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<< POLÍCIA Polícia indicia profissionais envolvidos em falcatruas no CHS Denunciados vão responder por crime de falsidade ideológica

Publicada em 22/02/2018 às 18:26
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Cirurgião plástico, Newton Canicoba, chega à Delegacia Seccional (Foto: Germano Schonfelder)
Os médicos que participavam do esquema conhecido como `farra do ponto´, junto ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), em que registravam a entrada, deixavam o hospital e só voltavam no fim do expediente, para marcar a saída, foram indiciados nesta quinta-feira (22) pela Policia por falsidade ideológica, conforme revelaram à imprensa o delegado seccional Marcelo Carriel e seu assistente Alexandre Cassola. A coletiva aconteceu à tarde na própria Delegacia Seccional, na avenida General Carneiro.
 
Os profissionais flagrados na prática são o médico anestesista Francisco Manoel dos Santos Mendes, o cirurgião-dentista Elias Agostinho Neto e o cirurgião plástico Newton Canicoba, os três lotados no CHS, unidade responsável por atender pacientes de 48 cidades da região. Pela acusação, recebiam salário mesmo sem prestar atendimento, mesmo estando teoricamente em horário de serviço.  O custo mensal do Estado para manter os três profissionais era de R$ 33.316. 
 
Também foi indiciado o coordenador José Fernando Pontes, por condescendência criminosa. Ele organizava os plantões e sabia das faltas, mas nada fez para coibir o ilícito. A pena prevista para os profissionais diretamente acusados é de reclusão de 1 a 5 anos - uma pena por cada plantão não realizado. Mendes teria deixado de cumprir dois plantões; Canicoba, 3 e Agostinho Neto, 15 vezes. Não se sabe desde quando o trio realizava a prática denunciada.
 
A Polícia sorocabana trabalhou junto com a Corregedoria Geral da Administração do Estado. O inquérito vai para o Fórum de Sorocaba na semana que vem e também será remetido para os órgãos responsáveis pela Saúde envolvidos. Três corregedores participaram das oitivas, bem como duas responsáveis pelo Setor de Recursos Humanos do CHS.
 
AS PROVAS - As provas materiais para indiciar os profissionais consistem dos pontos eletrônicos fraudados, os holerites recebidos com os salários sem fazer os plantões, assinaturas de próprio punho dos acusados reconhecendo os plantões que, na verdade, não cumpriram e registros manuscritos de outros profissionais que tiveram que trabalhar no lugar dos indiciados.
 
Foi definido também o sequestro de bens dos três profissionais. São mais de mil folhas no inquérito, entre depoimentos diversos e documentos coletados. O delegado Marcelo Carriel afirmou que os profissionais denunciados faziam `plantão à distância´, medida totalmente ilegal nos procedimentos de rotina do trabalho no hospital, salvo exceções. Um deles chegou a dizer que a agenda estava vazia, sem pacientes para serem atendidos. "Um absurdo! É só ir no Conjunto Hospitalar e ver quantas pessoas estão ali na fila para serem atendidas", frisou o delegado seccional.
 
A denúncia foi exibida no programa dominical “Fantástico”, da TV Globo, no dia 7 de janeiro, produzida pela reportagem da TV TEM Sorocaba. Ela mostrou dois médicos e um dentista lotados no Conjunto Hospitalar de Sorocaba que registravam as digitais, saiam do hospital e só voltavam horas depois, no encerramento do expediente. Os Conselhos Regionais de Medicina e de Odontologia ainda continuam com seus `procedimentos administrativos´ para resolver que medida tomar.
 
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