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<< SOROCABA ORQUIDOFILIA: amor em forma de flor

Publicada em 14/09/2018 às 18:39
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(Foto: Germano Schonfelder)
Os médicos, pacientes e estudantes principalmente de Medicina que passam apressados, nervosos ou distraídos pelos arredores do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) mal imaginam que, perto dali, um terreno repleto de orquídeas traz beleza dentro praticamente da região central da cidade, no bairro do Vergueiro. Há aproximadamente quatro décadas, o publicitário aposentado José Estevam Camargo de Almeida, 80 anos, apaixonou-se pela flor e tornou-se um orquidófilo – atividade que exerce com prazer diretamente no jardim da própria casa.
 
Zezinho, como é mais conhecido, conta que começou a se interessar por orquídeas ao frequentar, ainda na década de 1970, uma padaria na rua da Penha. “O dono deixava as flores no balcão e eu ficava maravilhado”, lembra. Com o interesse, ele diz que ganhou muitas mudas de amigos e, fanático, gastou bastante dinheiro na compra das espécies que queria. “A gente fala que começa ‘orquibobo’, depois vira ‘orquitonto’ e ‘orquidiota’”, brinca. “Porque você não entende nada e quer comprar tudo”.
 
No começo, as orquídeas foram agrupadas em sua casa, no bairro do Vergueiro; logo, o espaço ficou pequeno. “Então, comprei o terreno ao lado e fiz um orquidário”, explica. Atualmente, são cerca de 500 espécies em vasos e árvores, em diversos formatos e cores. “Perto do que meus companheiros têm, isto aqui não é nada”, revela, porém, o orquidófilo. “Mas não quero mais que isso, senão perco o controle”.
 
PREMIAÇÕES – Membro do Círculo Orquidófilo Sorocabano desde 1980, José Estevam já perdeu as contas de quantos prêmios ganhou em exposições de orquídeas pelo Brasil afora. “De destaque mesmo foram uns 15”, lembra.
 
Segundo o orquidófilo, ao mandar a planta para uma exposição, ela será julgada por pessoas que levarão em consideração diversos aspectos, como textura, tamanho, quantidade e forma – este último, um dos principais pontos. “O estado fitossanitário também tem de ser perfeito. Ou seja, não pode ter mancha, nem praga”, explica. “É preciso ter cuidado, pois a planta é um ser vivo assim como nós”.
 
Orgulhoso, Zezinho mostra as orquídeas premiadas em anos anteriores – mas que, agora, não estão boas o suficiente para competirem. “Planta é assim; um ano dá muito, no outro não dá nada”, diz. “Cada uma floresce em uma época, então é preciso ter muitas plantas para que uma ou outra tenha flor na época em que queremos”.
 
CUIDADOS – Por outro lado, José Estevam acredita que, em seu orquidário, as plantas têm o que precisam para viverem bem. Diariamente, ele confere se as orquídeas precisam de algo. Embora as atividades diminuam no Inverno, uma vez que as orquídeas assim preferem, os cuidados efetivos voltam agora, com a chegada da Primavera.
 
“Todo dia estou aqui um pouquinho; replanto, troco substrato, molho ou corto folhas ruins”, explica, apontando que orquídeas aproveitam a umidade do ar, precisam de luz natural e gostam de ficar em vasos adequados ao tamanho em que se encontram.
 
CURIOSIDADES – Imerso nas plantas de seu orquidário, o colecionador revela também diversas curiosidades sobre sua flor favorita. A primeira fala já quebra um senso comum de que as orquídeas são parasitas. “A maioria é epífita, ou seja, vivem grudadas no tronco de árvores. Mas não são parasitas, pois não utilizam nada dela; são apenas o suporte”, afirma.
 
De acordo com José Estevam, que gosta também de estudar sobre o assunto, existem 35 mil espécies de orquídeas espalhadas pelos quatro cantos do Planeta. O país com maior variedade é a Colômbia, seguido de perto pelo Brasil. “E a maioria não está na Floresta Amazônica e sim na Mata Atlântica”, observa. “A vizinha cidade de Tapiraí tem muitas e já fomos atrás delas muitas vezes só para ver onde estão – pois não podemos pegar”.
 
Zezinho ainda pontua que a beleza da orquídea não tem o objetivo de atrair o homem, mas sim aquele que pode ajudar na perpetuação da espécie. “A maioria tem perfumes para atração de um determinado agente polinizador que atuará na fecundação”, esclarece, acrescentando, por outro lado, que muitas orquídeas são hermafroditas, mas dependem de abelhas, moscas e borboletas, por exemplo, para que sejam atraídas pelas flores e ajudem o pólen a entrar em contato com o ovário. “Quando há polinização, a flor murcha imediatamente, pois ela já foi fecundada. Senão, ela vai atrair outro inseto que pode prejudicar o que o primeiro já fez”, conta.
 
Na natureza, as sementes de orquídea que se espalham têm dificuldade de germinarem, pois dependem da simbiose com um fungo que nem sempre está presente. Por isso, conta também, admira o trabalho de cientistas que conseguem germinar plantas em laboratório e até mesmo fazer cruzamento entre espécies ou clonagem.
 
DICAS – José Estevam vê crescer o interesse por orquídeas nas redes sociais, com grupos especializados em constante conversa a respeito, e até mesmo nas reuniões do Círculo Orquidófilo Sorocabano, das quais já chegaram a participar mais de 100 pessoas.
 
Para os iniciantes na Orquidofilia, Zezinho tem algumas dicas: ter um ambiente adequado de acordo com a espécie que adquirir; plantar a muda de orquídea em um vaso proporcional ao que ela precisa; garantir boa umidade do ar; e gerenciar o quanto de luz solar a planta vai receber. “Às vezes, a pessoa vai comprar uma orquídea e acha caro, mas tem que levar em consideração os cuidados que levam até ela chegar naquele ponto”, comenta. “Cada uma tem necessidade diferente da outra e, se você quer ser orquidófilo, deve fazer a experiência para descobri-las”.
 
Os interessados podem participar gratuitamente das reuniões do Círculo Orquidófilo Sorocabano, todo terceiro domingo do mês, das 9 às 12 horas, no Jardim Botânico “Irmãos Villas-Bôas”, situado ao número 340 da rua Miguel Montoro Lozano, no Jardim Dois Corações. Para mais informações, basta acessar o site www.orquideascorocaba.com.br.
 
 
46ª Exposição embeleza a cidade neste fim de semana
 
A 46ª Exposição de Orquídeas de Sorocaba promete deixar a cidade mais bonita neste fim de semana. Até domingo (16), o público poderá admirar as aproximadamente mil orquídeas expostas no evento anual organizado há quase meio século pelo Círculo Orquidófilo Sorocabano e comprar os milhares de exemplares colocados à disposição do público interessado em `stands´ específicos.
 
Participantes de mais de 30 cidades de São Paulo e Minas Gerais se fazem presentes na mostra aberta oficialmente na noite desta sexta-feira (14), no ginásio do Centro Poli-Esportivo do Sesi, no bairro do Mangal, na rua Duque de Caxias. São esperados mais de 6 mil visitantes entre hoje e amanhã. 
 
O evento é tradicionalmente conhecido por oferecer a oportunidade de se ver orquídeas de coleções e algumas raridades até centenárias, tudo com uma grande variedade de cores, perfumes e tamanhos. Instrutores do Círculo Orquidófilo local vão, inclusive, ministrar oficinas gratuitas neste sábado (15), às 10h30 e 16 horas, e no domingo (16), às 10h30. Orquídeas floridas serão sorteadas às 10 e 15 horas de hoje e às 10 horas de amanhã, domingo. A banda Escalafobéticos, cuja proposta é proporcionar experiências sonoras a partir de instrumentos musicais não convencionais, se apresentará no domingo, às 11 horas.
 
SERVIÇO - A 46ª Exposição de Orquídeas de Sorocaba está sendo realizada no Sesi, à rua Duque de Caxias, 494, no bairro do Mangal. A entrada é gratuita e a abertura do evento é às 9 horas; neste sábado, vai até às 18 e, no domingo, até às 17 horas. Para mais informações, o Círculo Orquidófilo Sorocabano pode ser contatado pelo telefone (15)3221.1641.
 
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