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<< SOROCABA Santa Casa precisa de RS 8,5 milhões por mês

Publicada em 13/09/2018 às 18:02
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Completando um ano à frente da Santa Casa de Misericórdia, os gestores da Irmandade que administra o hospital, presidida pelo padre Flávio Jorge Miguel Júnior, acompanhado do arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, SAC, estiveram nesta quinta-feira (13), na Câmara Municipal, prestando contas de seu primeiro ano à frente da instituição. 
 
“Alguns locais, como a terra onde Jesus viveu e onde São Paulo pregou, são considerados santuários, assim como outros locais, como o Santuário de Aparecida. A Santa Casa de Misericórdia é também uma forma de santuário, feito para acolher os pobres e sofredores, um santuário do sofrimento humano não para perpetuá-lo, mas para dar alívio a ele”, afirmou o arcebispo, enfatizando que o objetivo da Irmandade que administra o hospital é fazer com que a Santa Casa seja “cada vez mais santa”, levando os doentes a se curarem de suas doenças, além de transformá-los interiormente.
 
“Não está sendo fácil. Recebemos a Santa Casa com muitos problemas e ainda há vários fatores que nos impedem de fazer o que gostaríamos de fazer”, acentuou, de sua parte, o padre Flávio Júnior já no início de sua prestação de contas. Para afastar qualquer suspeita de que exista excesso de funcionários ou indicação política para os cargos da Santa Casa, entregou aos vereadores uma lista com o nome de cada um dos 831 funcionários da Santa Casa, bem como a folha de pagamento por equipes que trabalham no hospital, desde a enfermagem até o pessoal da limpeza, passando também pelo Corpo Médico. A Santa Casa conta, por exemplo, com 458 enfermeiros, número considerado deficitário, com um salário médio mensal de R$ 2.819. No total, o hospital gasta cerca de R$ 2,5 milhões com o pagamento de seus funcionários, valor que sobe para R$ 3,2 milhões com os custos trabalhistas. Porém, há um déficit de 84 enfermeiros e 20 técnicos de Enfermagem que, para ser sanado, necessitaria de investimento de cerca de R$ 300 mil mensais.
 
CUSTOS MÉDICOS – Também foi apresentada a média salarial de cada equipe médica que atua na Santa Casa, bem como os valores pagos às empresas prestadoras de serviços ao hospital, em áreas como exames laboratoriais e de imagem. “O gasto total com serviços médicos da Santa Casa é de R$ 3,2 milhões, com um total de 331 médicos que trabalham de forma direta ou indireta. Tem médico que ganha R$ 9 mil, tem médico que ganha R$ 30 mil, se ele dá mais plantões e atende mais especialidade. Mas esses números apresentados variam mês a mês”, afirmou o gestor, observando que a folha de pagamentos representa 80% do custo da Santa Casa. 
Padre Flávio Júnior terminou a apresentação agradecendo a Câmara Municipal, na pessoa do presidente Rodrigo Manga (DEM) e demais vereadores, bem como ao prefeito José Crespo, pelo envio recente de verba de R$ 1,6 milhão que possibilitou o pagamento do décimo-terceiro salário dos funcionários.
 
O custo médio da Santa Casa, hoje, é de R$ 8,5 milhões por mês. Dos cerca de R$ 7 milhões recebidos pela entidade, o Município arca com o maior aporte de recursos: R$ 4,7 milhões. Já o Estado entra com R$ 641 mil e o governo federal envia R$ 1,7 milhão por mês. No ano, a Prefeitura envia R$ 56 milhões para a Santa Casa; o Estado, 7,5 milhões, e o governo federal, 20 milhões. “Para se manter, a Santa Casa precisa de R$ 8,5 milhões mensalmente. Se não fosse o repasse da Câmara de Vereadores, com aprovação do prefeito José Crespo, a Santa Casa teria quebrado”, afirmou ainda o padre Flávio, enfatizando que a verba enviada pelo Legislativo foi fundamental para que a população tivesse 15 leitos a mais durante o crescimento dos casos de gripe na cidade.
 
EMPENHO DA CÂMARA E REPASSES DEFASADOS – O presidente da Câmara, vereador Rodrigo Manga, elogiando a presença dos gestores na Casa para prestação de contas, lamentou que o repasse de recursos do governo federal para a média e alta complexidade em Sorocaba esteja defasado há dez anos, como afirmou o padre Flávio, e adiantou que o Legislativo, além dos recursos que já enviou à Santa Casa, está empenhado em economizar ainda mais para mandar mais recursos para o hospital, tendo, inclusive, lançado a Campanha “A Santa Casa é Nossa”, que tem como meta angariar R$ 12 milhões de recursos para o hospital.
 
Por outro lado, respondendo a uma indagação da vereadora Iara Bernardi (PT), o padre Flávio disse que o hospital tem a receber da Prefeitura cerca de R$ 10 milhões, ainda da administração passada, uma vez que a gestão do prefeito José Crespo está com os repasses para o hospital em dia. Já o vereador Luís Santos (Pros) cobrou de instituições como o Ministério Público e o Judiciário que “corram atrás do rombo entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões da gestão anterior da Santa Casa e que, se recuperado, poderia ajudar muito a entidade”. Irineu Toledo (PRB), por sua vez, indagou sobre possíveis doações privadas e defendeu que a Santa Casa também ofereça atendimento particular “para que, com o dinheiro arrecadado dos ricos, possa custear o atendimento dos pobres”. O padre Flávio disse que a Santa Casa tem recebido doações de empresários; quanto ao atendimento privado, disse que hoje não é possível, pois, para isso, a Santa Casa precisaria de mais leitos.
 
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