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Diário de Sorocaba





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<< SOROCABA Saga de Baltazar Fernandes completa 364 anos espalhando sorocabanos pelo mundo todo

Publicada em 14/08/2018 às 18:08
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(Foto: Divulgação)
Quem viaja a trabalho ou turismo e lazer facilmente encontra por várias partes do Brasil e também dos cinco continentes deste Planeta chamado Terra conterrâneos sorocabanos, designação dada àquele que nasceu ou mesmo recebeu esse adjetivo por adoção por ter vivido por muito ou pouco tempo em Sorocaba (que na linguagem tupi-guarani significa `terra rasgada´- ou ainda `terra de vossorocas´, terra fendida ou rachada), nome escolhido pelo bandeirante Baltazar Fernandes ao iniciar um novo povoamento nas terras que lhe pertenciam por herança familiar além do local denominado Apotribu, mais exatamente a três léguas e meia do Morro do Araçoyaba (mais conhecido popularmente hoje como Morro de Ipanema). E neste 15 de agosto de 2018 comemora-se, assim, o 364º aniversário de fundação de Sorocaba ou do Povoado e depois Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Não porque a cidade foi fundada exatamente neste dia em 1654, mas porque foi em fins daquele ano que estudos históricos apontam que “o capitão Baltazar Fernandes, já tendo construído casa e capela” aqui fixou-se com sua família e agregados, inclusive grande número de escravos, procedentes de Santana de Parnaíba, vila fundada, aliás, décadas antes, em 1580, pelo seu irmão mais velho André Fernandes e a mãe Suzana Dias.
 
Até o início dos anos 50 do século passado, Sorocaba comemorava seu aniversário de fundação, equivocadamente por sinal, a 3 de março, única data até então plausível e aceita historicamente, numa referência à lei assinada a 3 de março de 1661 em São Paulo, pelo governador-geral do Rio de Janeiro e das Capitanias do Sul, Salvador Corrêa de Sá y Benevides, atendendo a pedido de Baltazar Fernandes, autorizando a elevação à categoria de Vila do povoado que iniciara em suas terras, com a transferência do pelourinho instalado a algumas léguas daqui em 1611 por seu antecessor dom Francisco de Souza, reconhecendo a Vila de São Felipe do Itavuvu – que como a anterior Vila de Nossa Senhora do Monte Serrat, junto ao Morro do Araçoyaba, em fins do século XVI, também não prosperara por causa, sobretudo, dos frequentes ataques indígenas. Porém, análises históricas à época permitiram concluir-se que o Povoado passara a ganhar vida própria, isto sim, `em fins de 1654´, com a fixação de residência pelo fundador e chegada de seus familiares e comitiva. Mesmo porque o próprio documento firmado pelo governador Salvador Corrêa, reconhecendo a existência da Vila, destaca textualmente: “Diz o capitão Baltazar Fernandes, morador da nova Povoação de Sorocaba, Vila de Nossa Senhora da Ponte, que ele como povoador, em nome dos mais moradores, trata de levantar pelourinho...”. “O Ouvidor desta Capitania faça averiguação do conteúdo na petição e da quantidade dos moradores casados que há nesta Povoação e de tudo me informe, para poder deferir o foral”... 
 
Assim, a fixação do ano de fundação de Sorocaba às vésperas da comemoração de seu terceiro centenário em 1954, também levou autoridades, pesquisadores e historiadores da época, tendo à frente a insigne figura de monsenhor Luiz Castanho de Almeida, nosso historiador-mór que escrevia sob o pseudônimo de Aluísio de Almeida, a escolher a data simbólica de 15 de agosto para celebrar, anualmente, o aniversário de fundação da cidade. Simbólica até certo ponto, visto que, na realidade, com a proclamação pelo papa Pio XII, a 1º de novembro de 1950, do dogma mariano da Assunção aos Céus de Maria Santíssima, a Mãe de Deus, em corpo e alma, a solenidade litúrgica em honra da Padroeira, Nossa Senhora da Ponte, passara a ser festejada na data da Festa da Assunção, juntamente com outros títulos históricos em honra da Virgem, antes assinalados no calendário a 21 de novembro, data de outra solenidade mariana, a Apresentação de Maria Menina no Templo, quando inclusive por alguns anos também chegou a ser comemorado o aniversário de Sorocaba.
 
DO PEABIRU DOS ÍNDIOS À CHEGADA DO HOMEM BRANCO - Embora o Povoado de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba só tenha se consolidado como tal em fins de 1954, os primórdios da história da região de Sorocaba perdem-se no tempo. O certo é que, muito antes do descobrimento do Brasil a 22 de abril de 1500 pela esquadra do português Pedro Álvares Cabral, indígenas nativos habitavam a região onde hoje acha-se localizada Sorocaba ou, pelo menos, atravessavam periodicamente o seu território. Historicamente comprovado, sabe-se, inclusive, que pela região passava o chamado `peabiru´, a linha imaginária que interligava o mar, o Oceano Atlântico, ao profundo sertão e este ao Pacífico, do outro lado do continente americano, como que num `caminho dos índios´. 
 
Os primeiros brancos que surgiram na futura região de Sorocaba foram os integrantes de empreitada dos portugueses Afonso Sardinha, `o velho´, seu filho homônimo conhecido como `o moço´, e do técnico em minas Clemente Álvares Pereira, atraída pela lendária existência de ouro no interior do sertão paulista. O Morro de Araçoyaba era visto ao longe da Vila de São Paulo e, correndo a informação de que nos riachos e ribeirões de seus arredores existia muito ouro, não tiveram dúvidas em vir para a região e realizar ali as primeiras explorações. Assim, por volta de 1589, deixaram São Paulo, atravessaram Sorocaba (construindo até uma primitiva ponte sobre o rio Sorocaba, nas imediações da atual rua XV de Novembro) e alcançaram o Araçoyaba, bateando algum ouro que até o século passado ainda era encontrado, embora em pequena quantidade, em muitos rios e riachos secundários da região. Descobertas as minas, comunicaram à autoridade, mas parece que a Câmara da Vila de São Paulo demorou um pouco para enviar a notícia à Bahia. Somente em 1597 o governador-geral recebeu a notícia, que igualmente logo espalhou-se entre os aventureiros da região e passou a ser grande a corrida até ao Morro do Araçoyaba, em busca de maior riqueza. Até o governador-geral das Capitanias do Sul, dom Francisco de Souza, que estava em São Paulo, avisado que fora por Afonso Sardinha, vem para cá e, de certo entusiasmado com tudo, logo ordenou a ereção de pelourinho no lugarejo, elevando-o à categoria de Vila e colocando-o sob a proteção de Nossa Senhora de Monte Serrat. A decepção, contudo, veio logo: não existiam minas de ouro na região, apenas jazidas de ferro, sem nenhum valor à época; Afonso Sardinha, pai e filho, haviam se enganado. Os portugueses queriam era ouro mesmo.
 
Os poucos que ficaram, graças a terras que haviam recebido do governador-geral "para lavrar mantimentos", em virtude dos freqüentes ataques e saques de indígenas foram fugindo e procurando outras áreas férteis das redondezas, para se instalarem e para manterem a agricultura de subsistência. Foi em consequência dessa demanda que, certamente, surgiu o Itavuvu, o segundo reduto populacional branco que houve na primitiva região de Sorocaba, décadas antes da chegada do capitão Baltazar Fernandes. Corria o ano de 1611, então, quando seus moradores solicitaram ao mesmo dom Francisco de Souza, que já havia então retornado de sua viagem a Espanha, autorização para mudarem o pelourinho que por ele havia sido erigido anos antes na Vila de Nossa Senhora de Monte Serrat para lá, só que sob a denominação de Vila de São Felipe do Itavuvu, em homenagem ao rei da Espanha, que então reinava também sobre Portugal e suas colônias. Mas também essa povoação teve vida efêmera, por causa dos contínuos ataques dos indígenas, e os poucos que resistiram, com a chegada de Baltazar Fernandes quatro décadas depois, igualmente migraram para Sorocaba.
 
OS FERNANDES E A VINDA DE BALTAZAR A SOROCABA - As sesmarias de André Fernandes ao redor da Vila de Santana do Parnaíba foram decisivas para o povoamento de Sorocaba, com a doação de uma delas, pouco antes de sua morte, em 1648, ao seu irmão Baltazar - em 1617, outro irmão de Baltazar Fernandes, o Domingos Fernandes, já fundara o povoado de Itu. Com a morte do irmão, Baltazar aquietou-se e, como chefe natural de Santana do Parnaíba na ausência do irmão, se fez juiz, vereador, dono de terras, de moinho de trigo e de ferraria ou pequena fundição de ferro, seqüestrada em 1645. Em 14 de maio de 1653, o capitão Baltazar Fernandes ainda assinava como procurador de Santana do Parnaíba, na Câmara de São Vicente - sede de toda a Capitania -, composição amigável para a volta dos padres jesuítas - expulsos anos atrás de São Paulo e São Vicente -, juntamente com os representantes de outras vilas até então existentes na Capitania.
 
Já estava com a idade bastante avançada. Segundo os historiadores, por volta de 1648 Baltazar Fernandes aqui já teria aberto seus primeiros currais de gado.
 
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