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<< SOROCABA 60 anos de Bossa Nova reúne Carlos Lyra e Marcos Valle no Campolim

Publicada em 02/07/2018 às 18:27
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(Foto: Divulgação)
MÚSICA
 
O segundo show da série em homenagem aos 60 anos da Bossa Nova programado para este ano pela MdA International, com curadoria do produtor cultural Marco de Almeida, dentro da 12ª Temporada de Música Instrumental Brasileira de Sorocaba, acontecerá no próximo sábado, dia 7, às 18 horas, ao ar livre, no Parque do Campolim, reunindo duas das maiores expressões da música brasileira das últimas décadas, Carlinhos Lyra e Marcos Valle, com a participação especialíssima de Patrícia Alví. Gratuito, como sempre.
 
O show é, sobretudo, o encontro de caminhos diferentes que os dois compositores exploraram tendo como base a Bossa Nova - estilo musical que marcou suas carreiras e conquistou fãs pelo mundo todo -, com suas harmonias ricas e melodias apaixonantes. Bons exemplos serão os números como “Influência do jazz” e “Maria Ninguém”, onde Carlos Lyra mostra como o samba-jazz e a toada também estão presentes em suas composições indo além da Bossa tradicional, e “Batucada Surgiu” e “Os Grilos”, onde Marcos Valle mostra a sua Bossa fusion, com toques de samba, pop e da Black Music, influências musicais muito fortes na sua música. Além dessas composições antológicas, Lyra e Valle relembram seus clássicos, como “Minha Namorada”, “Primavera”, “Samba de Verão” e “Preciso Aprender a Ser Só”.  No palco do Campolim, os dois ainda contam e cantam histórias e, além do teclado de Marcos Valle, são acompanhados pelo violão de Cláudio Lyra.
 
CARLOS LYRA E MARCOS VALLE E OS 60 ANOS DE BOSSA NOVA - Em 1955, Silvinha Telles gravava seu primeiro disco, em 78 rotações. Um lado com a música “Menina”, de Carlos Lyra, e o outro com “Foi a noite”, de Tom Jobim e Newton Mendonça. Foi assim que Tom, ao ouvir as gravações, se entusiasmou em ser apresentado, como ele mesmo disse, ao outro lado do disco. Poderia até ser esta a pedra fundamental, mas há muitas histórias de como nasceu a Bossa Nova, porém o mais importante é que o Brasil fervilhava em cultura em todas as áreas e, junto com tudo isso, nasceu o novo estilo musical que está completando seis décadas. Como o próprio Carlos Lyra conta, "o bonde estava passando e nós tratamos de pegá-lo". Mas para um compositor o marco é sempre sua primeira canção e foi em 1954 que ele compôs a primeira delas, “Quando Chegares”. Daí para o mundo, foi um pulo. A música com a qual a classe média brasileira se identificou se tornou um clássico. E, enquanto nos Estados Unidos se produzia o Jazz, o Brasil passou a produzir e exportar a Bossa Nova.
 
Desde o Carnegie Hall, onde Carlos Lyra cantou “Influência do Jazz” - um protesto à influência excessiva do jazz que estava tirando o balanço do samba -, passando por “Maria Ninguém”, que conquistou o favoritismo de Jackie Kennedy e Brigitte Bardot ao ser apresentada na Casa Branca, apaixonando corações com “Minha Namorada”, “Primavera” e “Coisa Mais Linda”, até sua declaração de amor ao Rio de Janeiro, com “Em tempo, eu te amo...”, “Carioca de Algema” e “Y-panema”. 60 anos de produção de altíssima qualidade que o fez embaixador do Rio de Janeiro, representando o Brasil em várias cerimônias oficiais em todo o mundo, lotando teatros e ganhando homenagens no Japão e no México e solicitado nos principais festivais de Jazz do mundo, como o Newport Jazz Festival.
 
De outro lado, com 74 anos, 57 de carreira, 24 álbuns e um punhado de clássicos do cancioneiro popular, Marcos Valle é considerado como um dos integrantes da segunda geração da Bossa Nova.  Iniciou sua carreira artística em 1961, integrando um trio juntamente com Edu Lobo e Dori Caymmi. Nessa época, começou a compor suas primeiras músicas em parceria com o irmão Paulo Sérgio Valle. O trabalho da dupla foi registrado pela primeira vez em 1963, com a gravação de "Sonho de Maria", pelo Tamba Trio. 
 
Valle é compositor, arranjador, instrumentista e intérprete, além de autor de mais de 300 músicas gravadas por nomes como Jhonny Mathis, Elis Regina, Edu Lobo, Dori Caymmi, Tim Maia e Roberto Carlos, entre outros. Nascido no Rio de Janeiro em 1943, Marcos lançou-se na carreira musical em 1963 e seu primeiro disco, “Samba Demais”, chegou às lojas em 1964. Seguiu-se “O Compositor e o Cantor”, de 1965, com o clássico “Samba de Verão”, seu maior sucesso até hoje, e várias canções memoráveis. Após alguns anos vivendo nos Estados Unidos, voltou ao Brasil em 1967 e lançou dois discos, “Viola Enluarada” (1968) e “Mustang Cor de Sangue” (1969).
Marcos e Paulo Sérgio Valle foram, aliás, agraciados com o prêmio da BMI (EUA) por 2 milhões de execuções da música “Samba de Verão”, prêmio até hoje apenas concedido no Brasil a “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. É dele ainda, de Paulo Sérgio e Nélson Motta o tema clássico para comemorar a virada do ano, “Hoje é um Novo Dia de um Novo Tempo”, composta em 1971 e que acabou se tornando marca registrada do período do réveillon.
 
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