. Mesmo com a desmontagem, já foi possível a reabertura da igreja para os serviços religiosos em março de 2018, mas ainda fechada para visitação.

As obras de restauração artística são as que mais chamam a atenção, sendo as mais visíveis e que mostram a toda a beleza do interior da igreja, com os detalhes da arte sacra entalhados no mobiliário, seus significados religiosos e revelando o trabalho de artistas de tempos passados. Por mobiliário artístico, compreende-se todas as peças móveis que fazem parte do interior da igreja. No caso da igreja de Sant’Ana, foram restauradas 16 peças: dois púlpitos, dois altares laterais, sete sanefas (ornamento colocado acima de portas e janelas), arco do cruzeiro e escudo, duas credências (móveis colocados ao lado do altar-mor), mesa do altar e retábulo (ornamento posicionado atrás do altar-mor).

A origem do mobiliário artístico da igreja de Sant’Ana é incerto e carece de documentação histórica. A versão mais aceita é que as peças principais tenham sido trazidas do antigo Mosteiro de Santana de Parnaíba, demolido durante o Primeiro Reinado. Outras peças podem ter vindo do Mosteiro de São Paulo, por ocasião da demolição da antiga igreja, no início do século XX, para a construção da atual.

No processo de restauração do mobiliário artístico, inicialmente foi realizado um processo de catalogação de todo ele para, em seguida, realizar-se pesquisa histórica visando preservar suas características originais. Só depois começou o processo delicado e cuidadoso de desmontagem das peças, seu armazenamento, limpeza, descupinização e decapagem (remoção de resíduos). Muitas peças sofreram diversas intervenções ao longo do tempo e, para tanto, foram submetidas a análises científicas de pigmentação das amostras de tinta até se chegar à pintura original.

Parte das peças deterioradas pela ação de cupins foi reconstruída com a aplicação de resina especial e as mais comprometidas tiveram que ser reproduzidas em cedro rosa. Após, cada peça recebeu nova pintura e foi iniciada a remontagem do móvel. Somente o retábulo, que fica atrás do altar-mor e onde se encontram os nichos das imagens de Sant’Ana, São Bento e Santa Escolástica, é composto por mais de 90 peças que foram remontadas em uma nova estrutura de madeira que garantirá maior durabilidade e segurança.

Numa derradeira etapa, foi feita a aplicação de finíssimas folhas de ouro 24 quilates importadas, conforme a técnica italiana tradicional - uma etapa ainda mais demorada e delicada, requerendo atenção redobrada em cada detalhe, tudo isso realizado pela KRM Restauração e Conservação, que contou com uma equipe de 7 profissionais especializados no cuidado, manuseio, marcenaria, pintura e douração.

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar