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<< SAÚDE Diabetes pode começar na infância Tipos e acompanhamentos envolvem doença que atinge mais de 13 milhões de brasileiros

Publicada em 04/11/2019 às 22:53
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A doença pode começar na infância e mudar totalmente a vida da pessoa (Foto: ABr)
Causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo, o diabetes atinge mais de 13 milhões de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Diabetes. Divididas em tipos, a doença pode começar na infância e mudar totalmente a vida da pessoa. 
 
De acordo com o médico pediatra Leandro da Fonseca, o Diabetes Melitos tipo 1 (DM1) é uma das doenças crônicas mais comuns na infância. Ele comenta que aproximadamente 20 em cada 100 mil crianças e adolescentes podem desenvolver DM1 a cada ano. Esse tipo pode ocorrer em qualquer idade, contudo é mais comum entre 4 e 6 anos e 10 e 14. 
 
Fonseca explica também os casos do DM2, que acomete geralmente adultos, pode atingir adolescentes obesos. “Neste caso, o paciente é capaz de produzir insulina, porém a obesidade provoca uma resistência das células à ação da insulina; ou seja, ela é insuficiente para transportar a glicose para dentro das células, acumulando-se no sangue.” 
 
SINTOMAS - Assim, os pais devem estar atentos aos principais sintomas na criança, tais como comer muito, mas não ganhar peso; ter muita sede; urinar com frequência e em grande volume, inclusive durante a noite; queixar-se de visão embaçada; e se sentir fraca ou sem disposição para as atividades diárias.
 
“Em crianças com DM1, o pâncreas não consegue produzir insulina. Portanto, a glicose não pode entrar nas células para lhe fornecer energia e a taxa de glicose torna-se muito elevada no sangue”, explana o pediatra. “Já os sintomas do DM2 podem ser menos perceptíveis, mais incluem, também, sede, urina frequente e falta de energia.” 
 
O médico comenta que, nos casos do diabetes, os problemas surgem quando o quadro passa despercebido. “Quando não é tratado ou o tratamento não é levado a sério pelo paciente e sua família; assim, não se torna efetivo”, destaca chamando a atenção para problemas psicossociais, que são comuns entre crianças com diabetes e suas famílias. 
 
Não se sabe, ainda, de forma exata, o motivo que leva algumas crianças a pararem de produzir insulina. Contudo Fonseca pontua que existe uma tendência hereditária associada a algum caso, como, por exemplo, uma infecção viral. “É possível que, na tentativa de eliminar o vírus, o corpo cometa um erro e comece a destruir sias próprias células.” 
 
ALIMENTAÇÃO - Já o estímulo para hábitos alimentares saudáveis evita sedentarismos. O médico aconselha, ainda, que, se for oferecido, o açúcar deve chegar à criança a partir dos 2 anos de idade. “Mesmo após essa idade, de forma moderada e esporádica, porque radicalismos não ajudam. O excesso de doces e a obesidade podem levar ao diabetes.” 
 
Com isso, diferentemente do adulto, na criança, o foco é manter uma alimentação balanceada e saudável, ajustando as doses de insulina para manter o equilíbrio. “Visto que ela está em desenvolvimento e crescimento, o objetivo não é cortar todos os tipos de carboidratos e açúcares.” 
 
 
Açúcar pode ser sério problema para toda vida
 
Balas, chocolate e misturas doces, uma tentação para a maior parte das crianças. Apesar de deixar qualquer pequeno feliz, o açúcar pode desencadear uma série de problemas de saúde logo na infância. Contrária à ideia de privações totais, a psicóloga Aline Del Rio explica que a criança consegue diferenciar o que é doce e salgado já no ventre materno. 
 
“Isso varia muito em relação à alimentação da mãe durante a gestação”, comenta ressaltando haver uma tendência de a criança gostar mais do doce. “Logo nos primeiros meses após o nascimento, o bebê tem essa inclinação a gostar também do doce, até mesmo pelo leite materno ser mais docinho.” Ela destaca, ainda, que o paladar está ligado ao olfato. 
 
Aline chama a atenção à introdução alimentar na vida da criança e aconselha que sempre esteja entre as opções de alimentos o que ela classifica como “comida de verdade”. “Por isso é importante começar desde cedo a oferecer vegetais e legumes para que o pequeno tenha esse costume”, orienta.
 
Ela desta que, em um primeiro momento, os pais podem fazer tentativas com papinhas naturais, evitando produtos industrializados, assim como a farinha branca. “É importante manter um equilíbrio na quantidade de carboidrato e gorduras boas.” 
 
A alimentação na infância tende a ser uma prévia da forma com que a pessoa irá se alimentar quando adulta. Com isso, Aline explica que, até 2 anos idade, o paladar da criança está em desenvolvimento. “O cuidado tem de ser redobrado nesse período, porque a criança poderá acostumar-se com o que comer nessa fase”, afirma.  
 
Na fase de crescimento, não se pode retirar grupos de alimentos. Assim, deve-se oferecer os açúcares naturais, principalmente os que vêm das frutas. “Os pais devem procurar não bater as frutas, mas sempre dar in natura, por conta das fibras.” Ainda nas substituições, ela pontua o chocolate, que pode ser substituído pelo cacau.
 
Outro dado destacado por Aline é que, conforme estudos, o açúcar pode ser muito mais viciante que certas drogas, podendo até gerar crises de abstinência quando a pessoa deixa de consumir esse alimento. “Quando ingerido, o açúcar ativa algumas regiões do cérebro que são responsáveis pelas sensações do prazer, como as drogas fazem”, explica. 
 
 
Efeitos no organismo adulto
 
Já entre os adultos, hábito de vida sedentário, alimentação inadequada, hipertensão, apneia do sono, entre outros, são considerados fatores de risco para o diabetes. A melhor forma de prevenir é praticar atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável, assim como evitar o consumo de álcool e tabaco, por exemplo.
 
A médica endocrinologista Rosália Padovani explica alguns sintomas que podem surgir com o passar do tempo, por complicações da doença como o pé diabético. Trata-se de uma complicação do diabetes. O problema pode começar com uma ferida que, se não evidentemente tratada, pode infeccionar e levar, inclusive, a amputações. 
 
O olho também é um órgãos afetados, sendo a retinopatia diabética uma complicação comum. “É uma doença que afeta os pequenos vasos da retina, região ocular responsável pela formação das imagens enviadas para o cérebro. O aparecimento desta complicação está associado ao tempo de duração da doença e ao grau de descontrole da glicemia.”  
 
A nefropatia diabética é uma das causas de insuficiência renal crônica. Caracteriza-se por lesões nos pequenos vasos sanguíneos devido ao aumento crônico das taxas de glicose na corrente sanguínea. “Essa complicação pode ser diagnosticada por um exame de urina específico que mostra taxas elevadas de proteína na urina do doente”, comenta. 
 
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