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<< SOROCABA Jardim Botânico receberá doação de orquídeas nativas da Mata Atlântica do Legado das Águas

Publicada em 12/03/2018 às 19:04
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(Foto: Divulgação)
O Jardim Botânico “Irmãos Villas-Bôas” receberá um banco genético com 20 espécies nativas de orquídea, fruto de uma doação do Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do país, mantida pela Votorantim. A doação será feita neste domingo (18), às 9h, durante o evento de aniversário de quatro anos do Jardim Botânico. No mesmo dia, ocorre a reunião do Círculo Orquidófilo Sorocabano (COS) e uma palestra com o pesquisador Luciano Zandoná, biólogo e especialista em orquídeas, responsável pelo projeto “Orquídeas do Legado das Águas”.
 
“É com grande alegria que vamos comemorar o aniversário do Jardim Botânico, um dos cartões postais de Sorocaba. Além de criarmos uma Comissão Técnico-Científica, que é um ganho muito importante para o Jardim Botânico, vamos ganhar 20 orquídeas nativas de Mata Atlântica do Legado das Águas, que serão colocadas em nosso orquidário, incrementando ainda mais a nossa coleção”, destaca o secretário de Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema), Jessé Loures.
 
As plantas são da Reserva onde, desde 2015, acontece o trabalho de resgate de orquídeas que são encontradas em troncos caídos na mata e se permanecessem no chão, morreriam. De acordo com Zandoná, as orquídeas estão entre as famílias de plantas mais cultivadas em todo planeta, por seu potencial ornamental, medicinal e alimentício. São, também, as mais ilegalmente coletadas. Nesse sentido, o orquidário do Legado atua com o objetivo de contribuir para conservação das espécies.
 
“A doação para o Jardim Botânico atende um dos objetivos do Legado das Águas de promover o conhecimento e fortalecer ações de conservação da fauna e flora do bioma atlântico. Nossa expectativa é que essas espécies de orquídeas que passarão a compor a coleção do Jardim Botânico, contribuam para o trabalho muito importante já realizado com a população e comunidade científica da região metropolitana de Sorocaba. Estamos muito contentes em somar com esse parceiro”, diz.
 
O trabalho com as orquídeas no Legado das Águas é feito por meio do método da caminhada na mata: as espécies encontradas no habitat permanecem ali e são georeferenciadas para monitoramento. As espécies resgatadas de árvores caídas, devido a causas naturais, são retiradas e encaminhadas para o orquidário para contagem, listagem, triagem, quarentena e destinadas para realocação na coleção viva ou em duas trilhas, que são utilizadas para visitas a fim de sensibilizar e educar as pessoas sobre a importância da conservação da biodiversidade e da Mata Atlântica. Já foram identificadas 204 espécies de orquídeas – sendo que 14 estão na lista vermelha (ameaçadas de extinção).
 
Em 2015, o Legado das Águas doou ao Jardim Botânico de Sorocaba  em torno de 400 exsicatas (método que reúne, além da planta seca, as informações científicas das espécies), de plantas nativas da Mata Atlântica, ocasião em que foi firmado um protocolo de intenções de cooperação técnico-científica. As espécies de plantas foram identificadas em dois anos de estudo no Legado e doadas para o Herbário do Jardim Botânico.
 
Para a gerente executiva da Reservas Votorantim, Frineia Rezende, empresa que administra o Legado das Águas, a doação das plantas reforça a importância de engajar a sociedade para a cultura da conservação. “O Legado das Águas se preocupa em promover iniciativas como essa, que levem a Mata Atlântica de volta para os grandes centros urbanos para que, conhecendo, as pessoas possam apreciar e conservar”, afirma.
 
Para Manoel Riyis, presidente do conselho consultivo do COS, a doação será importante para o aprimoramento do estudo das orquídeas. “É um projeto extraordinário. Estamos contentes e ansiosos, vendo com bons olhos a iniciativa para preservação de espécies nativas da nossa região”, diz.
 
O geólogo e representante do COS, explica ainda que o Círculo procura dar apoio ao Orquidário do Jardim Botânico e participar de ações desde a inauguração do espaço. “No início, trouxemos cerca de 140 espécies para o Orquidário e, há dois anos, 250 mudas nativas para o Jardim e também para outros dois parques de Sorocaba. Nossas reuniões mensais servem para mostrarmos nossas plantas em miniexposições e debater o assunto”, conta Riyis, que integra o grupo de mais de 100 associados de várias cidades da região.
 
Programação
 
A programação de aniversário acontece nesta semana, nos dias 15, 16 e 18 de março. Realizada pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Sema, em parceria com o Legado das Águas, e o Círculo Orquidófilo Sorocabano, incluirá visitas monitoradas, reuniões e encontros técnico-científicos e o lançamento da nova coleção botânica do espaço ecológico do jardim.
 
Nesta quinta e sexta-feira (15 e 16), serão realizadas visitas monitoradas para grupos agendados. Nessas visitas, os participantes terão oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o Jardim Botânico, suas coleções e sobre a importância da conservação da flora.
 
Também na quinta-feira, às 10h, será realizada a reunião de posse da Comissão Técnico-Científica (CTC) do Jardim Botânico, que vai reunir pessoas de diversos segmentos sociais e tem caráter consultivo e de aconselhamento técnico-científico, com a finalidade de promover a discussão e o acompanhamento das atividades de pesquisa, conservação, lazer e educação ambiental.
 
Na palestra do dia 18, com o tema “Estratégias para Conservação de Orquídeas no Legado das Águas”, o biólogo Luciano Zandoná trará um panorama sobre a conservação das orquídeas, relevante como indicadora de qualidade das florestas, uma vez que depende de diversos fatores para se estabelecer, como a associação com fungos para a obtenção de nutrientes necessários à germinação de suas sementes; polinizadores específicos para a fecundação das flores; e condições ambientais específicas, como umidade, temperatura e luminosidade, que só são encontradas em florestas maduras e bem conservadas.
 
“Vamos falar sobre a importância dos esforços de conservação do tão ameaçado bioma nacional, da colaboração da sociedade – em especial a orquidófila – com doações, extensão de conhecimento, e planos de incentivo ao espaço público do Jardim Botânico, que tem como objetivo promover a conservação e o uso sustentável das espécies vegetais, em especial aquelas que são raras ou ameaçadas e representativas da biodiversidade local e regional”.
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