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<< Crespo e mais 11 pessoas são indiciados na ‘Casa de Papel’ Eles têm de comparecer à Delegacia Seccional até segunda-feira (7); todos negam irregularidades

Publicada em 03/10/2019 às 20:41
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(Foto: Arquivo/ Miguel Pessoa)
A última etapa da “Operação Casa de Papel”, que apura irregularidades em contratos feitos pela Prefeitura de Sorocaba. Conforme o inquérito, 12 pessoas, incluindo o ex-prefeito José Crespo, devem ser indiciadas por crimes de corrupção e associação criminosa. As investigações e a participação de cada um dos envolvidos constam no documento, com 98 páginas, onde, ainda, estão arquivadas provas, como conversas de WhatsApp, e-mails e documentos apreendidos durante a força-tarefa. De acordo com a Polícia Civil, Crespo seria o chefe do esquema de fraudes e as ações teriam começado em 2017. 
Com o retorno ao cargo, após a cassação de seu mandato, Crespo teria determinado que todos os empresários que fossem contratados pelo Paço deveriam doar recursos. Segundo o documento, o ex-chefe do Executivo teria instituído uma taxa de retorno, ocasião em que alguns contratos começaram a ser direcionados com o objetivo de abastecer esse fundo. Ainda conforme o relatório, esse fundo seria para pagar as despesas que fossem precisas para a permanência de Crespo no comando do Município. Assim, o secretário de Contratos e Licitações, Hudson Zuliani, teria sido escolhido para administrar essa parte. 
Arrecadação de dinheiro também foi tema de reuniões coordenadas por Zuliani com empresários na época da campanha de Crespo. O relatório explica que, depois como titular da pasta, ele direcionada licitações para privilegiar algumas empresas. Dois secretários também seriam os responsáveis por captar empresários para o esquema, sendo Eloy de Oliveira um deles, da Comunicação. Mais dois empresários teriam entrado para o esquema de fraudes através da pasta de Comunicação, tratando-se de Antônio Bocalão Neto e Fernando de Araújo Silva. 
De acordo com as apurações, embora Crespo conhecesse Bocalão Neto há anos, a relação entre eles teria ficado mais forte após a cassação de seu mandato; tanto que Bocalão Neto prestou serviços para as redes sociais do ex-prefeito, conforme o relatório. A polícia ressalta que o empresário teria montado um jornal, onde, pela Agência D’Gentil, passou a receber dinheiro do governo municipal. A Prefeitura teria feito, ainda, quatro propagandas institucionais em três dias, pagando quase R$ 50 mil ao empresário. Ele também teria auxiliado o dono de dois jornais de bairro no esquema de fraudes. 
Nesse esquema, o proprietário desses dois jornais recebia verbas para colocar fim às matérias de denúncia relacionando a Prefeitura, fora a participação em trâmites recebendo altos valores por anúncios. Componentes da Cultura, comanda por Werinton Kermes, também são suspeitos no esquema. Um funcionário teria atuado como intermediários, recebendo valores das empresas vencedoras dos contratos. Nos documentos, são citadas as empresas Selt e Twenty, de serviços e estruturas de locações temporárias, comandadas por Felipe Bismara. A Polícia Civil considera, ainda, participantes das negociações fraudulentas o irmão de Bismara, Antônio Tadeu Bismara, e os sócios, Jaqueline Bismara, Mauro Scheer e Vanessa Scheer. 
Todos os citados no relatório foram intimados e terão de ir à Delegacia Seccional entre hoje e segunda-feira (7) para serem indiciados formalmente. Todos os envolvidos negam irregularidades desde o começo das investigações. Ontem, Crespo postou em suas redes sociais uma mensagem garantindo ser inocente das acusações contra ele. Ele fez o pronunciamento após a divulgação dos nomes suspeitos que estão sendo indiciados.
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