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Diário de Sorocaba

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<< SOROCABA Seis décadas de história, credibilidade e renovação

Publicada em 05/07/2018 às 18:36
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(Foto: Arquivo/DS)
A credibilidade de uma marca com 60 anos. A modernidade de um projeto que é sucesso em vários países e algumas capitais brasileiras. Dessa maneira o DIÁRIO DE SOROCABA chega, neste 6 de julho de 2018, ao seu Jubileu de Diamante.
 
Fundado em 1958 por Vitor Cioffi de Luca (o primeiro jornalista profissional de Sorocaba), o DIÁRIO mantém os mesmos princípios que levaram o seu fundador a criar um jornal independente de grupos políticos e econômicos, seguindo os princípios cristãos e éticos. 
 
“Há um ano, com o objetivo de se adequar ao novo panorama do setor e atender à demanda dos leitores, o DIÁRIO mudou o sistema de distribuição do jornal impresso e reforçou sua atuação nos meios digitais”, conta o jornalista Maurício de Luca, diretor do jornal e filho caçula do fundador. “Os leitores podem obter os exemplares impressos gratuitamente e ter acesso a mais informações online, pelo site, redes sociais e através das edições impressas digitalizadas (reproduzidas fielmente para leitura em computadores e tablets).” 
 
O jornal também mudou visualmente, adotando o formato conhecido como “germânico”. Trata-se de um tamanho reduzido, mais prático para leitura e mais adequado à distribuição grátis. Editorialmente, traz textos mais curtos e objetivos, mas continua com suas colunas de análises e opiniões, mantendo a profundidade no debate de temas que interessam à cidade e  região. 
 
O sistema de distribuição grátis foi implantado por vários diários de grande circulação que surgiram no Brasil e em outros países nas últimas duas décadas. A cidade de São Paulo tem dois veículos diários importantes que adotam esse sistema, Destak e Metro.  Atualmente, os jornais de maior circulação no País e no mundo são gratuitos. O DIÁRIO é o primeiro jornal diário gratuito da Região Metropolitana de Sorocaba.
 
Com a distribuição grátis, houve um aumento importante no número de leitores do jornal e na diversificação do público. Isso representa também um ganho para os anunciantes, já que o potencial de retorno da publicidade feita no jornal passou a ser muito maior.
 
 
Credibilidade em diferentes mídias
 
“Os jornais não são mais meros impressores de notícias, mas editores de informação para variadas mídias”. É o que afirma o jornalista Maurício de Luca. “A Internet oferece muitas notícias e é preciso distinguir quais são as mais confiáveis. Com isso, os jornais tradicionais, que já produzem conteúdo há mais tempo, têm credibilidade e responsabilidade, enfim, possuem sites mais confiáveis para busca de notícias do que uma postagem no twitter, Facebook ou blog qualquer”, explica. 
 
Maurício destaca a importância do profissionalismo no papel de editor de relevância para a informação. “Somente profissionais preparados podem utilizar a tecnologia a favor da notícia, com desenvolvimento técnico para as informações, definindo a linguagem e os critérios de edição para cada mídia”, acentua.
 
Conforme a opinião dele, o consumidor é exigente ao buscar informação, mas nem sempre sabe distinguir notícia confiável e de qualidade. “Há muita gente que difunde informação na Internet, mas não faz jornalismo. A contribuição dos usuários é importante, mas são colaboradores da notícia - e não jornalistas”, pontua. 
 
DEGRAU POR DEGRAU - Maurício de Luca conta que sua trajetória no jornal colaborou muito com o seu crescimento profissional. “Desde que me conheço por gente, todos os dias ‘perambulava’ pelo DIÁRIO. Aos 12 anos de idade, comecei a trabalhar no atendimento ao público, o `famoso balcão´, fazendo a captação de anúncios classificados e assinaturas, entre outras coisas. Aos 13 anos, estava no Departamento de Artes, criando e produzindo artes finais e textos para anúncios publicitários. Aos 15, comecei a trabalhar como repórter fotográfico. Foi uma grande experiência, pois tive a oportunidade de conhecer o mundo de perto. No mesmo dia, podia estar numa favela, na delegacia de polícia, numa festa da alta sociedade...”.
 
Anos mais tarde, começou a trabalhar como repórter, no início cobrindo a área policial. Mais tarde, tornou-se editor do noticiário Nacional e Internacional, Polícia e, em seguida, Primeira Página. Foi também editor do site do DIÁRIO DE SOROCABA, um dos primeiros do Brasil.
 
 
Do idealismo de um jovem jornalista, há exatos 60 anos nascia o DIÁRIO para fazer história
 
Este 6 de julho de 2018 assinala um marco dentro da história de Sorocaba, como dentro da própria história da Imprensa paulista e brasileira. O DIÀRIO DE SOROCABA, ao chegar nas mãos dos sorocabanos com sua edição de número 17.980, está completando seu 60º aniversário.  É impossível, porém, escrever sobre o DIÁRIO dissociando-o da trajetória de um então jovem, idealista e talentoso jornalista chamado Vitor Cioffi de Luca, natural do interior do Estado do Paraná.
 
Os pais de Vitor, Fernando e Angelina, tiveram 11 filhos. Os avós eram italianos e o pai do jornalista era sapateiro em Pira do Sul. Vitor saiu de sua terra natal aos 14 anos, mudando-se com o irmão João para São Paulo, onde decidiu estudar Jornalismo na Faculdade "Cásper Líbero", formando-se na segunda turma da instituição, em 1951.  Para sustentar seus estudos, começou a trabalhar em uma agência bancária, mas antes disso chegou a frequentar o Seminário. O jovem chegou a subgerente de banco. Por ser árbitro de tênis de mesa, também escrevia, como colaborador, artigos para o jornal "Gazeta Esportiva", entre outros. 
 
Vitor conheceu, nesse interim, Thereza Conceição Grosso em uma festa de casamento, apresentados por amigos comuns. Ela também trabalhava na área, como funcionária da Editora Melhoramentos, e logo começaram a namorar. 
 
Em 1952, Vitor foi convidado para vir para Sorocaba, dirigir o jornal "Folha Popular", diário de orientação católica e que pertencia à Cúria, sucedâneo do semanário “Mensageiro Diocesano”. Após seis meses na cidade, morando em uma pensão, se casou com Thereza – tiveram quatro filhos: Fernando (falecido em 1996), Leila, Walter e Maurício; os meninos seguiram os passos do pai e decidiram ser jornalistas, já a filha optou pela Medicina. 
 
Em 1958, Vitor decidiu deixar a "Folha Popular" e fundar o seu próprio jornal. Seu sonho era fazer um veículo de comunicação imparcial e independente. Assim nasceu o DIÁRIO DE SOROCABA naquele histórico 6 de julho. 
 
UM NOVO JORNAL NA CIDADE - Um prédio na rua da Penha, esquina com a Maylasky, foi a primeira `residência´ do DIÁRIO. O local não tinha muitas divisões e era, ao mesmo tempo, escritório, redação, oficinas e setor de distribuição. Vitor se dividia entre a máquina de escrever e as oficinas gráficas, que estavam instaladas nos fundos do prédio; Thereza cuidava do balcão de anúncios e assinaturas e da parte mais administrativa. 
 
VISITA SURPRESA - À véspera da primeira edição, no dia 5 de julho de 1958, o jornal estava movimentado. Um grupo de repórteres e gráficos, comandados por Vitor, ia de um lado para o outro na árdua tarefa de fazer um novo jornal. O jornalista cuidava de todos os detalhes da primeira edição, redigindo as matérias e orientando a composição e paginação do número histórico, que deveria estar nas ruas no dia seguinte. Apesar da ansiedade, tudo saia conforme o roteiro previamente estabelecido. 
 
Vitor estava sem dormir há 48 horas. Mas, por volta das 23 horas daquele 5 de julho, quando o jornal já estava pronto para começar a ser impresso, uma comitiva, de cerca de 45 pessoas, entrava inesperadamente no casarão da Maylasky, tendo à frente o então governador do Estado, Jânio da Silva Quadros, e o prefeito de Sorocaba, Gualberto Moreira, para uma visita de cortesia. E dessa visita saiu o primeiro `furo de reportagem´ do jornal, já que o governador anunciara ali que o Hospital Regional receberia verba para ampliação e seria construído um viaduto na cidade, que acabou levando o nome do ex-governador. 
 
O DIÁRIO cresceu rapidamente. Isso em parte pelo prestígio que Vitor tinha por conta da "Folha Popular". Junto com Vitor, também deixou a "Folha" o agente publicitário e `fiel escudeiro´ Heitor José da Costa Nunes, falecido em 2000, que também veio trabalhar no DIÁRIO, onde ficou até morrer.  
 
SOLIDARIEDADE - Vitor e Tereza, cristãos católicos, tinham também a marca da solidariedade impressa na alma. Fazer o bem era algo rotineiro e o jornal que fundaram igualmente sempre teve por orientação participar ativamente da vida da comunidade. Daí as várias campanhas encampadas pelo DIÁRIO ao longo dos anos, sempre se preocupando em ajudar os mais necessitados.
 
De outra parte, o sucesso do jornal que veio ocupar espaço importantíssimo dentro dos meios de comunicação da cidade foi tanto que, logo no terceiro ano, já estava sendo construída a sede própria na rua da Penha, ocupado até bem pouco tempo, novembro de 2016, quando se transferiu para as instalações atuais, no bairro do Trujillo, no início da avenida Dr. Armando Salles de Oliveira. E um dos motivos do sucesso do jornal é que ele trouxe um conceito mais técnico de jornalismo para uma cidade do Interior, principalmente relacionado à ética e a independência de grupos políticos e econômicos.. 
 
O DIÁRIO era – e o é ainda hoje - como uma grande família. Os filhos dos fundadores, Fernando, Walter e Maurício, praticamente nasceram dentro do jornal; Leila sentia o matutino como uma extensão de sua família.
 
EMBATES DOLOROSOS MACHUCARAM, MAS NÃOI ESMORECERAM O IDEALISMO – O casal Vitor e Thereza estava, de outro lado, sempre atento às inovações. Em 1993, o jornal entrou na era do offset e a diagramação também sofreu uma transformação, acompanhando as inovações tecnológicas, porém o DIÁRIO afirmava cotidianamente em editorial que manteria a mesma linha de seu início. 
 
O ano de 1996 marcou, contudo, com a morte de Fernando de Luca Neto, vítima de câncer. Fernando era o responsável pela administração do DIÁRIO. Sua morte abalou o casal. Fernando formara-se em Jornalismo na mesma faculdade do pai, a "Cásper Líbero", em São Paulo. Especializou-se também em artes gráficas e foi diretor executivo do jornal, acompanhando sempre de perto toda a parte gráfica, comercial e administrativa. 
 
A morte de Fernando foi um transtorno, mas o lado religioso prevaleceu no casal, que buscou superar o acontecimento. Já Vitor teve que, aos 70 anos, voltar a administrar o DIÁRIO, tendo que encarar os avanços tecnológicos. 
 
No mesmo ano surgiu o DIÁRIO DE SOROCABA ON LINE, um dos primeiros jornais do Brasil na Internet. O diretor do DIÁRIO, jornalista Maurício de Luca, era o responsável pela nova empreitada e afirma que o seu pai, como a maioria das pessoas, não assimilava o que era essa nova tecnologia digital. "Mas quando começou a sentir a repercussão dos leitores no Exterior, passou a assimilar a importância da rede mundial de computadores".
 
O DESAPARECIMENTO DO CASAL - No final de outubro de 1998, depois de ouvir vários consultores contratados para tentar tirar o jornal da crise financeira na qual se encontrava, devido aos altos custos com o prolongado tratamento de Fernando, Vitor e Thereza resolveram se afastar do DIÁRIO e passar a direção ao seu filho Walter, que desde o falecimento do irmão Fernando tinha assumido a parte administrativa do matutino. Até então, Walter cuidava exclusivamente do Departamento Editorial e Mercadológico do jornal. 
 
O casal foi orientado a se afastar um pouco do jornal e ver se alguma mudança positiva ocorreria. Reuniu os funcionários no auditório e anunciou que iria viajar e que, a partir daquele momento, Walter assumia a direção geral.  Thereza e Vitor ficaram pelo menos um mês no Paraná, em Cornélio Procópio (onde residia uma das irmãs de Vitor) e na cidade de Piraí do Sul, onde a família também possuía um jornal mensal, “O Piraiense”, impresso então na gráfica do DIÁRIO DE SOROCABA
 
A MORTE DO CASAL - No dia 13 de novembro de 1998, eles estavam voltando para Sorocaba. A poucos quilômetros de Itapeva, a caminho de Sorocaba, Thereza até telefonou para o filho Maurício, dizendo que estavam em um posto de beira de estrada tomando um lanche e que, dentro de pouco tempo, estariam em casa. Pediu para ele esperar para almoçarem juntos. A poucos metros do posto, uma erosão na estrada fez Vitor perder o controle do veículo, que se chocou de frente com um caminhão que seguia em sentido contrário. Thereza morreu na hora; Vitor ficou preso às ferragens por quase uma hora. Faleceu a caminho do hospital. 
 
A notícia causou grande comoção na cidade e região. No enterro, era possível ver o grande carinho que todos possuíam pelo casal. Dezenas de coroas de flores foram entregues e uma multidão compareceu ao velório, à missa de corpo presente na Catedral Metropolitana, presidida pelo padre Tadeu Rocha Moraes, e ao enterro. 
 
Vitor e Tereza deixaram muita saudade. Mas devem estar orgulhosos do DIÁRIO DE SOROCABA continuar representando a população, com ética e solidariedade, fazendo um jornalismo sério, imparcial e independente.
 
 
Sessenta anos a serviço da comunidade e de lutas e conquistas históricas
 
O DIÁRIO chega a seu jubileu de 60 anos registrando em seus anais também memoráveis lutas e conquistas ao longo dessa história em que sempre esteve ao lado da comunidade local e regional na defesa, de um lado, e busca, de outro, de seus mais lídimos interesses. Como ocorre, agora, com a proposta do jornal de também se colocar ao lado de lideranças comunitárias e empresários locais pelo reerguimento da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, devolvendo ao hospital sua credibilidade de mais de dois séculos, atendendo ao apelo e conclamação do novo presidente da instituição, o dinâmico padre Flávio Jorge Miguel Júnior, com as bênçãos do arcebispo metropolitano, dom Julio Endi Akamine, SAC.  
 
Certamente, por outro lado, os mais jovens não conseguem vislumbrar hoje as agruras que muitas situações de algumas décadas traziam ao cotidiano da comunidade sorocabana e regional, como uma Rodovia Raposo Tavares, importante e praticamente única forma de interligação entre as cidades que compõem a região liderada por Sorocaba, hoje dizemos Região Metropolitana de Sorocaba, em pista única, mal sinalizada, toda esburacada e palco de constantes acidentes com vítimas fatais. Mas era assim até praticamente o início dos anos 90, motivando o DIÁRIO a iniciar mais uma das mobilizações que marcaram sua história de aspirações, lutas e cobranças públicas. A partir de reflexão profunda de seu então diretor – e fundador - Vitor Cioffi de Luca e da equipe redatorial, transformada em editorial de primeira página, o jornal passava a liderar nova campanha comunitária regional, desta feita pela mais do que urgente necessidade de duplicação da Raposo. Foram meses de campanha, com a adesão imediata de lideranças políticas, prefeitos, vereadores e representações de muitas outras diferentes expressões da sociedade local e regional, logo sensibilizando o então governador do Estado, Mário Covas, que reconhecendo a importância da luta do DIÁRIO veio pessoalmente a Sorocaba e, em memorável encontro com prefeitos da região no Ipanema Clube e depois de ouvir manifestação eloquente do jornalista Vitor Cioffi de Luca, convidado pelo cerimonial do Palácio dos Bandeirantes para discorrer sobre a mobilização que o jornal encetava, anunciava finalmente o início das obras de melhoria e duplicação da Rodovia Raposo Tavares.
 
Em 2015, outra das conquistas recentes igualmente encampadas pelo jornal, representou igualmente um novo marco na história de desenvolvimento e progresso de Sorocaba e de cidades circunvizinhas, sempre presentes – frise-se – nas preocupações editoriais do DIÁRIO, com a implantação da Região Metropolitana de Sorocaba. Também esta conquista pode ser tributada à duplicação da Raposo Tavares, que se ainda não completa em sua totalidade de mais de 400 quilômetros, até a cidade de Presidente Prudente, no extremo oeste do Estado, avança a cada dia que passa, agora seguindo prioridade da administração do agora ex-governador Geraldo Alckmin, que inclusive há alguns anos veio pessoalmente à redação do DIÁRIO, numa de suas passagens por Sorocaba, para reconhecer a importância de tal mobilização em boa hora aberta um dia pelo jornal.
 
A mobilização pela duplicação da Raposo Tavares, contudo, foi apenas uma das muitas batalhas comunitárias encampadas pelo DIÁRIO ao longo destes 60 anos de existência. Apenas a título de curiosidade e resgate histórico, lembramos que uma dessas primeiras ações do jornal em defesa dos interesses dos sorocabanos aconteceu logo depois de sua fundação em 1958, quando o Município também ganhou sua representação local da Comap, a Companhia de Abastecimento e Preços, criada pelo Governo Estadual para controlar através de tabelamento oficial os preços de certos produtos, principalmente gêneros alimentícios integrantes da cesta básica. A medida, contudo, logo se mostrou inócua, não conseguindo, por exemplo, conter abusos e mais abusos praticados por certos comerciantes inescrupulosos, em prejuízo da população. E o DIÁRIO não deixava por menos, como se constata folheando muitas de nossas edições do final do ano da fundação e de 1959, com reportagens denunciando esses preços exorbitantes e cobrando respeito às tabelas distribuídas pela Comap, que se mostrava, por sua vez, incapaz de controlar a situação, originando também daí uma sucessão de demissões de presidentes e diretores locais do órgão, até a sua extinção definitiva.
 
Ainda em 1959, o jornal cerrou fileiras junto à comunidade local para que Sorocaba, já com avançado desenvolvimento urbano e populacional, viesse finalmente, depois de inúmeras tentativas infrutíferas registradas ao longo dos anos 40 e 50, a ganhar o seu primeiro destacamento de Corpo de Bombeiros. O crônico problema de falta d`água na cidade também ocupa muitas páginas do DIÁRIO em suas edições dos primeiros anos de circulação, adentrando à década de 60. Apenas a criação de uma autarquia específica, o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), no início da primeira administração do ex-prefeito Armando Pannunzio, em 1966, amenizaria um pouco o problema.
 
A mendicância, sobretudo a falsa mendicância, nas ruas da cidade - hoje são os `moradores de rua´ que, vez por outra, desafiam a paciência e o bom coração dos sorocabanos, sobretudo diante da ineficiência de políticas públicas instituídas sem muito sucesso pela Administração Municipal; a questão do favelamento, incluindo a problemática área de Vila Barão (antigos terrenos do INPS), só resolvido no final da década de 70, já no governo do ex-prefeito José Theodoro Mendes; a implantação do Aeroporto; a pavimentação da estrada Sorocaba-Porto Feliz (hoje em nova luta árdua pela sua duplicação) e a conclusão do Estádio Municipal, no bairro de Santa Rosália, foram ainda algumas das outras centenas de lutas comunitárias da sociedade sorocabana que podem ser destacadas como bandeiras também do DIÁRIO ao longo desses anos todos.
 
A implantação de uma nova interligação rodoviária para São Paulo, culminando com a inauguração da Rodovia Presidente Castello Branco nos anos 70, passando bem próximo da cidade, foi outra luta vitoriosa do DIÁRIO. Pelo primeiro projeto da nova estrada rumo ao Oeste do Governo do Estado, a Castello Branco passaria bem longe de Sorocaba.
 
CAMPANHAS BENEMÉRITAS – Hoje, os manuais de jornalismo destacam que à Imprensa cabe incentivar a comunidade a abraçar as boas causas sociais; o DIÁRIO também abraça essa premissa. No passado, porém, nem sempre foi assim e, se isto fugia um pouco das `boas normas´ da Imprensa, o jornal abria suas páginas às campanhas filantrópicas, muitas vezes ele mesmo promovendo-as em primeira pessoa. E aqui aparece em destaque a figura carismática de dona Thereza Conceição Grosso de Luca (foto), esposa do jornalista Vitor Cioffi de Luca e que com ele codividia a administração do jornal desde sua fundação. Ao lado de atuar em um sem número de entidades sociais e filantrópicas sorocabanas, junto de companheiras dedicadas como ela, como a OPAI (Obra Para Assistência à Infância), fundada pelo então pároco da Catedral de Nossa Senhora da Ponte, monsenhor Antônio Simon Sola, e responsável pelas primeiras creches que surgiram na cidade, a Cruzada Social das Senhoras Católicas (Obra do Berço), o Clube da Lady e mais recentemente, já na década de 90, o GPACI (Grupo de Pesquisa de Assistência ao Câncer Infantil), ainda incentivava, através das páginas do jornal, outras muitas memoráveis campanhas, traduzindo o lado humano de um jornal jovem e, ao mesmo tempo, a índole cristã e fraternal que permeava a vida do casal de comunicadores. Muitas vezes incompreendida e até criticada diante das campanhas que lançava, dona Thereza, ia em frente, com o apoio de grupos de amigos e incentivo de tantos quantos, de uma forma ou de outra, ligavam-se à Família do DIÁRIO DE SOROCABA, de funcionários a assinantes, patrocinadores e leitores.
 
 
Paixão pelo jornalismo era mais intensa décadas atrás 
 
Fazendo uma comparação entre o jornalismo de antigamente e o atual, o jornalista Cláudio Grosso, editor-chefe do DIÁRIO, diz que era muito mais intensa a paixão de quem trabalhava nas redações décadas atrás, quando todo mundo se dedicava de corpo e alma ao jornal. “Independente do salário que ganhava, a primeira preocupação de quem militava na imprensa, que naquela época ainda estava engatinhando, era fazer a todo custo o melhor que podia, apesar de todas as dificuldades que geralmente encontravam pela frente em busca da notícia”. 
 
Cláudio diz que o preparo acadêmico na época era importante, mas não o essencial, até porque nem faculdades de jornalismo existiam naqueles tempos, mas sim a vontade de cada um de fazer o melhor e com extrema dedicação. O dom de viver intensamente o ambiente jornalístico é que imperava.
 
Ele lembra que o primeiro jornalista profissional que chegou a Sorocaba em 1952 foi justamente Vitor Cioffi de Luca, fundador do DIÁRIO em 6 de julho de 1958. Antes ele havia dirigido a Folha Popular, juntamente com o padre Lúcio Graziosi. Vitor, que era formado pela segunda turma da Escola de Jornalismo Cásper Libero, de São Paulo, a primeira do gênero do País em termos de nível superior, trouxe para a cidade todo o seu conhecimento acadêmico, contribuindo para a formação de inúmeros jornalistas que se projetaram na imprensa, tornando-se profissionais dos mais competentes na cidade. Muitos deles, que nem fizeram o curso de jornalismo, mas tiveram a profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho, tornaram-se excelentes profissionais.
 
Entre tantos outros, nas primeiras três décadas do DIÁRIO passaram pela sua redação, como redatores, colunistas ou colaboradores, profissionais como José Carlos Paschoal, Ubirajara Batista Ferreira, José Duarte Vannucchi, Afonso Gentil, Geraldo Bonadio, Edson Campioni, Maria de Lourdes Ayres Moraes, Léo, Armando Oliveira Lima, Sérgio Coelho de Oliveira, José Elias Themer, Eliel Ramos Maurício, J. César, Celso Ribeiro, José Benedito de Almeida Gomes, Julio César Gonçalves, Sônia Cano, José Maria Tomazella, Armando Baccelli, Guyma Baddini, Roberto Luiz Ayres, Roque Pires do Amaral, João Dias de Souza Filho, Armando dos Santos, Rui Batista Albuquerque Martins, J. Bonora, Walter Ribeiro, entre outros.
 
MODELO A SEGUIR - É interessante observar que após Vitor Cioffi de Luca, que fundou o DIÁRIO sem qualquer recurso financeiro mais expressivo, ninguém mais apareceu para fundar um jornal diário em Sorocaba, a não ser sólidos grupos empresariais que já atuavam no setor em outras partes do Estado.
 
Vitor de Luca e sua esposa Tereza de Luca morreram em um acidente de carro no dia 13 de dezembro de 1998, quando voltavam de uma viagem a Piraí do Sul, no Paraná, sua terra natal. Eles deixaram um modelo a seguir. E é isso que a geração atual do DIÁRIO, liderada por seu filho Maurício de Luca, tenta levar à frente com muita vontade e perseverança, exatamente como ocorreu a partir de 1958.
 
ACADEMIA DE JORNALISMO - Somente a partir da década de 80, quando os cursos de jornalismo se tornaram comuns na cidade, no Estado e no País, é que os jornalistas profissionais passaram a surgir em grande número. Antes disso, pode-se dizer que o DIÁRIO, com Vitor de Luca à frente, foi a grande academia de jornalismo de Sorocaba. Numa época em que a modernidade ainda estava muito distante de todos, todo mundo se via obrigado a aprender por conta própria as técnicas jornalísticas. 
 
“Quando falamos que a paixão pela imprensa era mais intensa no passado, não queremos dizer que os profissionais atuais são menos competentes. Não se trata disso. Antigamente, prevaleciam o comprometimento e a paixão desenfreada, enquanto hoje é o profissionalismo que impera”, diz Cláudio, acrescentando que o velho romantismo da imprensa não existe mais. “Naquela época ninguém se preocupava com as horas extras, mas hoje elas são anotadas na ponta da caneta; por mais que as exceções existam, depois de encerrado o horário normal de trabalho, parece que ninguém se preocupa mais com o que acontece ao seu redor”, acrescenta.
 
 
Redação e reportagens: vantagens e dificuldades de ontem e hoje
 
 
É inegável que o avanço da tecnologia facilitou as tarefas de várias profissões. Entre elas, o jornalismo. 
 
O editor executivo José Benedito de Almeida Gomes começou a escrever para o DIÁRIO com 14 anos em 26 de abril de 1970, fazendo uma coluna semanal sobre filatelia (uma de suas paixões) e mais tarde outra seção sobre as paróquias da Arquidiocese, chamada “Vida Paroquial”. 
 
Com o tempo foi assumindo outras funções na redação. Ele recorda que o processo daquela época já começava mais complicado pela elaboração dos textos, à máquina de escrever. “Se você estivesse na última linha do texto e percebesse que esqueceu de alguma informação ou quisesse mudar algo, tinha que tirar a folha e começar tudo de novo. Às vezes datilografava com espaçamento maior entre as linhas para fazer emendas, mas os linotipistas e paginadores reclamavam”, conta.
 
Ele fala também sobre como era complicado fazer alterações. “Se houvesse um erro sequer quando a página já estivesse montada, tinha que excluir a linha inteira para corrigir. A operacionalização dos tempos modernos trouxe facilidade na paginação, inclusão de fotos, linotipia, fazer prova, revisar, etc. Hoje, se decidir colocar dez páginas a mais às 18 horas, vai dar trabalho, mas é possível. Antes, para aumentar uma página, se pensava muitas vezes”. 
 
José Benedito menciona a publicação da programação das emissoras de televisão. “Vinham uns catálogos enormes, e era necessário datilografar programa por programa. Hoje vem tudo pronto por e-mail”, compara. O editor também relata a cobertura do noticiário local. “Era necessário ter repórter setorista para cada parte da cidade, repartição, secretaria, etc. Às vezes tinha de ficar na porta do gabinete do prefeito à espera de notícia. Eu tinha um privilégio, porque às vezes o prefeito Theodoro Mendes me ligava em casa passando as novidades. Mesmo assim, hoje em dia é bem mais fácil. As assessorias de imprensa enviam os materiais para a redação, o que ajuda na identificação das notícias. Por outro lado, a única coisa que ficou mais complicada é chegar direto na fonte, já que há muitos assessores intermediando as relações”. 
 
Para o jornalista, as novas ferramentas tornam a cobertura atualmente mais fácil de se realizar, ainda que a cidade seja bem maior do que outrora. 
 
Ele descreve a antiga rotina. “Eu saía com duas passagens de ônibus. O primeiro lugar que passava era a Secretaria de Segurança Comunitária, no Centro mesmo. Depois ia para a Prefeitura, de setor em setor. 
 
Passava a tarde toda buscando notícias. Voltava por volta das 17 horas para o jornal, e me deparava com o secretário de redação me cobrando. Só aí que ia escrever tudo”, relata. O antigo repórter explica que era necessário fazer visitas periódicas a órgãos federais, estaduais e outras instituições para criar amizade e eles telefonarem quando houvesse notícias. “Agora é um pouco mais burocrático. Ninguém dá informação por telefone. Se quiser perguntar algo além do que está no release, tem que mandar e-mail para São Paulo ou Brasília, e só depois alguém vai responder”, diz.
 
O editor executivo exemplifica como se fazia algumas coberturas na época com uma história do fundador do DIÁRIO, Vitor Cioffi de Luca. “O Sr. Vitor gostava de assistir a filmes durante a madrugada. Quando havia noticiários de última hora na televisão, o DIÁRIO costumava dar algumas notícias que nem os grandes jornais de São Paulo conseguiam. Certa vez, ele estava vendo um filme, e quando acabou, por volta das 3h50, desligou a televisão. Às 3h59, a TV anunciou a morte do Papa João Paulo I. No dia seguinte, ele ficou muito aborrecido de ter perdido a oportunidade de noticiar o assunto com exclusividade”. 
 
José Benedito também narra o trabalho de rádio-escuta. “Para noticiários nacionais, eu ficava com fone ouvindo as rádios Guaíba, Jovem Pan, Bandeirantes e outras. Às vezes passava uma tarde toda para fazer uma coluna de notinhas. Também chegavam notícias por telex, mas era complicado porque tinha que datilografar tudo de novo, pois o texto vinha escrito todo em maiúsculas”.
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