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Diário de Sorocaba





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<< DIÁRIO completa 62 anos como guardião da Verdade Em tempos de pandemia, papel do jornal atinge relevância ímpar na difusão de informações confiáveis e construtivas

Publicada em 02/07/2020 às 20:15
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(Foto: Arquivo/DS)

Segunda-feira próxima, 6 de julho, o DIÁRIO DE SOROCABA atinge mais uma conquista que poucos dos jornais que têm surgido pelo País afora desde o surgimento da Imprensa no século XIX têm conseguido galgar: chega ao seu 62º aniversário de ininterrupta publicação. E sempre fiel aos princípios que nortearam sua fundação, num arrojado empreendimento da Família De Luca, capitaneado pelo então jovem e idealista jornalista Vitor Cioffi de Luca.

A história do DIÁRIO, que se confunde com a própria história de Sorocaba – e também de várias cidades da região onde passou a circular ao longo dos anos -, começou a ser escrita a partir da fria manhã de 6 de julho de 1958, quando circulou, para surpresa de centenas de sorocabanos da época, que acolheram feliz e alegre o novo veículo de comunicação que surgia, seu primeiro número. Daquela data até hoje foram exatas 18.432 edições.

Em seu primeiro editorial, o jornalista Vitor Cioffi de Luca já escrevia, deixando registrado para a posteridade os valores éticos, morais e cristãos que norteariam a nova publicação: “O DIÁRIO DE SOROCABA terá um norte pelo qual se guiará, não se arredando um centímetro dos nossos princípios e das nossas convicções... Faremos deste jornal uma sentinela avançada na defesa dos interesses de Sorocaba, de São Paulo, do Brasil, e que o povo, indistintamente, terá aqui uma tribuna da qual poderá valer-se, a qualquer momento, para salvaguardar seus direitos por ventura ameaçados, ou protestar contra atos públicos nefastos à coletividade. Independentes, absolutamente independentes, nossa norma de trabalho terá, sob o ponto moral, por base os postulados cristãos. Politicamente manteremos equidistância dos partidos. Não temos compromisso com ninguém, quer políticos, quer econômicos... Estamos inteiramente à vontade para advogar os interesses lídimos da coletividade e para batalhar pelas grandes causas de Sorocaba. Fazemos questão de frisar que o espaço de nossas colunas está à venda dentro do setor, mas nenhum preço existe para nossa consciência”.

E assim o DIÁRIO DE SOROCABA é até hoje, 62 anos depois, num aniversário um pouco diferente de todos os já vividos ao longo destas seis décadas de circulação, em tempos de pandemia e de isolamento social.  Quando, aliás, o jornal atinge papel de relevância ímpar na difusão de informações precisas, verossímeis e construtivas em meio à avalanche de notícias pouco confiáveis e de tantas e tantas ‘fakes news’ suscitadas numa época midiática marcada por redes sociais quase sempre, via de regra, também utilizadas para a disseminação de falsos relatos e acontecimentos duvidosos. Como também destacava o próprio papa Francisco na segunda-feira, 30 de junho, em mensagem aos jornalistas reunidos até ontem nos Estados Unidos, para a Conferência Católica dos Meios de Comunicação, realizada pela primeira vez virtualmente e com o tema “Juntos, enquanto estamos separados”, acentuando justamente a importância que os meios de comunicação estão tendo na pandemia de coronavírus, por causa do confinamento decretado em muitos países detê-la, como um veículo "para manter as pessoas unidas, encurtando distâncias, fornecendo as informações necessárias e abrindo as mentes e os corações à Verdade". "Precisamos de meios de comunicação capazes de construir pontes, defender a vida e abater muros, visíveis e invisíveis, que impedem o diálogo sincero e a verdadeira comunicação entre pessoas e comunidades. Precisamos de meios de comunicação que possam ajudar as pessoas. Meios que ajudem, sobretudo os jovens, a distinguir o bem do mal, a fazer julgamentos corretos, baseados numa apresentação clara e imparcial dos fatos, a compreender a importância do compromisso com a justiça, a concórdia social e o respeito pela Casa comum”, acrescentou Francisco.

 

62 ANOS DE CAMINHADA - A história do DIÁRIO se funde assim, por outro lado, à trajetória de vida e idealismo do então jovem jornalista Vitor Cioffi de Luca. Os pais de Vitor, Fernando e Angelina, tiveram 11 filhos. Vitor saiu de Piraí do Sul, interior do Paraná, aos 14 anos de idade, mudando-se com o seu irmão João para São Paulo. Mais tarde decidiu estudar Jornalismo na Faculdade “Cásper Líbero”, formando-se em sua segunda turma, em 1951. Para sustentar seus estudos, trabalhava numa agência bancária e chegou a subgerente. Por ser árbitro de tênis de mesa, também escrevia, como colaborador, artigos para a “Gazeta Esportiva”. Entrementes, conheceu Thereza Conceição Grosso em uma festa de casamento, eterna companheira de lutas e vitórias e que, além de ser administradora nata, tinha grande experiência na área editorial, tendo trabalhado na Editora Melhoramentos. Tiveram quatro filhos: Fernando (falecido em 1996), Leila, Walter e Maurício. Os meninos seguiram os passos do pai e decidiram ser jornalistas; já a filha optou pela Medicina.

Em 1952, Vitor foi convidado para vir para Sorocaba, cidade que não conhecia, dirigir o jornal “Folha Popular”, administrado, então, pela Cúria Diocesana. Após seis meses na cidade, morando em uma pensão, se casou com Thereza. Em 1958, Vitor decidiu deixar a “Folha Popular” e fundar o seu próprio jornal. Seu sonho era fazer um veículo de comunicação moderno, imparcial e independente. Assim nasceu o DIÁRIO DE SOROCABA!

Um prédio na rua da Penha, esquina com a Maylasky, foi a primeira ‘residência’ do DIÁRIO. O local não tinha muitas divisões e era, ao mesmo tempo, escritório, redação e setor de distribuição. Vitor se dividia entre a máquina de escrever e as oficinas, que estavam instaladas nos fundos do prédio. À véspera da primeira edição, no dia 5 de julho de 1958, o jornal estava movimentado. Um grupo de repórteres e gráficos, comandado em primeira pessoa por Vitor, ia de um lado para o outro na árdua tarefa de fazer um novo jornal. O jornalista cuidava de todos os detalhes da primeira edição, redigindo as matérias e orientando a composição e paginação do número histórico, que deveria estar nas ruas logo pela manhã no dia seguinte. Apesar da ansiedade, tudo saia conforme o roteiro previamente estabelecido.

Vitor estava sem dormir há 48 horas. Mas, por volta das 23 horas daquele 5 de julho, quando o jornal já estava pronto para começar a ser impresso, uma comitiva, de cerca de 45 pessoas, entrou no casarão da rua Maylasky, tendo à frente o então governador do Estado, Jânio da Silva Quadros, e o prefeito de Sorocaba à época, Gualberto Moreira, para uma visita de cortesia. E dessa visita saiu o primeiro ‘furo’ jornalístico do DIÁRIO: o Estado construiria um viaduto na cidade, dividida irremediavelmente pelo leito da linha férrea – o Viaduto Jânio Quadro, interligando as ruas Dom Antônio Alvarenga e Hermelino Matarazzo - e mais dos pavimentos para o Hospital Regional.

O novo jornal cresceu rapidamente. Isso em parte pelo prestígio que Vitor tinha por conta da “Folha Popular”. Paralelamente a esse crescimento, marcado logo também pela construção de sede própria no tradicional 609 da rua da Penha, aumentava a participação do jornal e do casal Vitor e Thereza na vida da comunidade, de um lado apoiando um sem número de campanhas beneficentes, assim como o trabalho de voluntários de entidades filantrópicas locais, e de outro encetando movimentos comunitários em defesa de interesses legítimos dos sorocabanos, o mais recente deles, pouco antes do falecimento do fundador, pela duplicação da Rodovia Raposo Tavares, logo vitorioso e que aos poucos vai se tornando realidade.

 

INFORTÚNIOS BATEM À PORTA, MAS A GARRA SEGUE EM FRENTE – A Família De Luca, sempre atenta às inovações gráficas e tecnológicas dos anos finais do século XX, em 1993 colocava o DIÁRIO na era do offset, porém o jornal reafirmava sempre a mesma linha que norteara seu aparecimento.

O ano de 1996, contudo, ficou marcado pela morte do jornalista Fernando de Luca Neto, vítima de câncer. Fernando era o responsável, então, pela administração do DIÁRIO, especializado, inclusive, em Artes Gráficas. No mesmo ano, porém, surgiu também o DIÁRIO DE SOROCABA ON LINE, um dos primeiros jornais do Brasil na Internet. O atual diretor do DIÁRIO, jornalista Maurício de Luca, era o responsável pela nova empreitada

No final de outubro de 1998, novo abalo. Vitor e Thereza resolveram tirar alguns dias de férias no Paraná, onde a família também possuía um jornal, “O Piraiense”. No dia 13 de novembro, estavam voltando e Thereza ainda telefonou para o filho Maurício, dizendo que estavam em um posto de beira de estrada e que, dentro de pouco tempo, estariam em casa. Pediu para ele esperar para almoçarem juntos. A poucos metros do posto, uma erosão na estrada fez Vitor perder o controle do veículo, que se chocou de frente com um caminhão que seguia em sentido contrário.  Thereza morreu na hora; Vitor ficou preso às ferragens por quase uma hora. Faleceu a caminho do hospital.

DIÁRIO adota formato germânico

Com o objetivo de se adequar ao novo panorama do setor jornalístico e atender à demanda dos leitores, o DIÁRIO DE SOROCABA adotou o chamado ‘formato germânico’, mudou o sistema de distribuição do jornal impresso e reforçou sua atuação nos meios digitais a partir do final de abril de 2017. Os leitores podem obter os exemplares impressos gratuitamente, além de ler a edição impressa, digitalizada, na plataforma Issu, e ter acesso a mais informações ‘on line’ pelo site e redes sociais do DIÁRIO.

A imprensa do mundo inteiro está testando novos modelos de negócios, que se ajustem ao crescimento acelerado da leitura ‘on line’ e às mudanças no mercado publicitário. Nos últimos anos, como ocorre com a maioria dos jornais, o DIÁRIO ampliou consideravelmente o alcance de suas notícias e já tem mais leitores nas suas plataformas de Internet – site, Twitter, Facebook e edição digital (edição impressa reproduzida fielmente para leitura em computadores e tablets).

Considerando esses novos fatores, o DIÁRIO passou a ser distribuído gratuitamente durante a semana em diversos pontos da cidade. Isso representou também um ganho para os anunciantes, já que o potencial de retorno da publicidade feita no jornal tornou-se muito maior.

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