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<< SOROCABA Considerado maior movimento de liderança jovem do mundo, Aiesec também está em Sorocaba

Publicada em 19/01/2018 às 19:01
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(Foto: Divulgação)
VOLUNTARIADO
 
Que a maioria das pessoas sonha com um mundo melhor, isso é fato, mas poucos tentam colocar isso em estratégias tangíveis e tentar sua execução. Pensando nisso, um grupo de jovens criou a Association Internationale des Etudiants en Sciences Economiques et Commerciales, conhecida pela sigla Aiesec, que é considerado hoje o maior movimento de liderança jovem do mundo, sem fins lucrativos e que promove a empatia cultural, através de intercâmbios sociais, para pessoas de 18 a 30 anos de idade.
 
A organização nasceu em 1948, depois de uma reunião de alunos de Economia e Comércio do mundo todo que abordou quais eram os reais problemas do mundo e o porquê de ainda existirem as guerras. Com o encontro, eles concluíram que falta empatia entre as pessoas e entre as culturas, pois povos que se conhecem não precisam se odiar. Assim, o fundamento da Aiesec é enviar jovens para outros países para que se envolvam humanitariamente no trabalho com algumas ONGs e, desta maneira, consigam entender o que o mundo precisa. Dessa maneira, os jovens se sentirão capazes de tomar a frente de uma mudança mundial, que é a aposta da Aiesec, por se tratar de uma faixa etária que está em constante mudança.
 
De acordo com o Aiesec Way, que define os pilares da organização, esta trabalha em prol da “paz e do preenchimento das potencialidades humanas” que, para seus integrantes, é entendida como respeitar o próximo, ser empático e entender a diferença. A organização, hoje, existe em 126 países, nos cinco continentes. Ganhou sua sede em Sorocaba em 2010, graças a um grupo de estudantes do câmpus local da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), que sentia a falta de algum projeto voltado para a juventude. Eles começaram, então, uma série de pesquisas e, com a ajuda da Aiesec da USP (Universidade de São Paulo), fundaram uma filial em Sorocaba. Jenifer Romero, 23 anos, internacionalista, passou por todas as experiências dentro da organização em nível local e, no ano de 2017, foi a presidente do Comitê, que liderava com o auxílio de um corpo executivo composto de outras quatro jovens, chamadas de EB. Jenifer pretende trabalhar no Comitê Nacional. “Quando eu entrei na Aiesec, eu estava no meu primeiro ano de faculdade e bastante insatisfeita com o meu curso, porque buscava um viés mais humanitário em Relações Internacionais, coisa que não tinha e achei na Aiesec. Eu queria mudar o mundo”, conta Jenifer.
 
A internacionalista diz que a organização a ajudou a amadurecer e também achar seu propósito no mundo. “Eu entendo como posso ajudar os outros, como minhas paixões podem ser úteis para que eu possa mudar o mundo. Nesses meus quatro anos de Aiesec, entendo que preciso conversar com as pessoas e tentar entendê-las, que preciso ser empática, humana”, comemora.
 
COMPROMETIDA COM A CAUSA – Giovana Lins, 22 anos, estudante de Moda, conta que conheceu a Aiesec em um momento muito delicado de sua vida e usou disso como base para se aventurar e crescer. “Quando eu conheci a Aiesec, estava em um momento bem dificil da minha vida. Sentia que meu curso estava errado, que meu trabalho estava errado. 
 
Trabalhava em uma loja pequena que sabia que eu não ia crescer ali. Sentia que sempre fazia a mesma coisa, que não estava evoluindo”, conta. 
 
Giovana foi para a Colômbia trabalhar em um projeto chamado “Dar com amor”, onde os voluntários auxiliam uma ONG que dá suporte para abrigos de animais. “Quando eu comecei a pensar em projetos sociais, fui pelo que gostava muito e, sendo uma estudante de Moda, vejo o quanto de recursos naturais são desperdiçados. Eu queria me envolver com algo que tivesse relação com natureza”, explica, contando que, a princípio, iria para um projeto de reflorestamento, porém houve uma quebra de contrato e escolheu uma ONG de animais. “Eu achei incrível, pois sempre fui a ‘louca dos gatos’ e ajudar animais de rua era algo que queria muito fazer”, relata.
 
Em sua experiência, Giovana ficou tão encantada com o que viveu que, quando retornou, resolveu fazer parte do escritório da organização em Sorocaba. “Lembro que eu estava na Colômbia, em uma das reuniões semanais que são necessárias, e um rapaz, que tinha uma vida totalmente diferente da minha, começou a falar sobre paz mundial e tudo o que também acredito. Foi naquele momento que pensei o quão nobre é toda a causa, pois eu e ele não tínhamos nada em comum, mas por causa da organização queríamos a mesma coisa. Senti que eu podia contribuir ainda mais”, relembra.
 
Iniciando esse novo ciclo dentro da Aiesec, Giovana começou a tentar mostrar para as outras pessoas o que aquela experiência havia lhe deixado, mas, para ela, ainda não era o suficiente. Graças a isso, quatro meses depois de sua entrada na organização, a estudante resolveu se aventurar em um cargo de liderança em sua sede sorocabana. “Quando você faz parte da organização, sempre é incentivado a se desafiar e realmente enfrentar o que está errado na vida. E uma coisa que me incomodava muito na Aiesec em Sorocaba é a falta de presença na cidade, pois é uma causa muito bonita. Eu quis fazer parte da diretoria para conseguir mudar esse quadro, porque acredito no que fazemos e sei que posso contribuir positivamente para isso”, conclui.
 
Ainda de acordo com os pilares da organização, a Aiesec trabalha com o desafio e o potencial de cada jovem, seja atuando voluntariamente no escritório ou quando as pessoas vão para outros países e é isso que move a organização. Ela entende que cada jovem, com as coisas que sabe fazer, pode contribuir para o crescimento e o empoderamento da juventude, que é a camada mais dinâmica e que, se bem trabalhada, pode fazer muita revolução.
 
DO MUNDO PARA SOROCABA – Por outro lado, Carla Yucra, 21 anos, estudante de Medicina, conta que escolheu Sorocaba porque era uma cidade grande, perto de São Paulo e também um polo industrial. A boliviana conheceu a organização graças a uma postagem no Facebook, onde as pessoas eram convidadas a conhecer um pouco do trabalho da organização. Ela conta que sua experiência tem sido incrível, além de ter adorado a cidade. “Quando eu aceitei, decidi para onde queria ir e vim para trabalhar no Instituto `Humberto de Campos´, que atende atualmente a 300 crianças, além de 84 adolescentes em cursos semiprofissionalizantes e serve em suas instalações 1.100 refeições por dia em média. “Sabia pouco, porém fui me preparando para vir para cá. A experiência tem sido maravilhosa! Eu aprendo todos os dias com as crianças; eles são muito receptivos e querem conhecer o mundo. Vejo que têm uma alma pura e estão me modificando de uma maneira incrível. Tornei-me mais paciente, mais empática, mais humana”, conta Carla, que está no País desde 16 de dezembro e seu projeto dura cerca de seis semanas. Sua volta para a Bolívia está prevista para dia 5 de fevereiro.
 
 
Aiesec 2020 
 
A Aiesec trabalha de maneira correlacionada com a ONU (Organização das Nações Unidas). Então, suas ações são discutidas a cada cinco anos, além de avaliados os cinco anos anteriores para que se tenha uma base do que foi cumprido ou não. No ano de 2015, essa reunião foi realizada para definir o que seria feito até 2020. Esse projeto ganhou o nome de Aiesec 2020 ou Visão 2020. 
 
Nessa reunião, firmaram-se três pilares para que essa estratégia seja realmente executada. São eles: “Crescer disruptivamente”, “Ser acessível à todos em todos os lugares” e “Se adequar ao que o mundo precisa”. Esses pilares se ligam com a ideia de impactar todos os jovens do mundo, pois a Aiesec quer ser conhecida por todos e não necessariamente precisa ser levando pessoas para outros países, mas que todos saibam que podem fazer muito pelo mundo e pelo lugar em que vivem, já que esse é o começo.
 
Além disso, cada projeto é alinhado com as 17 metas da ONU, conhecidas como “SDG”. Isso ajuda na superação das dificuldades que há no mundo, como a pobreza, a desigualdade, a falta de educação de qualidade para todos ou até mesmo a falta de saneamento básico para alguns povos.
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