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<< SAÚDE Com série de metas, Frente Parlamentar Regional em Socorro à Saúde é instalada Trabalho envolve 48 municípios, que integram o DRS Sorocaba

Publicada em 26/02/2018 às 18:07
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(Foto: Divulgação)
Com a presença de 100 vereadores de 36 municípios que integram o Departamento Regional de Saúde XVI (DRS Sorocaba), cuja sede é Sorocaba, foi instalada na manhã desta segunda-feira (26), em audiência na Câmara Municipal, a Frente Parlamentar Regional em Socorro à Saúde. 
 
O objetivo do grupo é mobilizar, em defesa da saúde, as Câmaras de Vereadores dos 48 municípios, que integram o DRS Sorocaba, analisar a demanda de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e diagnosticar a estrutura física e humana de atendimento do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). 
 
Ainda entre os trabalhos, a Frente tem de identificar a participação de cada município no uso e superação do teto de demanda de atendimento no âmbito do SUS, propor ações que visem à melhoria no atendimento, via Programação Pactuada e Integrada de Assistência à Saúde, e apresentar ao governo do Estado e ao Ministério Público relatório de ações.
 
METAS IMEDIATAS - Entre as metas imediatas está a Construção do Hospital do Câncer de Sorocaba para atender à região, nos moldes do Hospital do Câncer de Barretos (agora denominado "Hospital de Amor"), proposta levantada pelo vereador Hudson Pessini. “Pacientes de Sorocaba têm de viajar quase 400 quilômetros, até Barretos, para fazerem tratamento oncológico, o que é desumano”, afirmou o presidente da Casa, vereador Rodrigo Manga. Outra meta são cirurgias ginecológicas em Sorocaba. O presidente administrativo da Santa Casa de Misericórdia, padre Flávio Jorge Miguel Júnior, presente na audiência, pretende estabelecer uma parceria com a PUC para esses procedimentos na Santa Casa. O atendimento de hemodiálise e a implantação de um centro para atender à questão da dependência química são as outras metas da frente.
 
 
Santa Casa trabalha na criação do voluntariado 
 
Durante o encontro, o presidente da Câmara, Rodrigo Manga, entregou ao padre Flávio, diretor da Santa Casa de Misericórdia, um relatório com toda as emendas impositivas destinadas aos vereadores para a saúde, notadamente, os quase R$ 8 milhões em emendas destinadas especificamente para a Santa Casa. 
 
Padre Flávio ressaltou que essas emendas irão atender a pacientes não só de Sorocaba, mas também de toda a região. Também informou que está criando o Estatuto do Voluntariado para dar suporte aos pacientes que vêm de outras cidades para passar por quimioterapia na Santa Casa e não têm onde almoçar, pois não dispõem de recursos para isso. “Vamos começar a dar café da manhã, almoço e conforto para essas pessoas, que se levantam às 2 horas da manhã e ficam até as 2 da tarde, muitas vezes, sem comer”, enfatizou. Ele também disse que os dois novos mamógrafos da Santa Casa estão ociosos a partir do meio-dia e propôs aos municípios presentes uma parceria para mamografias.
 
 
Criação de Frente gera debate e levanta sugestões 
 
A criação da Frente Parlamentar provocou comentários e levantou sugestões entre os parlamentares. O vereador Renan Santos enfatizou a importância da Frente da Saúde e defendeu que se recrie o Parlamento Regional, que, segundo ele, reuniu cerca de 100 parlamentares na época e garantiu a vinda da Unesp para Sorocaba, além de propor que se marque uma audiência com o ministro da Saúde. Já o vereador Hudson Pessini qualificou a Assembleia Legislativa de “campo invisível”, teceu duras críticas ao Governo do Estado, especialmente ao secretário de Saúde, David Uip, criticando também os deputados que, segundo ele, omitem-se, mas ficam bravos quando os vereadores tomam o comando numa situação como essa.
 
A vereadora Iara Bernardi (PT) ressaltou que os problemas do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) são históricos e afirmou que existem hospitais-escolas estaduais que atendem pelo SUS e “funcionam perfeitamente” em outras cidades, ao contrário do CHS. Criticou o sucateamento do hospital, que, no seu entender, faz parte da estratégia de terceirização da saúde, e propôs mais dois encontros da Frente, um Itapeva/Itararé e outro em Salto/Itu, já com o objetivo de receber relatórios das secretarias de Saúde.
 
 
Representantes da região apresentam problemas 
 
Vários vereadores da Região Metropolitana de Sorocaba também fizeram uso da palavra. Marcos Vinícius de Camargo Moura, de Cesário Lange, disse que é preciso fiscalizar os veículos de transporte de pacientes, que, muitas vezes, trafegam superlotados com pacientes que fizeram cirurgia. Jan Glasser, da mesma cidade, criticou a longa espera por cirurgia e defendeu ações preventivas na área de Saúde.
 
Edemilson Santos, de Salto, relatou que seu município tem uma AME, que atende aos 48 municípios da região e os pacientes e acompanhantes também não contam uma infraestrutura de atendimento. Maria José Vieira, de Sarapuí, disse que há pacientes em sua cidade que, há três anos, esperam por uma cirurgia. Gil Sales Albach, de São Miguel Arcanjo, também relatou dificuldade com cirurgias e com a logística de transporte dos pacientes. Também defendeu que se crie um centro de recuperação da dependência química para as mulheres, já que, no seu entender, a maioria dos centros é destinada a homens.
 
Héber Martins, de Votorantim, criticou a falta de comprometimento de alguns médicos, que prestam concurso, mas logo depois mudam de cidade, exigindo a realização de concursos emergenciais. Também defendeu a implantação de uma UTI neonatal em Votorantim. Adeilton Tiago dos Santos, também de Votorantim, disse que já houve caso de uma paciente ficar até 60 dias aguardando uma cirurgia. José Cláudio Pereira, o Zelão, também de Votorantim, defendeu a adoção de uma logística de atendimento. Já Antônio Roberto de Siqueira, de Capão Bonito, disse que todas as cidades estão sofrendo na área da Saúde e teceu críticas aos deputados.
 
Rodrigo Mondanez, de Cerquilho, disse que a central de regulação de sua cidade é o caos e observou que há uma omissão das três esferas do governo em relação à Saúde, levando à judicialização do setor. A exemplo do vereador sorocabano João Donizeti, também criticou os gastos do País com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Humberto Pereira, de Tapiraí, criticou o governo estadual e enalteceu a proposta da Frente, comprometendo-se com suas ações. Já Alexandre Martins, de Guapiara, disse que é preciso compreender a situação dos pequenos municípios, que, pressionados por familiares, colocam um paciente em estado grave numa ambulância e mandam para um município maior. Também solicitou que a participação das Câmaras na frente seja aumentada para quatro vereadores.
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