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<< CULTURA Sorocaba reverencia os 60 anos de Bossa Nova

Publicada em 15/06/2018 às 18:44
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(Foto: Divulgação)

O ano de 1958 representa um marco indelével na história da Música Popular Brasileira: uma batida diferente e inusitada de violão e surgia a incomparável Bossa Nova, movimento musical sempre renovado e que chega a seis décadas de existência com renovado vigor. Para comemorar assim, em grande estilo, os 60 anos de Bossa Nova na cidade a 12ª Temporada de Música Instrumental Brasileira de Sorocaba reservou para o início da noite deste sábado (16), às 18 horas, no Parque do Campolim, show imperdível e gratuito reunindo três expressões de destaque nacional e internacional do movimento que revolucionou o cenário musical brasileiro e mesmo mundial a partir do final da década de 50 do século passado: a cantora Wanda Sá, o maestro e pianista Gilson Peranzzetta, responsável pelos arranjos e pela direção musical do espetáculo, e o saxofonista e flautista Mauro Senise.

Três apaixonados pela Bossa Nova e por Tom Jobim, um de seus exponentes maiores, ao lado de Vinicius de Moraes, Francis Hime, Toquinho e tantos outros, Wanda Sá, Gilson Peranzzetta e Mauro Senise idealizaram, então, o show “A Bossa do Tom”, para celebrar as seis décadas do movimento, através justamente da obra do maestro soberano. A apresentação dentro do projeto `Metso Cultural´, elaborado pela MdA, com curadoria do músico sorocabano Marco de Almeida, é a homenagem de Sorocaba à efeméride.

O roteiro de “A Bossa do Tom” privilegia a obra jobiniana e inclui clássicos como “Wave” e ˜Vivo sonhando” (Tom Jobim), “Samba de uma nota só” (Tom e Newton Mendonça) e “Janelas abertas”, “Só danço samba”, “Água de beber” e “Garota de Ipanema” (Tom e Vinicius de Moraes) – esta última uma das músicas brasileiras mais gravadas no mundo. Wanda Sá, aliás, tem total intimidade com a obra de Antônio Carlos Brasileiro Jobim. “Muita gente, no Brasil e no mundo, faz ou mesmo é bossa nova. Mas só Wanda Sá é bossa nova mesmo. Ou melhor, é bossa nova em todas as suas dimensões: fez parte do movimento, tendo lançado clássicos como ‘Inútil paisagem’, dado por Tom na ocasião que gravou seu primeiro disco, e ‘Vagamente’. Além de ser protagonista da capa mais bossa nova que existe, a do LP ‘Wanda vagamente’ (1964), no qual caminha pela areia da praia arrastando seu violão, numa incrível imagem-síntese”, escreveu dela o jornalista Hugo Sukman.

“Nós três estamos muito felizes e honrados com a realização deste show em comemoração aos 60 anos da Bossa Nova em Sorocaba. Tom Jobim foi o nosso escolhido para esta homenagem e vamos apresentar algumas de suas mais emblemáticas composições, em versões cantadas e instrumentais, com a colaboração de Adriano Giffoni no contrabaixo e João Cortez na bateria”, adianta ao DIÁRIO o maestro e pianista Gilson Peranzzetta.

Wanda Sá, de sua parte, tem total intimidade com essa obra. De aluna de Roberto Menescal ao prestigiado estúdio da Capitol Records, nos Estados Unidos, a cantora surgiu como a grande voz feminina da segunda turma da Bossa Nova, aquela na qual despontaram ainda Francis Hime, Durval Ferreira e Marcos Valle, entre outros. Foi descoberta, ao lado de Menescal, no programa “Dois no Balanço” e, através dele, o então presidente da RGE, Benil Santos, a conheceu e incentivou Menescal a fazer um disco dela, que acabou sendo lançado em agosto de 1964. O álbum é fruto da união de duas turmas, a de Roberto Menescal (Carlinhos Lyra, Tom Jobim, Oscar Castro Neves) com a da estreante Wanda Sá (que incluía Francis, Marcos Valle e Edu Lobo). Dona de uma vasta discografia e de uma voz linda que encanta por onde se apresenta, Wanda fez, então, toda uma magnífica trajetória dentro da MPB ligada aos grandes compositores da Bossa Nova, como Carlos Lyra, Roberto Menescal, Marcos Valle, João Donato e Tom Jobim.

 

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