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Publicada em 11/06/2018 às 18:21
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(Foto: Divulgação)
COPA DO MUNDO
 
Os ex-jogadores Afonsinho e Nando Antunes debatem “Futebol e Democracia” na atividade do Ciclo de Formação que o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região promove nesta quarta-feira, dia 13, às 19 horas, em sua sede, na rua Júlio Hanser (próximo à Rodoviária).
 
Afonso Celso Garcia, o Afonsinho, um deles, foi craque do Botafogo e enfrentou os dirigentes do clube para conseguir ser dono de seu passe (o que acabou levando ao movimento que libertaria os jogadores do julgo dos clubes). Em plena ditadura militar, Afonsinho sofreu pressão para que cortasse a barba porque Zagallo considerava que gente barbuda era coisa de `terrorista´, como eram chamados todos os que resistiam à ditadura. O jogador recusou-se a cortar a barba, foi boicotado e foi para o Olaria. Em entrevistas concedidas sobre sua trajetória, ele afirma ter encontrado no futebol seu terreno de luta não apenas esportiva, mas política, no sentido mais abrangente.
 
Afonsinho segue como exemplo de coerência e coragem. É médico aposentado, mora no Rio de Janeiro e é cronista da revista Carta Capital. Gilberto Gil dedicou versos na canção “Meio de campo” a Afonsinho: “Prezado amigo Afonsinho/Eu continuo aqui mesmo/Aperfeiçoando o imperfeito/Dando um tempo, dando um jeito/Desprezando a perfeição/Que a perfeição é uma meta/Defendida pelo goleiro/Que joga na seleção/E eu não sou Pelé (...)/Se muito for eu sou um Tostão/Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão”. 
 
Nascido em Quintino Bocaiúva, no Rio de Janeiro, já Fernando Antunes Coimbra tem seis irmãos, sendo três deles também craques do futebol: José Antunes Coimbra Filho (Zeca), que jogou no Fluminense; Eduardo Antunes Coimbra, o Edu, que jogou no América e, claro, Zico, maior ídolo da história do Flamengo. Com posicionamento político progressista, de combate à ditadura militar, Nando Antunes entrou para a Universidade de Filosofia do Rio e chegou a ser professor do Plano Nacional de Alfabetização Paulo Freire (PNA). Com o golpe de 1964, o PNA foi encerrado, devido os militares considerarem ideias subversivas. No livro que conta sua história, “Futebol e Ditadura: a história de Nando, o primeiro jogador anistiado do Brasil”, aparece escrito que “a perseguição política sofrida por Nando, posteriormente à sua prisão pelo regime militar, é uma mancha vergonhosa na história do futebol brasileiro. A intolerância de um governo antidemocrático interrompeu a sua carreira e nos privou de desfrutar por mais tempo de sua aptidão invulgar e sensibilidade para o futebol-arte”.
 
INSCRIÇÕES - Para participar do debate, é preciso se inscrever gratuitamente pelo e-mail ciclodeformacao@smetal.org.br e informar nome completo, RG e telefone. Haverá certificado de participação para quem necessitar.  
 
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