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<< SAÚDE Procedimentos estéticos exigem série de avaliações pelo paciente Cuidados com intervenções médicas vão desde escolha do profissional a local de atendimento

Publicada em 08/11/2018 às 18:07
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(Foto: Divulgação)
Com a repercussão recente de mortes em procedimentos estéticos clandestinos, envolvendo falsos médicos, cresce a necessidade de pesquisas, conhecimento e análises, principalmente em relação à qualificação do profissional.
 
A médica cirurgiã plástica, Mariana Freire, explica que primeiramente, antes mesmo de uma consulta, o paciente deve saber se o profissional é membro especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP Nacional), pois o médico deve contar com um registro no CRM. “Pode-se consultar o CRM, o site do Conselho Regional de Medicina do Estado em que ele atua ou, ainda, o site da SBCP para saber se o especialista é habilitado pelo seu Conselho”, orienta, frisando que o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) também deve ser observado. “Isso é algo importante a se perguntar, principalmente da área da estética, onde encontramos alguns que não têm o devido preparo.”
 
Mariana ressalta ser uma profissional que preza pelas redes sociais devido à aproximação com os pacientes, facilitando o acesso à informação, contudo ela destaca que essa ferramenta não pode ser usada para ilusões, levando-se em conta o grande número de seguidores ou até mesmo mostrando o “antes e depois” de pacientes. “São ações que contrariam o Código de Ética Médica e dão sinais para desconfianças. As regras são para serem cumpridas”, comenta fazendo menção à resolução nº 1.974/2011 do Conselho Federal de Medicina, em que proíbe a divulgação de fotos do “antes e depois” de uma cirurgia plástica, porque pode levar o paciente a uma inferência falsa ou ilusória quanto ao resultado final que se espera.
 
Outro ponto que a cirurgiã plástica enfatiza é que o Conselho Regional de Medicina não permite ao profissional a divulgação de valores sem que o paciente tenha passado por uma consulta. “Não se pode publicar o preço de um procedimento, apenas após uma consulta médica e somente ao paciente.” Ela chama a atenção, ainda, ao fato de que nenhuma intervenção está isenta de complicações, o que muitas vezes não é divulgado por clandestinos. “Quando estudamos, fazemos mais um tempo de especialização, e existe um motivo para esse tempo de preparo. Por isso, é fundamental saber se o profissional, além de qualificado, saberá conduzir o procedimento em casos de complicações.”
 
A médica comenta que o local em que o atendimento acontece tem de ser levado em conta. “Deve ser em uma clínica devidamente habilitada ou hospitais. Jamais cirurgias devem ser feitas em apartamentos e residências, já que equipamentos cirúrgicos exigem maiores complexidades, devido ao risco. Por isso, apenas podem ser feitos em ambientes hospitalares, onde o paciente tenha total suporte em qualquer intercorrência.”
 
A possibilidade de consultas a distância também é descartada quando o assunto é intervenção estética. Mariana explica que os Conselhos proíbem essa prática. “O que podemos fazer é orientar sobre determinados assuntos, temas, e tirar dúvidas de forma mais ampla, mas não como uma consulta médica. Isso é vedado ao médico.”
 
Ela conclui que o profissional deve trabalhar com seu paciente como um todo, observando inclusive a questão emocional, pois a decisão por uma cirurgia estética pode estar associada apenas a um período. “Temos de extrair da pessoa se realmente a opção pelo procedimento é um desejo dele ou se é um momento em que ele estava passando por inseguranças e tomou decisões intempestivas”, pondera, aconselhando que qualquer irregularidade deve ser informada ao Conselho Regional de Medicina ou à sociedades brasileiras de Cirurgia Plástica e Dermatologia.
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