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<< AGENDA CULTURAL A figura polêmica de Bolsonaro Mesmo depois da condenação de seu oponente, o candidato ainda não é o favorito nas pesquisas

Publicada em 02/02/2018 às 22:23
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(Foto: Divulgação)
ELEIÇÕES 2018
 
Que a corrida presidencial brasileira está sendo, com toda certeza, uma das mais conturbadas e polêmicas da história, é um fato. Porém, entre condenações e habeas corpus, há um candidato que se destaca na maneira conservadora de pensar e agir, Jair Messias Bolsonaro.
 
Deputado, militar da reserva e político brasileiro, Bolsonaro cumpre atualmente o seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados do Brasil, eleito pelo Partido Progressista (PP). Em 2014, nas eleições gerais, foi o deputado mais votado do Estado do Rio de Janeiro com apoio de 6% do eleitorado fluminense, que somam, aproximadamente, 464 mil votos. Em janeiro deste ano, anunciou sua filiação ao Partido Social Liberal (PSL), o nono partido político de sua carreira.
 
O deputado também foi titular da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e, também, foi suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Fora ele, seu irmão, Renato Bolsonaro, e três filhos seus também são políticos: Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro pelo PP, Flávio Bolsonaro, deputado estadual do RJ pelo PSC, e Eduardo Bolsonaro, deputado federal de São Paulo pelo PSC.
 
CORRIDA PRESIDENCIAL – O parlamentar afirmou sua candidatura à Presidência da República no dia 9 de novembro de 2016, ao prestar depoimento ao Conselho de Ética da Câmara. Ele disse que muita gente não gostaria da ideia. “Gostem ou não gostem”, afirmou.
 
Na situação, ele falava na condição de testemunha em um processo aberto pelo Conselho de Ética para apurar se Jean Wyllys (PSOL-RJ) quebrou o decoro parlamentar ao cuspir no deputado no ano anterior (2015). No mesmo período, estava em trâmite o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
 
Durante o depoimento ao Conselho, Jair Bolsonaro ainda afirmou que seria candidato ao Palácio do Planalto nas próximas eleições por sofrer o que chamou de "perseguição política" praticada por grupos de esquerda.
 
LULA VS. BOLSONARO – O ex-presidente da República e líder do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, desde o impeachment de sua sucessora, afirmou que iria concorrer às eleições presidenciais. Na população, isso causou grande alvoroço, pois, além de Lula e Dilma, o próprio partido estava vivendo uma recusa por parte dos brasileiros.
 
Recentemente, o ex-presidente foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, pelo caso do tríplex no Guarujá. Ele e a ex-primeira-dama, Marisa Letícia, morta em 2017, foram denunciados pelo Ministério Público Federal, pois seriam os verdadeiros donos do tríplex no Guarujá.
 
A acusação sustentava que haviam sido destinados a Lula R$ 3,7 milhões na aquisição e reforma do tríplex no Guarujá, sem que o ex-presidente pagasse a diferença pelo apartamento, de melhor qualidade, do imóvel que ele e a esposa pretendiam comprar no prédio. Desse valor, uma parte teria sido utilizada para o armazenamento, entre 2011 e 2016, de presentes que Lula recebeu durante os mandatos como presidente. Com isso, Lula foi condenado a cumprir, em regime fechado, 12 anos e um mês.
 
A par disso, a candidatura do líder petista foi ameaçada, por conta da Lei da Ficha limpa, que pretende impedir a eleição de pessoas que fazem tais práticas, que foram condenadas por crimes, que tenham processos em andamento na Justiça Eleitoral, entre vários outros motivos. Com isso, Bolsonaro estava confiante de que venceria a eleição, já que, durante todo o processo, esteve em segundo lugar nas pesquisas.
 
Porém, de acordo com a pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no dia 31 de janeiro deste ano, Lula ainda seria o favorito dos brasileiros, com 37% das intenções de votos, mesmo com sua candidatura incerta. Bolsonaro é o segundo colocado, com 16%, seguido por Geraldo Alckmin, com 7% das intenções de voto. No entanto, em índices gerais, a segunda maior pontuação da pesquisa é de brancos e nulos, que somam 17%.
 
Sabendo disso, o candidato pediu a impugnação da pesquisa, afirmando que era mal-intencionada e caluniosa. O ministro Sérgio Banhos, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido de liminar feito por ele para impugnar a pesquisa do Datafolha. Segundo Banhos, como os resultados já tinham sido divulgados pelo jornal “Folha de S. Paulo”, o pedido seria prejudicado.
 
PROPOSTAS – Jair Bolsonaro já foi questionado diversas vezes sobre suas propostas de governo em alguns pontos específicos. O candidato é criticado por não dizer coisas coerentes quanto as suas estratégias de governo, assim como não ter muita empatia pelas minorias, mesmo sendo de sua responsabilidade direta. Quando questionado como alavancará a economia, o candidato fala sobre impedir a exploração de recursos naturais no Vale do Ribeira.
 
De acordo com Patrick Souza, estudante de Economia, seu voto não é de Bolsonaro exatamente por esse desvio de caráter que o candidato apresenta. “Entendo que, perante a lei, ele é considerado um homem íntegro, porém não o vejo assim. Ele tem uma série de desvios de caráter que, com certeza, desumanizariam seu mandato. Ser presidente demanda muito mais que uma série de competências técnicas, mas também um coração que precisa pulsar pela Nação; toda ela”, aponta.
 
Souza, que dedica horas do seu dia estudando sobre atualidades e outros assuntos pertinentes, diz que falta consistência em seus discursos, assim como candidatos capazes para assumir essa briga pelo País. “Nenhum candidato agrada-me. O País passa por um momento delicado, e entregá-lo a qualquer um deles, seja Bolsonaro ou Lula, que são os mais fortes nas pesquisas, seria uma manobra desesperada e suicida”, afirma.
 
Muitos brasileiros, porém, consideram-no um bom nome para tentar acabar com imoralidades e desvios de conduta de maus cidadãos, que prejudicam o País.
 
 
Trajetória marcada por polêmicas 
 
Sua trajetória é marcada por uma série de polêmicas envolvendo minorias, embora tenha sido suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara de Deputados.
 
"Defendo a tortura. Um traficante que age nas ruas contra nossos filhos tem de ser colocado no pau-de-arara imediatamente. Não tem direitos humanos nesse caso. É pau-de-arara, porrada! Para sequestrador, a mesma coisa. O cara tem de ser arrebentado para abrir o bico", declarou no ano 2000, quando defendeu a tortura e o pau-de-arara da época da Ditadura Militar.
 
Conhecido por usar palavras de baixo calão para ofender os outros, ele já tocou em assuntos sociais polêmicos, como estupro, racismo e comunidade LGBT. "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, porque meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em ambiente promíscuo como lamentavelmente é o teu', declarou em 2011, respondendo à cantora Preta Gil, que questionou o deputado sobre se seu filho namorasse uma mulher negra.
 
"Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui; prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”, afirmou em 2011, quando deu entrevista para a revista “Playboy”.
 
MARIA DO ROSÁRIO – Uma de suas declarações rendeu-lhe um processo e uma condenação, que foi o caso com Maria do Rosário, do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (PT-RS).
 
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no dia 21 de junho de 2016, abrir duas ações penais contra o deputado, tornando-o réu na Corte pela suposta prática de apologia ao crime e por injúria.
 
Em 2014, Bolsonaro afirmou, na Câmara que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada porque ele é considera "muito feia" e porque ela "não faz" seu "tipo". 
 
Ao analisar denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e queixa da própria deputada, a Primeira Turma da Corte entendeu, por quatro votos a um, que, além de incitar a prática do estupro, Bolsonaro ofendeu a honra da colega. Somente o ministro Marco Aurélio Mello foi contra a abertura das ações penais. Os ministros Luiz Fux, Edson Fachin, Rosa Weber e Luiz Roberto Barroso, votaram a favor para que Bolsonaro se tornasse réu.
 
Toda a agressão começou quando a deputada discursava em defesa das vítimas da ditadura militar, que ocorreu de 1964 a 1985.
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