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<< EDITORIAL Protagonismo pela vida

Publicada em 25/11/2020 às 22:30
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Como nunca antes ao longo da história do Brasil, os casos atuais de racismo que envolvem agentes públicos acabam reforçando a necessidade de se estruturar de maneira muito mais ampla o ensino da cultura africana e afro-brasileira dentro do contexto daquilo que propõe a lei 10.639-03 que tramita pelo Congresso Nacional. Ampliar os poucos conhecimentos que ainda existem em torno dessas temáticas, principalmente sobre tudo aquilo de bom e de útil que a raça negra sempre representou para o desenvolvimento do País, significa atentar para um novo olhar destinado à formação da identidade brasileira. Não resta a menor dúvida de que a inclusão desses assuntos nas disciplinas escolares sempre haverá de contribuir para elevar a autoestima de estudantes negros e pardos, ao mesmo tempo em que tornam os demais alunos mais conscientes em relação á diversidade étnico-racial.

O fato é que, não há como negar, existe um abismo profundo entre as políticas institucionais instituídas por leis de gabinete e as práticas do cotidiano escolar. Tudo acaba sendo abordado fora de uma contextualização ideal e que poderia ser amplamente favorável para reforçar uma empatia entre todos os segmentos da sociedade com a cultura afro-brasileira. Levando-se em conta que a educação é algo que tem o poder de transformar e segue sendo o melhor caminho para vencer preconceitos, este é um compromisso que deveria ser assumido de maneira definitiva por toda a sociedade, não apenas no que diz respeito às teorias, mas, principalmente, na prática de todos os dias. Trata-se de uma causa que não pode ser apenas de responsabilidade dos negros, mas de todas as pessoas que têm o mesmo sangue e se preocupam com um futuro melhor para todos os brasileiros. 
"Falamos de uma causa que não pode ser apenas de responsabilidade dos afrodescendentes, mas de todas as pessoas que têm o mesmo sangue e se preocupam com um futuro melhor para todos os brasileiros"   

Para evitar que o pior continue a acontecer no que diz respeito aos preconceitos e discriminações, o que falta é combater, como se deve, o racismo enraizado há séculos no íntimo de toda a Nação. Todos devem ser protagonistas dessa luta e não apenas os brasileiros afrodescendentes, pois são eles que sofrem as piores consequências, morrendo e permanecendo nos piores lugares da sociedade. Da maneira como aconteceu na semana passada, a morte de João Alberto Silveira Freitas ou de quem quer que seja não deixa de ser mais um alerta a escancarar uma realidade que acontece em todos os dias no País e que deve ser condenada por todas as pessoas de bem. A educação de ponta pode se transformar numa aliada de fundamental importância contra tudo que existe de pior no Brasil.

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