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Diário de Sorocaba

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<< Comportamento e momento de crise reduzem interesse de jovens em dirigir De um total de pessoas entre 26 e 35 anos, 39% possuem carro

Publicada em 03/05/2019 às 22:48
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(Foto: Agência Brasil)
Símbolo de maturidade, status e autonomia desde que chegou ao Brasil em 1891, o automóvel vem perdendo espaço entre os mais jovens. Identificado pelos governos, setor automotivo e por autoescolas, o crescente desinteresse dos jovens tem diversas causas. Entre os principais motivos apontados estão a crise econômica, os inconvenientes do trânsito, os custos para manter um veículo próprio e a popularização de aplicativos móveis. “Muitos jovens não consideram mais a CNH uma prioridade”, disse o presidente da Federação Nacional das Autoescolas e Centro de Formação de Condutores, Wagner Prado. 
Também presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Mato Grosso do Sul, Prado afirma que o fenômeno intensificou-se a partir de 2015, com o agravamento da crise econômica e o acesso aos serviços de aplicativos de transporte pago ou compartilhado. “Muitos jovens estão adiando o momento de tirar a habilitação. As famílias têm optado por investir em outras coisas, como em cursos universitários para esses jovens. Com isso, muitos acabam desistindo de tirar suas carteiras”, comentou Prado.
“Antes, tudo que um garoto queria era completar 18 anos para poder dirigir o próprio carro. Hoje, eles veem os custos com IPVA, manutenção, seguro; o trânsito nas cidades; têm mais consciência sobre os riscos de acidentes. Somando a isso, aspectos como a Lei Seca, muitos acabam optando por outras formas de se deslocar, como os aplicativos de compartilhamento”, explicou o presidente. A universitária Aghata Ingridi de Sousa Sampaio, 22 anos, é um exemplo dos que dizem não ter interesse em tirar a primeira habilitação. 
“Quando eu estava prestes a completar 18 anos, meu pai ofereceu-se para pagar a autoescola. Só que eu me mudei para Foz do Iguaçu (PR) para fazer faculdade. Como eu morava perto do campus, ia às aulas de bicicleta. Fora isso, a cidade não é tão grande e o transporte público lá funciona relativamente bem. Então, quando eu precisava, apanhava um ônibus”, contou Aghata. A jovem continua preferindo deslocar-se de carona ou de ônibus entre sua casa e a universidade. Um percurso de cerca de 60 quilômetros que, considerando ida e volta, consome, em média, duas horas e meia de seu dia.
“Não quero ter carro para não expor outras pessoas a riscos, expor-me a engarrafamentos, ter de pagar todas as despesas. Também acho que é uma questão de consciência. Depender do transporte público pode ser cansativo, mas acho mais cômodo andar de ônibus que dirigir no trânsito. Principalmente quando você consegue um assento para viajar sentado em um ônibus que não esteja completamente lotado – o que depende muito dos horários”, comentou a estudante. Para a jovem, a falta de qualidade do transporte público motiva as pessoas a recorrer ao carro ou à moto particular como uma solução cômoda. 
 
 
MUDANÇA GRADUAL - De acordo com o presidente da Federação Nacional das Autoescolas e Centro de Formação de Condutores, Wagner Prado, exemplos como o de Aghata são cada vez mais comuns. “Isso ajuda a diminuir ainda mais a procura por aulas, derrubando a margem de faturamento e forçando muitas autoescolas a reduzirem o número de funcionários e a frota de veículos”, disse ele, mesmo dono de um centro de formação de condutores. “Por esse e outros motivos, as autoescolas vivem um momento de incertezas”, admitiu Prado.
Em nota, a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Economia, do Ministério da Economia, informou que vê como uma tendência para os próximos cinco anos a diminuição do interesse pela propriedade de automóveis e o aumento da procura por compartilhamento de veículos e uso de soluções alternativas, como bicicletas e patinetes. E que, ao fim deste prazo, o assunto pode ser tema da primeira revisão do Programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística, a política industrial para o setor automotivo, que entrou em vigor em dezembro do ano passado, com previsão de vigorar até 2030.
 
 
PESQUISA - Uma recente pesquisa analisou a relação das diferentes gerações com a mobilidade. Apresentado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) em novembro de 2018, o estudo contempla os resultados das entrevistas com 1.789 pessoas de 11 capitais, como Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Na ocasião da divulgação, o então presidente da Anfavea, Antônio Megale, classificou os resultados como “surpreendentes”.
Apenas 39% dos entrevistados entre 26 e 35 anos possuíam carro. O percentual entre os jovens de até 25 anos era ainda menor, 23%. Entre os do primeiro grupo, 31% responderam não desejar comprar um carro nos próximos cinco anos. Percentual idêntico ao dos entrevistados com 36 a 55 anos de idade. Já entre os mais jovens (até 25 anos), 30% não tinham interesse em adquirir um veículo automotivo. Somente 35% da geração mais nova têm habilitação para dirigir, e 8% dos que não têm CNH disseram que não pretendiam tirar o documento. O que pode ser explicado pelo fato de que saber dirigir sempre foi visto como uma habilidade capaz de ampliar as chances de conseguir um emprego.
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