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Diário de Sorocaba

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<< SAÚDE Leishmaniose pode levar humanos e cães à morte Transmitida pelo mosquito-palha e considerada quase extinta, doença volta de forma agressiva em várias partes do mundo

Publicada em 04/09/2018 às 23:12
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(Foto: Agência Brasil)
Desconhecida por inúmeras pessoas, a Leishmaniose, que acomete animais e seres humanos, é uma doença classificada entre as seis endemias prioritárias no mundo, de acordo com o Ministério da Saúde, e a segunda parasitária que mais leva cães e humanos a óbito.
 
Mesmo sendo conhecida há décadas, a doença ainda é tida como nova para a maioria da população, o que vem gerando inúmeras dúvidas e mitos, inclusive quanto à sua proliferação.
 
A transmissão da doença só ocorre através da picada do mosquito Lutzomyia longipalpis infectado, popularmente conhecido como “mosquito-palha” ou “mosquito-pólvora”, presente em regiões quentes e úmidas.
 
Desde 2012, a cidade de Sorocaba registra casos de Leishmaniose Visceral canina, sem ter sido diagnosticada em humanos até o começo deste ano. De acordo com dados da Secretaria de Saúde de Votorantim, região de Sorocaba, de janeiro a julho, oito casos da doença foram notificados no município, sendo dois em humanos.
 
Em 2016, no Estado de São Paulo, foram 144 casos de Leishmaniose Visceral, com nove mortes, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Mais de 90% dos casos aconteceram em regiões oeste e noroeste do Estado.
 
O médico veterinário Adelmo Guilhoto Miguel ressalta que a Leishmaniose é uma doença muito antiga e integra o grupo das emergentes, ou seja, aquelas que estavam quase extintas e voltaram de forma agressiva em diversas partes do mundo. “Ela também é conhecida popularmente como úlcera de Bauru, por causa das lesões de pele, características da doença”, explica, frisando a necessidade de se combater o mosquito transmissor.
 
Adelmo elenca que o animal infectado apresenta os seguintes sintomas: emagrecimento agudo, lesões de pele ulceradas, anemia, aumento de volume abdominal e onicogrifose, que é o crescimento exagerado das unhas. O médico veterinário destaca que não há cura para o cão vítima da Leishmaniose. “Os animais contaminados permanecem portadores da doença e podem transmitir para outros cães e humanos através da picada do mosquito-palha”, salienta, reforçando que os exames que detectam essa doença são exames laboratoriais específicos como os de PCR, ELISA e IFI. “Por se tratar de algo grave e de prognóstico ruim, sempre se recomenda mais de uma metodologia de exame para confirmar a doença. As clínicas possuem testes rápidos de imunocromatografia semelhante aos testes de gravidez para humanos. O resultado fica pronto em 20 minutos, com um grau de confiabilidade alto.” Contudo o veterinário frisa ser claro com os tutores do cão portador da doença. “Conversamos sobre a possibilidade de um tratamento paliativo e também a eutanásia do pet.”
 
Assim, para a prevenção, recomendam-se coleiras repelentes, telas nas portas e janelas da casa, repelentes tópicos, inseticidas de tomadas e evitar o acúmulo de matéria orgânica, como fezes de animais e lixo orgânico, já que o mosquito se reproduz nesse tipo de material. Adelmo destaca, ainda, que existem vacinas no mercado com altas taxas de eficiência. “Para combater algo grave como a leishmaniose temos que utilizar todos os recursos disponíveis”, completa.
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