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<< COTIDIANO Baby pilates fortalece vínculos da maternidade Atividade física favorece o desenvolvimento do bebê e a autoestima da mãe

Publicada em 11/05/2018 às 18:23
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(Foto: Arquivo Pessoal/Kelly Alves)
DIA DAS MÃES
 
“Inspira e solta o ar. Encolhe esse abdômen! Olha o fiozinho puxando!”.
 
Enquanto o som de corpos descendo bate seco no chão pelo cansaço, a professora Daniella Garcia, 35 anos, abre um sorriso e anuncia o próximo movimento. Homens e mulheres de todas as idades reúnem-se, pelo menos, uma vez por semana em Vargem Grande Paulista, município a aproximadamente 54 quilômetros de Sorocaba, para praticar pilates, um método de exercícios que visa a saúde física e mental. Porém, ocasionalmente, aparece uma criança no tatame – rindo, correndo ou brincando. Com mais frequência ainda, bebês chegam no colo de mães que acabaram de voltar da maternidade. 
 
Com o baby pilates, método adaptado da prática original, a mulher que está aprendendo a ser mãe pode conectar-se ainda mais com os filhos e ainda trazer benefícios para ambos. Daniella conheceu o pilates quando ainda cursava Fisioterapia, em Cotia, na Grande São Paulo. Formada, a profissional especializou-se no método criado pelo alemão Joseph Pilates durante a 1ª Guerra Mundial. A proposta do criador, na época, era melhorar as condições de soldados feridos e de prisioneiros por meio de técnicas respiratórias e consciência corporal.
 
O método traz inúmeros benefícios aos seus praticantes. “Alongamento, fortalecimento, equilíbrio, coordenação, concentração, melhora da autoestima e da ansiedade, qualidade do sono e reabilitação ou prevenção para quadros patológicos”, pontua a fisioterapeuta. Em oito anos de imersão no pilates, uma experiência mudou Daniella, porém: a maternidade. Com barriga de nove meses, a professora compareceu às aulas e aprendeu que, mesmo gestante, poderia praticar os exercícios que, para ela, trouxeram muitos benefícios. “Ajudou muito na dilatação, não apresentei dores no parto, que foi tranquilo, e tive um pós-parto com boa reabilitação, tanto de assoalho pélvico, como da musculatura abdominal”, relembra.
 
Mas, então, o pequeno Bernardo havia chegado. Primeiro, ele ficava na cadeirinha; depois, rolava no tatame sob os olhos atentos da mãe. No entanto, não demorou muito para Daniella descobrir a existência do baby pilates, modalidade do pilates original que ela conseguiria praticar junto ao filho. “O vínculo mamãe-bebê se torna bem maior”, garante a fisioterapeuta. No baby pilates, mãe e filho se exercitam juntos; a primeira fazendo os movimentos e o segundo recebendo os estímulos. “O bebê recebe informação sensorial e motora, o que ajuda em seu desenvolvimento”, explica.
 
As mamães não ficam de fora dos ganhos. Segundo Daniella, as grávidas beneficiam-se no controle de peso, da pressão arterial e da diabetes gestacional, assim como preparam o assoalho pélvico, previnem dores na lombar, melhoram a circulação, regulam o humor e têm melhor qualidade do sono.
 
O baby pilates também fortalece os laços afetivos originados da maternidade. “Cria-se mais segurança para a mãe e é um conforto ter o bebê por perto. Faz toda a diferença”, afirma ainda a profissional.
 
EXPERIÊNCIA – “Quando nasce um bebê, nasce uma mãe”, frisa Daniella Garcia. “O puerpério é uma fase difícil na vida da mulher, momento em que todos os olhares e atenções são voltam-se ao bebê”.
 
A fisioterapeuta destaca também que, embora a maternidade traga imensa alegria, a mulher enche-se de medos e inseguranças, assim como recebe diversos palpites que nem sempre vêm para ajudar. “Há a sensação de não conseguir se enxergar mais”, resume. “O pilates resgata a autoestima e a autoconfiança e a faz se sentir especial em meio a esse turbilhão de sentimentos”.
 
Foi o caso da professora Fabiana Danquimaia, 31 anos. O nascimento de Helena, há sete meses, a fez vivenciar emoções contraditórias. “Ao mesmo tempo em que me sinto a mulher mais feliz e realizada, também sinto muito medo, angústia e culpa”, desabafa.
 
Com a readaptação à rotina de trabalho e o fato de deixar a filha na creche, Fabiana está tentando retomar o ritmo de aulas do pilates, que a fez tão bem nos primeiros meses após a gravidez. “Deixou-me mais disposta, melhorou minha postura e diminuiu minha ansiedade”, comemora, lembrando-se com carinho dos exercícios que fazia com o bebê. “Ela fica me observando com olhinhos curiosos”, diz Fabiana, revelando que os movimentos favoritos da filha são os que envolvem a bola. “Para ela, é uma brincadeira; às vezes, de tão cansada ou relaxada acaba dormindo”.
 
Para a mãe, a visão é mais profunda: “Foi um modo que encontrei de voltar a cuidar do meu corpo, mas sem precisar me afastar”. “Preciso estar bem comigo para dar meu melhor para ela. É um momento de fortalecimento do nosso vínculo”.
 
Já a advogada Ana Paula Fiorelli, 30 anos, conheceu o pilates na primeira gestação, quando sentia a necessidade de uma atividade física para recuperar o corpo de antes da gravidez e aliviar dores na coluna. Na segunda gestação, o repouso foi obrigatório e ela precisou parar, mas voltou assim que a pequena Maria Luísa cresceu um pouco. “Ela era muito bebê e eu não me sentia à vontade de sair e deixá-la em casa. Foi quando conheci a Daniella, que me apresentou o baby pilates”, explica. Ana Paula conta que faz a atividade junto com a filha, que dá risadas, tenta imitar os movimentos e bate palmas quando a mãe é elogiada pela professora Daniella pelas posturas corretas.
 
Ana Paula pontua que o movimento favorito da filha é quando a mãe precisa deitar-se no chão. “Ela sabe que o lugar dela é sentada na minha barriga. Quando solto o ar, assopro no seu rostinho e ela dá risada. Até aprendeu a respiração!”, contou. “Sinto que o pilates se tornou um momento nosso que favorece a relação mãe e filha. Divertimo-nos muito”.
 
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