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<< Sorocaba recebe segunda edição do Sesc Jazz no final de outubro

Publicada em 02/10/2019 às 19:42
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(Foto: Divulgação)
Sorocaba está entre as pouquíssimas cidades do Interior de São Paulo escolhidas para, como já aconteceu no ano passado, receber algumas das muitas atrações nacionais e internacionais da aguardada segunda edição do Sesc Jazz, versão 2019. Com uma programação intensa ao longo de três semanas, entre os dias 8 e 27 de outubro, o festival possibilitará ao público ter acesso, assim, a uma ampla e diversa produção do gênero existente no Brasil e no Exterior. No Sesc Sorocaba, no Jardim Faculdade, essa programação será desenvolvida mais no final do mês, entre os dias 24 e 27.  
No total, a s unidades Sesc Pompeia/São Paulo, Guarulhos, Santos, Araraquara, Bauru, Jundiaí, Piracicaba e Ribeirão Preto, além de Sorocaba receberão 81 apresentações de 26 artistas diferentes, de quatro continentes, originários de 12 países: Brasil, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Hungria, Inglaterra, Israel, Nigéria, Noruega, Suíça e Tunísia. Esta diversidade é, aliás, uma das principais características do Sesc Jazz, que busca reunir músicos de fora dos eixos tradicionais do gênero. O público poderá ter contato com as distintas vertentes da produção atual do jazz, apresentando um conceito expandido, que abrange estilos como R&B, blues e soul music, além de outros normalmente não associados ao gênero, como flamenco, música eletrônica, hip-hop e até o ritmo de origem judaica klezmer. Segundo o diretor do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, “o Sesc Jazz busca linguagens experimentais, referências geográficas periféricas, artistas promissores, mas ainda pouco conhecidos, bem como a obra de musicistas mulheres, muitas vezes excluídas no âmbito das expressões instrumentais”. E complementa: “A programação pretende explorar as mutações, mesclas e cruzamentos possibilitados pela liberdade característica à criação jazzística, tratada também enquanto transmissão de experiências nas atividades formativas contempladas pelo projeto”.
 
EM SOROCABA – Em Sorocaba, a primeira atração do Sesc Jazz’2019 virá da Suíça, com Marc Perrenoud Trio, na quinta-feira (24), às 20 horas. O trio do pianista suíço Marc Perrenoud apresenta em primeira mão composições de seu quinto álbum, ainda sem título, trazendo também em sua formação o baixista alemão Marco Müller e o baterista suíço Cyril Regamey. Tem um repertório eclético: suas influências vão desde o trompetista norte-americano Chet Baker e o pianista canadense Oscar Peterson, passando pelo pianista e compositor russo Igor Stravinsky e o francês Maurice Ravel e chegando até a banda inglesa de trip hop Massive Attack. 
No mesmo dia inaugural do festival no Sesc local, apresenta-se, às 22 horas, o brasileiro Maurício Einhorn. Aos 87 anos, é um dos gaitistas mais importantes do Brasil. Já tocou com Toots Thielemans, um dos melhores do mundo na gaita, e artistas como Sarah Vaughan e Nina Simone. Integrou a cena musical que criou a Bossa Nova e compôs clássicos como "Batida Diferente" (com Durval Ferreira) e "Alvorada", com Arnaldo Costa e Lula Freire. Com ele, sobem ao palco Natan Gomes (piano), Luís Alves (baixo) e João Cortez (bateria). 
 Na sexta-feira (25), mais uma atração brasileira abre a noite, às 20 horas: Jonathan Ferr, representante do afrofuturismo no País e pianista que ultrapassa fronteiras do jazz com influências eletrônicas e timbres de voz robóticos. Alinhado ao jazz moderno, o pianista carioca explora as fronteiras do gênero com o broken beat e outros estilos eletrônicos e faz a ligação da música com política e espiritualidade, seguindo a trilha de músicos norte-americanos como Alice Coltrane, John Coltrane e Sun Ra. Além de Jonathan Ferr (voz e piano), o grupo traz Facundo Estefanell (baixo), Caio Oica (bateria) e Alex Sá (saxofone). 
Em seguida, às 22 horas, será a vez da experimentação e improviso do norte-americano Loonie Holley, que costuma declamar poesia sobre bases instrumentais inusitadas. Cantor e tecladista, também é escultor, desenhista, fotógrafo e por aí vai. O resultado dessa conjunção de habilidades pode ser visto em álbuns como "Just Before Music" (2012), em que declama sua poesia de cunho político, espiritual e humanístico. Em "The End of Film Era", por exemplo, seus vocais se desenrolam por cima do barulho contínuo de um rolo de filme rodando em um projetor. Acompanham-no Dave Nelson (trombone, sintetizador e estação de loopings) e Marlon Patton (bateria e sintetizador de baixos).
Sábado (26), tem Nélson Ayres Big Band (Brasil – São Paulo) às 19 horas, mostrando a mistura de música brasileira com jazz, incluindo em seu repertório composições de Gilberto Gil e Tom Jobim, entre outros. Um dos artistas mais conceituados da música instrumental brasileira, aos 72 anos o pianista, compositor e maestro contabiliza uma série de parcerias com artistas estrangeiros e nacionais – de Dizzy Gillespie a Vinicius de Moraes –, além da regência por uma década da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo e também de diversas outras igualmente prestigiosas, como a Orquestra Filarmônica de Israel. A mistura de música brasileira com jazz virou a marca da banda, que vai tocar no Sesc Jazz algumas composições que fazem parte da sua história, como "Meio de Campo", de Gilberto Gil, com arranjo de Ayres; "Corcovado", de Tom Jobim, e "Organdi e Gomalina", do próprio maestro. 
Às 21 horas ainda do sábado (26), tem, de baquetas em punho, a cubana Yissy García dando ritmo a seu quinteto Bandancha, que faz a alquimia entre sonoridades caribenhas, jazz e elementos eletrônicos. E no domingo (27), fechando o ciclo, às 19 horas, em formação inédita Women's Improvising Group, com integrantes de vários países e trazendo de volta seu jazz experimental criado para enfrentar um lineup só com homens em festival londrino dos anos 70. O jazz experimental do Women's Improvising Group marcou época. O grupo foi criado em 1977 em Londres, em resposta ao lineup do festival Music in Socialism, que só tinha bandas formadas por homens. Incomodada, a escocesa Maggie Nicols convocou outras mulheres e, assim, nasceu uma das primeiras formações femininas de improviso no jazz de que se tem notícia.
 
SERVIÇO – Os ingressos para os shows custam R$ 15 (Credencial Plena - Trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes), R$ 25 (meia entrada para aposentado, pessoa com mais de 60 anos ou com deficiência e acompanhante, ID Jovem, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 50 (inteira), sempre com validade para as duas apresentações da noite. Exceto para o espetáculo do domingo (27), cujos ingressos custarão, respectivamente, R$ 40, R$ 20 e R$ 12. Já à venda pelo portal do Sesc São Paulo na Internet e também na Central de Atendimento do próprio Sesc Sorocaba, à rua Barão de Piratininga, 555 – Jardim Faculdade.
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