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<< EDUCAÇÃO Estudante de Sorocaba apresenta trabalho na 70ª SBPC, em Maceió Evento de Ciência e Tecnologia atraiu pesquisadores e visitantes de todo o Brasil

Publicada em 28/07/2018 às 07:33
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(Foto: Arquivo pessoal)

Crachás com o nome das mais diversas instituições de ensino superior do País circularam pela 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 2018 sediada em Maceió, capital do Estado das Alagoas. Sorocaba também não deixou de marcar presença; três estudantes de graduação da Universidade de Sorocaba (Uniso) participaram do congresso na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A abertura foi no domingo (22) e o encerramento é neste sábado (28).

Representando a área das Ciências Sociais Aplicadas, a estudante de Jornalismo e estagiária no DIÁRIO Bruna Camargo foi selecionada pela Uniso para concorrer ao 15° Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica, da SBPC, após trabalho desenvolvido na Universidade entre 2016 e 2017. Considerado o melhor relatório final de pesquisa de sua área, Bruna inscreveu-se no congresso e ganhou passagem para Maceió.

PROJETO – “Foi uma surpresa receber o e-mail anunciando que eu havia sido selecionada”, relembra Bruna, que teve destaque com o trabalho “Mulheres do MMA: Uma análise comunicacional sobre gênero nas coberturas midiáticas do UFC”, orientado pela professora dra. Tarcyanie Cajueiro Santos, do Mestrado em Comunicação e Cultura da Uniso.

Bruna participa do Programa de Iniciação Científica da Universidade de Sorocaba, que incentiva os estudantes da Graduação e do Ensino Médio a despertarem o interesse pela pesquisa científica e darem um primeiro passo para a carreira acadêmica. “A principal pergunta é como eu tive a ideia de pesquisar o tema, mas não partiu de mim”, explica Bruna, que se inscreveu para participar do projeto ao ver o edital no site da Uniso. “A pesquisa partiu da professora Tarcyanie, que já estudava mídia, esporte e gênero”.

Interessada na pesquisa de estudos sobre gênero, a jovem fez a inscrição e participou de uma entrevista com a professora orientadora. Selecionada, desenvolveu a pesquisa durante dois semestres, nos quais foi agraciada com uma bolsa-auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Nos primeiros meses, li obras de autores como Gilles Lipovetsky, John Thompson e Judith Butler para compreender as teorias sobre o tema”, conta. “Depois, analisei as manchetes dos jornais `O Estado de São Paulo´ e `Folha de São Paulo´, assim com do Globo.com e Tatame sobre UFC e a lutadora Ronda Rousey, para entender como a mulher de um esporte tão masculinizado era tratada pela mídia”.

Mensalmente, Bruna reunia-se com sua orientadora para apresentar resultados e textos de análise. Ao final do período de pesquisa, apresentou um relatório final à Uniso e fez apresentação interna no Encontro de Pesquisadores e Iniciação Científica (Epic) de 2017. “Não foi difícil, o que incentivou a querer me aprofundar no mundo da pesquisa”, diz.

Para a estudante, a iniciação científica fez toda a diferença em sua graduação. “Em sala de aula, por vezes, não conseguimos explorar autores, conceitos e teorias – normalmente, alunos têm preguiça em fazê-lo e professores focam nos ensinamentos sobre mercado de trabalho. Mas ter base para o pensamento crítico é essencial aos profissionais, principalmente na área da Comunicação”, afirma.

CONGRESSO – Em janeiro deste ano, após receber a notícia de seleção da Uniso, Bruna precisou preparar-se para seu primeiro congresso fora da Universidade. O primeiro passo foi resumir o relatório final que apresentara em quatro páginas para inscrever-se na Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC), realizada esta semana durante a 70ª Reunião Anual da SBPC.

Meses depois, após avaliação do resumo e análise do histórico escolar, Bruna foi aprovada e a Uniso providenciou sua passagem de avião – e a das outras duas estudantes selecionadas, Ana Carolina Ferreira Pinto e Marina Oliveira de Paula – para Maceió. Então, em meio a 190 estudantes de diversas universidades do País, elas participaram da sessão de pôsteres do evento, realizada na última terça-feira (24). “O espaço e a estrutura disponibilizados na UFAL foram maiores do que imaginava. Foi uma experiência incrível”, define Bruna. “Por ser uma sessão de pôsteres, imaginei que as pessoas passariam em silêncio, apenas olhando meu trabalho, mas muitos paravam para conversar comigo, demonstrando interesse em discutir o tema”.

A estudante destaca que estar em um espaço no qual todos estavam dispostos em dialogar sobre pesquisa foi o mais interessante. “Quando falamos em Ciência e Tecnologia, pensamos nas pessoas desenvolvendo experiências e protótipos em laboratórios, mas não é só isso”, pontua. “Nas áreas mais próximas às Humanas, há muita pesquisa sendo feita e que pode resultar em análises críticas e estudos profundos sobre os mais diversos temas”.

SBPC – A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é uma entidade civil sem fins lucrativos, “voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil”, como se define. Neste ano, a reunião no Câmpus A.C. Simões, da UFAL, contou ainda com uma grande feira, na qual os visitantes de todo o Brasil podiam mergulhar nas novidades e atrativos do universo científico. Houve ainda palestras e encontros dos grupos SBPC Inovação, SBPC Afro e Indígena, SBPC Cultural, SBPC Educação e SBPC Jovem.

Próxima parada: Costa Rica

Após seu primeiro congresso fora de Sorocaba, a universitária Bruna Camargo, agora, embarca para seu primeiro congresso fora do Brasil. Neste sábado (28), a estudante viaja para a Costa Rica, país da América Central que sedia o XIV Congreso de la Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (Alaic). Desta vez, o trabalho apresentado por ela resulta de sua segunda iniciação científica, desenvolvida entre 2017 e 2018.

Com orientação da professora dra. Míriam Cristina Carlos Silva, o tema da nova pesquisa é “Representações poéticas da morte nas narrativas midiáticas: a novela `Velho Chico´”, derivada de um projeto de Míriam com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Para este trabalho, estudei autores incríveis, como Edgar Morin, Norval Baitello Júnior e minha própria orientadora, para falar sobre os artifícios que as pessoas utilizam para se comunicar diante da morte”, explica Bruna. “Era uma área com a qual eu nunca tivera contato, mas me encantei”.

Na quarta-feira, 1° de agosto, Bruna e Míriam Cris apresentarão a pesquisa no grupo Comunicação Intercultural e Folkcomunicação, da Alaic, reunida na Universidade da Costa Rica, em San José, capital do país. O trabalho, no entanto, já colhe frutos; em breve, um artigo deve ser publicado no periódico “Verso e Reverso”, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, de São Leopoldo (RS).

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