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<< SOROCABA Em manifestação, igrejas de Sorocaba tocam sinos contra descriminalização do aborto Tema começa a ser discutido hoje no STF

Publicada em 03/08/2018 às 11:02
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(Foto: Arquivo/DS)
Os sinos das igrejas de Sorocaba, a começar pela Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Ponte e pelo Mosteiro de São Bento, no Centro, tocaram simultaneamente nesta quinta-feira (2), às 15 horas, como protesto contra a descriminalização do aborto – assunto que começa a ser debatido nesta sexta-feira (3) no Supremo Tribunal Federal. 
 
A mobilização nacional convocada pela Igreja Católica no Brasil foi aderida pela Arquidiocese de Sorocaba, com recomendação da própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A intenção era de que, ao ouvirem os sinos tocarem, as pessoas parassem por alguns instantes em oração pela vida. 
 
Pluralidade
 
“Este é um espaço de liberdade e estamos garantindo o princípio de pluralidade nesta audiência”, disse a presidente do STF, Cármen Lúcia, ao abrir a audiência com mais de 20 especialistas para defender e apresentar argumentos sobre diferentes posições a respeito da descriminalização do aborto até a décima segunda semana de gravidez. 
 
O tom do discurso da ministra, com apelo pela tolerância e respeito, também dominou a fala de outros ministros e autoridades que foram convidadas para acompanhar a discussão. “Todas as opiniões são dignas de serem ouvidas e acreditadas. Ainda que para depois divergir. Só é possível divergir se conhecer”, destacou Cármen Lúcia.
 
Relatora da ação que pede para que a interrupção da gravidez deixe de ser crime, a ministra Rosa Weber, que convocou a audiência, afirmou que a escolha dos mais de 40 participantes respeitou o princípio da pluralidade de pontos de vista.
 
“Falar de democracia constitucional sem compreender os valores fundamentais que a viabilizam é incidir em mera retórica e indesejáveis palavras vazias”, reforçou a ministra, ao defender que o conflito pode enriquecer o debate, sem que haja necessidade da violência de ordem física ou verbal. 
 
Debates 
 
Ao longo de toda esta sexta-feira (3), mais de 20 especialistas da área de saúde, cientistas e representantes de entidades de direitos humanos vão se revezar no plenário da 1ª Turma do STF apresentando diferentes posicionamentos e argumentos sobre o assunto. Na próxima segunda-feira (6), o debate será retomado com representantes religiosos e de entidades de direitos humanos.
 
Apenas depois dessas exposições a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, vai se manifestar sobre a descriminalização do aborto. Sem prazo pré-definido, a expectativa de assessores da Corte é de que o parecer seja entregue em até 10 dias.
 
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