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<< ECONOMIA Inflação dos supermercados encerra 2017 com a maior queda no Plano Real Retração de 2,30% no acumulado do ano supera 1998; nova queda no índice não deve se repetir ao final de 2018

Publicada em 09/01/2018 às 18:51
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Em época de crise, qualquer economia, por menor que seja, é sempre bem-vinda. E quando essa redução é nos preços dos produtos básicos do nosso dia a dia, como leite longa vida, feijão, açúcar, chocolate, frango e arroz, é ainda melhor. O ano de 2017 foi extremamente favorável para os consumidores do setor supermercadista, conforme apontou o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Apas/Fipe, divulgado nesta terça-feira (9) pela Associação Paulista de Supermercados. No acumulado de janeiro a dezembro de 2017, a inflação dos supermercados registrou queda de 2,30% e atingiu o menor valor desde o início de sua medição, em 1994.
 
Anteriormente, a retração mais baixa registrada aconteceu no ano de 1998, quando o índice apontou redução de 2,26%. “Este resultado surpreendente é decorrente de dois fatores que eram apontados ao longo dos meses em 2017. Um deles foi a safra recorde brasileira no último ano, que superou todos os prognósticos. Este resultado principalmente nos grãos fez também com que os rebanhos bovino, suíno e aves fossem beneficiados com melhores preços para a ração por exemplo, o que ajudou na redução no preço das carnes”, explicou o economista Thiago Berka, da Apas.
 
Berka também destaca, porém, que “é preciso compreender como o consumidor brasileiro vem se comportando na crise. Apesar dos dois anos de PIB negativo (2015 e 2016), foi em 2017 que o pico do desemprego ocorreu (13,7% da população economicamente ativa ou 14 milhões de pessoas no 1º trimestre). A redução do desemprego (com o resultado de 12%) foi alcançada apenas em novembro puxados pelo emprego informal, empregados domésticos e conta própria, sem resposta ainda do emprego com carteira assinada. Portanto, o consumidor chegou em 2017 extremamente cauteloso, sem confiança e renda suficiente para gastar de forma a absorver a maior oferta no mercado alimentício”.
 
Apesar do resultado animador para o consumidor em 2017, para o acumulado de 2018 a previsão dos supermercadistas é de que os preços subam nos estabelecimentos mencionados entre 3 a 4%. “O nível de emprego no Brasil continuará aumentando e a melhora nos empregados com carteira assinada na iniciativa privada vai tornar a demanda mais robusta e sustentável. Além disso, a safra brasileira de 2018 será excelente novamente, porém não brilhará tanto quanto em 2017, com previsões de que seja 6% pior”, avaliou ainda Berka.
 
INFLAÇÃO EM DEZEMBRO NOS SUPERMERCADOS TEVE LEVE ALTA – Por outro lado, se no acumulado de 2017 o IPS fechou em queda, no mês de dezembro o índice subiu 0,27%, valor considerado baixo dado que, tradicionalmente, dezembro é um mês de aumentos maiores na inflação devido à demanda maior nas compras de final de ano. Os vilões que fizeram com que o índice subisse no último mês de 2017 foram as frutas e carnes, principalmente bovinas. Coxão mole, contrafilé, patinho e acém contribuíram com cerca de 23% do aumento do IPS dezembro, mas foram fortemente contrabalançados por quedas das carnes suínas e aves.
 
Os preços subiram 0,72% em dezembro puxados pela carne bovina (3,93%) e dos pescados (1,20%). As aves, contudo, demonstraram queda (1,16%), junto com suínos (3,30%) e leite (0,37%), que puxaram os resultados do grupo para baixo. Produtos industrializados subiram 0,24% em dezembro, mas surpreendeu o pequeno aumento dos panificados, incluindo os panetones, de 0,39%. Já os doces tiveram redução de 0,84%, com o chocolate em queda de 0,36%.
 
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