Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< SAÚDE Corregedoria prende três por desvio de medicamentos de farmácia do Estado Criminosos retiravam de farmácia remédio indicado para tratamento de crianças com problemas de crescimento, mas que estaria sendo utilizado como anabolizante; grupo é o mesmo já flagrado no Conjunto Hospitalar de Sorocab

Publicada em 11/05/2018 às 17:58
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Foto: Divulgação)
A CGA (Corregedoria Geral da Administração) prendeu em flagrante, nesta sexta-feira (11), três pessoas que pertencem à quadrilha que desvia o medicamento somatropina, indicado para o tratamento de crianças com problemas de crescimento em virtude de deficiência hormonal, mas que estaria sendo utilizado como anabolizante. A prisão ocorreu na Farmácia de Medicamento Especializado “Maria Zélia”, no Belenzinho, na Capital, onde uma mulher foi flagrada após retirar 23 caixas do medicamento. Durante o flagrante, outras 23 foram encontradas no carro com dois homens que davam apoio à mulher. Os três foram apresentados no DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania). 
 
A quadrilha é investigada pela CGA há dois anos e é a mesma que, em janeiro de 2016, teve três outras pessoas presas em flagrante durante a retirada do medicamento na farmácia do Conjunto Hospitalar de Sorocaba. Os três foram condenados pela Justiça. Após a prisão de Sorocaba, a CGA passou a monitorar a entrega deste medicamento. “Por meio de uma ação da Corregedoria com apoio do DPPC e da Secretaria da Saúde, conseguimos avançar no desmantelamento dessa quadrilha especializada no desvio do medicamento chamado somatropina. É uma ação de combate à corrupção e de saúde pública”, declarou à tarde o corregedor-geral da Administração, Ivan Agostinho.
 
A prisão de ontem é resultado do cruzamento de dados realizado pela CGA em trabalho conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde sobre a possível fraude na retirada do somatropina. A médica prescritora da receita foi contatada e informou que os pacientes não eram dela e que não tratava deste tipo de doença. Portanto, o atestado era falso. A investigação também aponta que o medicamento foi obtido por meio de exame idêntico ao utilizado pela quadrilha em janeiro de 2016 em Sorocaba, inclusive com a mesma assinatura, embora médicos prescritores diferentes. 
 
FORAGIDO - A investigação da CGA foi iniciada em janeiro de 2016 após servidores da CCTIES (Coordenadoria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos de Saúde), subordinada à Secretaria de Estado da Saúde, comunicar suposta conduta de fraude criminal e falsidade documental, visando obtenção de medicamento. Os levantamentos preliminares apontaram algumas divergências nas documentações apresentadas para a obtenção do remédio, fato que chamou a atenção dos farmacêuticos da Unidade de Sorocaba da rede integrada de farmácias do Estado.
 
Entre as divergências relevantes, estavam resultados de exames idênticos para diferentes pacientes; questionamento oficial em ocorrência policial da médica prescritora, indicando não reconhecer as assinaturas nos documentos apresentados à DRS-Sorocaba; prescrições médicas de estabelecimentos de saúde diversos, mas com as mesmas características de redação e indicação farmacológica; mesma forma de preenchimento de formulários internos da administração; suspeitas de falsificação de papéis timbrados de laboratórios de análises; resultados idênticos em relatórios médicos feitos por profissionais diferentes; laudos de exames com as mesmas características e autenticados pelo mesmo número de registro na Anvisa, entre outros. 
 
A apuração indicou ainda que os supostos criminosos não precisam do medicamento, mas utilizam documentos falsos para comprovar a necessidade e pedir que os cofres públicos pagassem o tratamento. Após a prisão dos três integrantes da quadrilha, a CGA e a Polícia Civil constataram que os criminosos são moradores de Cidade Tiradentes, em São Paulo, e eram chefiados pelo comerciante Francisco Jailson Caldas de Almeida, conhecido como Chiquinho. Ele tem prisão preventiva decretada pela Justiça de Sorocaba desde 15 de fevereiro de 2016, mas encontra-se foragido - Chiquinho nasceu em Fortaleza (CE) e tem passagem na Polícia por estelionato e receptação.  
 
Pelos levantamentos da CGA, são investigados 83 pacientes em nove cidades, em um total de 22.269 prescrições, das quais a Saúde já havia entregue 18.582. O prejuízo aos cofres do Governo do Estado chegaria a R$ 5 milhões se todas as doses do medicamento previstas fossem entregues. 
 
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar